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18/09/2013 - Jornal da Cidade de Bauru Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Golpes enganam 3 por dia em Bauru

Por: Vitor Oshiro

Donos de imensa lábia, estelionatários continuam com histórias antigas; vítimas afirmam: parecem atores de novela.

Carlos e Márcia (nomes fictícios) nem se conhecem. Separados por três décadas de idade, ele trabalha como vendedor e ela é faxineira. Mesmo com perfis diferentes, encontraram um ponto em comum na última semana. Foram enganados por golpes que, mesmo existentes há anos, não param de fazer vítimas. Só em Bauru, a média é de três pessoas ludibriadas por dia. A situação se complica, uma vez que só o flagrante (leia mais abaixo) interrompe imediatamente a ação criminosa.

Dados do Sistema de Informações Criminais (Infocrim) mostram que, do começo do ano até agora, foram registrados 795 casos de estelionato na cidade. Os golpes englobam as mais diversas modalidades para enganar a vítima. Contudo, mesmo com os casos mais modernos apoiados na tecnologia, os mais comuns continuam sendo os velhos “contos do vigário”.

Dentre eles, estão o golpe do bilhete premiado e o do pacote ou cheque caído. Com a popularização do celular, outras duas situações se tornaram mais do que cotidianas: o falso sequestro e as premiações por SMS.

E foi exatamente por meio de uma mensagem no celular que Carlos, 41 anos, quase perdeu R$ 900,00. Na última sexta-feira, ele recebeu o SMS dizendo que havia ganhado um carro e mais R$ 75 mil. Para resgatar o prêmio, porém, teria que depositar determinada quantia. O vendedor chegou a fazer o depósito, porém, após descobrir o golpe, o gerente da agência bancária conseguiu cancelar a transação.

Dona Márcia, 71, não teve a mesma sorte. Na terça-feira, ela caminhava pelo Centro da cidade quando foi abordada por um homem. Com o sotaque caipira, ele pediu informações e mostrou um bilhete premiado. Nisso, chegou outra mulher que também se dispôs a ajudá-lo.

O golpista, porém, disse que a idosa precisaria comprovar que tinha R$ 10 mil a ele. Foi o que ela fez ao sacar a quantia. Pouco tempo depois, como em um passe de mágica, o homem e a mulher desapareceram com o dinheiro da vítima.

“Olha, eu já tinha ouvido falar desse golpe. Mas eles são tão rápidos que nem dá para pensar. Eu fiquei passada. O homem não sabia nem conversar direito. Fez igual a um ator de novela”, conta a faxineira.

O delegado da Central de Polícia Judiciária (CPJ) Cledson do Nascimento confirma que, em todos os casos, a lábia artística do estelionatário é a grande estratégia. “São verdadeiros atores que estão ali. É isso que as pessoas precisam ter em mente. Elas lidam com atores que estão representando personagens convincentes e criam situações convincentes”.

Contudo, a lábia do famoso “171” tem um aliado fundamental. É o que a polícia chama de “torpeza bilateral”. “É a velha história de se tentar conseguir um dinheiro fácil. A vítima enxerga aquela oportunidade de se dar bem e é disso que o estelionatário se aproveita”, complementa o delegado.

Nos bancos

Em maio, o JC publicou ampla reportagem sobre um foco maior dos estelionatários nos clientes de agências bancárias. Na ocasião, em um período de apenas 12 horas, os golpistas, em situações diferentes, fizeram quatro vítimas usando cartões e cheques clonados.

Além desses crimes e do uso do popular chupa-cabra, até mesmo um caixa eletrônico falso foi apreendido na cidade. A máquina, já conhecida em crimes na Capital, é uma réplica da original, “imitando” a tela e capaz de armazenar informações sigilosas do cliente.

O equipamento “segura” o cartão. Quando a vítima vai buscar ajuda, o estelionatário vai até a agência. Como ele tem os dados, faz as operações irregulares.

Diante do contexto, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) dá dicas de prevenção. Em relação aos cartões, a principal medida é nunca emprestá-lo ou permitir que alguém examine. Se o cartão foi perdido, deve ser bloqueado imediatamente.

Quem utiliza os serviços bancários pela Internet também precisa ter cuidado. Além de manter os antivírus atualizados, a Febraban recomenda trocar a senha periodicamente e não utilizar computadores de terceiros para as operações.

Provando do próprio veneno

Em algumas situações, entretanto, o “caçador” vira a “caça”. Acostumados a usar a lábia para enganar as vítimas, os golpistas provam do próprio veneno. Foi o que ocorreu no fim do mês passado aqui em Bauru.

Após receber telefonema de um suposto atendente de operadora de celular, um casal descobriu que havia ganhado uma bolada. Porém, precisava depositar R$ 399,88 para ficar com um prêmio.

Conforme a reportagem acompanhou, eles “enrolaram” o homem na linha e levaram o celular até a CPJ. Lá, um investigador continuou ao telefone com o homem, que era do Ceará, e o número foi rastreado.

Outros dois estelionatários que podem se dar mal levaram R$ 5 mil de uma mulher, de 66 anos, no bairro Higienópolis, também no fim do mês passado. Conforme o JC divulgou, após a vítima cair no golpe do bilhete premiado, sua filha refez todo o trajeto e conseguiu imagens de câmeras de segurança que flagraram a ação. A filmagem foi encaminhada à polícia.

Legislação surge como obstáculo

O delegado Cledson do Nascimento explica que algumas quadrilhas se especializam no estelionato e fazem incursões em cidades como Bauru. “Por isso, registramos algumas ondas de ocorrências de vez em quando”, explica.

Apesar de frequentes prisões de estelionatários, a própria legislação surge como um obstáculo. É que somente os flagrantes podem tirar os criminosos das ruas imediatamente. “O estelionato não é um crime passível de prisão temporária. Então, só quando ele é pego em flagrante, acaba preso naquele momento. Em muitos casos, é preciso reunir todas as provas para pedir a prisão preventiva só ao fim do inquérito. E, nesse meio tempo, o estelionatário vai fazendo novas vítimas”.

Repórter relata experiência de quase ter se tornado uma vítima

Muito se fala da lábia dos estelionatários. Porém, é muito mais que apenas isso. Toda a situação armada é uma verdadeira arapuca que bloqueia nosso pensamento e extermina nossa racionalidade. Este repórter que vos fala quase foi uma dessas vítimas.

Estava em viagem para Bauru com um amigo e o pai dele quando paramos à beira de estrada para tomar uma água de coco. Quase simultâneo ao meu carro, chegou um jovem em uma caminhonete.

Enquanto nos refrescávamos, ele comprou um garrafão de vinho e deu como pagamento R$ 50,00. Como o dono não tinha troco, o jovem fez uma aposta. “Vou fazer um truque que faço na faculdade e, se o senhor ganhar, fica com os R$ 50,00. Se eu ganhar, levo o garrafão”.

O golpe

Com uma bolinha de borracha e três tampinhas amassadas, o jovem escondia a bolinha e embaralhava. Ao fim, perguntava onde estava. Para nós, que estávamos ao lado, o segredo parecia claro: ele deixava a pequena bola sob o dedo mindinho e só a colocava embaixo de uma das tampinhas ao final. Pronto, nos sentimos os mais inteligentes do universo.

Logo após o jovem ganhar do dono da mercearia, uma moça loira que também chegou resolveu entrar no jogo. Ela, que, ao nosso lado, flagrou a estratégia, desbancou o jovem espertalhão.

Nisso, meu amigo logo viu a oportunidade. Perdeu R$ 30,00. Em questão de instantes, você não se lembra de nada. Só quer ganhar aquela grana fácil. Quando estava prestes a apostar R$ 100,00, o pai do meu amigo nos alertou e fomos embora.

Um mês depois, passei pelo estabelecimento. Lá, estava o mesmo dono; o mesmo jovem de caminhonete; e a mesma moça loira. A mesma arapuca pronta para deixar bem claro que não existe dinheiro fácil.


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