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19/09/2013 - Jornal Agora / Agência Brasil Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

PF prende delegados e doleiro em esquema de desvio e lavagem


A Polícia Federal prendeu na manhã desta quinta-feira dois delegados da Polícia Civil do Distrito Federal, um ex-policial e um doleiro suspeitos de participar de um esquema de lavagem de dinheiro e desvio de recursos de fundos de pensão que teria movimentado R$ 300 milhões em um ano e meio.

A polícia ainda procura dez pessoas alvos de mandado de prisão, segundo balanço parcial. A PF informou que até o fim da manhã haviam sido presas 17 pessoas, sendo 14 no Distrito Federal, dois no Rio de Janeiro e um em Goiás.

Desde o início da manhã, mais de 300 policiais cumpriram um total de 102 mandados, sendo 5 de prisão preventiva, 22 de prisão temporária e 75 de busca, no Distrito Federal e em nove Estados. Foram apreendidos documentos, computadores e carros de luxo, entre eles, um Porsche no Rio de Janeiro e uma Ferrari em Brasília, além de uma lancha avaliada em R$ 5 milhões.

Entre os presos em Brasília estão o doleiro Fayed Traboulsy e o ex-policial civil Marcelo Toledo. Ambos são investigados desde 2008, numa operação chamada de Tucunaré (peixe grande) por lavagem e remessa ilegal de dinheiro para o exterior.

Investigadores disseram que a operação deflagrada nesta quinta pela PF é a "operação Tucunaré ressuscitada". Em 2008, escutas flagraram Fayed pedindo ajuda a Toledo para que ele usasse contatos no governo para descobrir se o doleiro era grampeado.

Toledo também foi gravado num dos vídeos da operação Caixa de Pandora, que apurou o mensalão do DEM no DF, perguntando sobre dinheiro do então vice-governador Paulo Octávio que seria dado a prefeitos. Fayed havia sido preso em março, numa operação da polícia do DF.

Os advogados de Toledo e Fayed estiveram na superintendência da PF nesta quinta e tentam soltar seus clientes. Ambos têm pedidos de prisão temporária e provisória. A defesa afirma ainda que as atividades dos dois são legais.

Além deles, também está na mira da polícia Carlos Eduardo Lemos, dono de empresa de consultoria financeira que, em maio, assumiu ser dono de mais de R$ 400 mil que dois homens levam na cueca ao serem detidos pela PF no aeroporto de Brasília. Ele também é suspeito de participar do esquema que, além de lavagem, envolve desvio e gestão fraudulenta de recursos de fundos de pensão de servidores de diferentes municípios.

Segundo informações da PF, a operação batizada de Miquéias começou há um ano e meio para apurar o uso de contas bancárias de empresas de fachada ou fantasmas, abertas em nome de "laranjas", para ocultar a verdadeira origem do dinheiro e também os beneficiários de saques que ultrapassaram os R$ 300 milhões. Foram identificadas 30 empresas de fachada, 35 "laranjas", sete sacadores contumazes e quatro eventuais.

Ao apurar o crime de lavagem de dinheiro com uso de empresas fantasmas e de fachada, a PF se deparou com outro esquema, de desvio e gestão fraudulenta de RPPS (Regime Próprio de Previdência Social) de servidores de diferentes Estados e municípios.

Segundo a polícia, integrantes do grupo aliciavam prefeitos e gestores de fundos de previdência por meio de lobistas para investir em "papeis podres" do próprio grupo, com rentabilidade baixa e alto risco de investimento.

"A aplicação era feita simplesmente porque o prefeito ou o gestor recebiam vantagem indevida. Quem realizasse investimento naquele fundo estaria fazendo um péssimo investimento", disse a delegada, observando que a maioria dos fundos tinham investimentos apenas dos fundos de pensão de servidores abordados pela quadrilha.

Foram identificados desvios de R$ 50 milhões desses fundos previdenciários. "Pegamos só aponta do iceberg, o esquema é muito maior", atesta a delegada Andréa Pinho.

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