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18/09/2013 - Diário da Manhã Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Falsos profetas da saúde

Por: Leonardo Caixeta


A área da saúde vem sendo invadida, nos tempos atuais, por uma miríade de promessas infundadas de cura através de métodos “alternativos” para doenças que, ou já apresentam tratamento bastante efetivo fornecido pela Medicina tradicional (exemplo: depressão, ansiedade, estresse), ou para as quais a Ciência ainda não encontrou terapêuticas plausíveis (exemplo: alguns tipos de câncer).

Este tema merece foco de atenção por vários motivos. Primeiro, o leigo muitas vezes, e de forma ingênua e precipitada, cai no conto do vigário e se submete a “técnicas milagrosas” ou “novos procedimentos” oferecidos por falsos ou incautos profissionais (geralmente portadores de personalidade psicopática) que, na verdade, ambicionam tirar proveito dos “bobos endinheirados” que pagariam qualquer quantia no anseio de aplacar seu sofrimento psíquico ou físico. Estes “terapeutas” muitas vezes não apresentam sequer registro em conselho profissional (muitos são semianalfabetos), nunca fizeram formação científica em universidade reconhecida, jamais submeteram suas “descobertas” (ou delírios) ao crivo de sociedades profissionais habilitadas no diagnóstico e tratamento de doenças médicas e, portanto, não gozam de autorização legal para atuarem. Por isto mesmo estes charlatães se sentem à vontade para disseminar falsas técnicas terapêuticas sem qualquer responsabilidade quanto ao mal que podem fazer, se colocando à margem de qualquer código de ética, uma vez que não se submetem a nenhum tipo de regulamento profissional que legitime sua conduta.

Mais absurdo ainda é perceber que muitos meios de comunicação de massa divulgam e legitimam tais condutas, sem o cuidado de averiguar as fontes em criterioso estudo que deve constituir o princípio básico do jornalismo correto e ético, compromissado com o bem-estar da população ansiosa de informações. Notícias carregadas de sensacionalismo, anunciando métodos desconhecidos de cura promovidos por pessoas sem credenciais profissionais e científicas que se propõem a tratar doenças sérias e potencialmente mortíferas constituem propaganda inadmissível e irresponsável que devem ser prontamente denunciadas e desestimuladas. Em reportagem de capa do DM de 14/09/13 foi anunciada “cura quântica” para depressão, síndrome de pânico e Alzheimer, entre outras doenças graves, usando-se um “aparelhinho russo” aplicado por um “cientista”. Ora, em 15 anos de pesquisa científica com estas graves doenças na UFG e em parceria com as maiores instituições científicas brasileiras eu, médico neuropsiquiatra e professor de Medicina da UFG, jamais presenciei tamanho absurdo. Da mesma maneira, nunca ouvi falar do tal cientista (procurei referências e publicações nos portais científicos brasileiros – CNPq, Capes) e não encontrei uma única menção à sua existência e muito menos ao seu trabalho: é uma invenção da mídia.

Não se pode abordar a Medicina alternativa como “intocável”, mesmo ela deve respeitar princípios éticos e profissionais. Todo e qualquer procedimento médico deve estar atrelado a princípios de conduta e responsabilidade por falhas, imperícia, negligência e imprudência. Não se pode imaginar ingenuamente que, só porque é um produto da Medicina alternativa, ele foi concebido por elfos milagrosos em montanhas mágicas de algum universo paralelo. A eficácia de cada tratamento tem que ser testada com aprovação em comitês de ética em pesquisa antes de ser apresentada à população como modalidade plausível de tratamento. O charlatanismo disfarçado entra quando se cobra muito (ou qualquer) dinheiro por falsas esperanças, abusando da ignorância e da vulnerabilidade daqueles que necessitam de auxílio profissional adequado.

Não podemos mais aceitar que uma pessoa qualquer, sem nenhuma habilitação profissional ou científica na área que está se declarando habilitada, venha a público e faça uso de um meio de comunicação sério para vender seus produtos, prejudicando milhares de pessoas que abandonarão seus tratamentos para se entregar a toda sorte de devaneios e disparates fornecidos pelos delirantes de plantão.

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