Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


Acompanhe nosso Twitter

04/06/2013 - Diário da Manhã Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Dublê de advogado e espião

Por: Hélmiton Prateado

João Paulo Brzezinski produziu vídeo, em reunião, com envolvidos em acusações de peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Ele também é réu e gravou o próprio afilhado de casamento.

O advogado João Paulo Brzezinski da Cunha está sendo processado no Tribunal de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO) por ter feito gravações de áudio e vídeo em que aparece o advogado Pedro Sérgio dos Santos e outros envolvidos na Operação Boca do Caixa, desencadeada pelo Ministério Público (MP), em dezembro de 2012. Uma das gravações foi feita no escritório de Pedro Sérgio, autor da representação contra João Paulo, sem que os participantes da reunião soubessem que estavam sendo gravados.

Pedro Sérgio enumerou na representação feita do TED que defende Luiz Antônio Arantes, ex-reitor da Universidade Estadual de Goiás e que durante as investigações “foi procurado diversas vezes” por João Paulo com a finalidade de “consultas e orientações” para defesa em possível ação penal que poderiam vir a ser denunciados.

“No dia em que foi deflagrada a operação, com prisão de um dos envolvidos e busca e apreensão na casa de João Paulo, os promotores encontraram as gravações feitas por ele”, explicou. As suspeitas de que as gravações teriam sido feitas em seu escritório aumentaram os motivos para que Pedro Sérgio pedisse ao Tribunal de Ética da OAB uma punição para João Paulo Brzezinski.

Ele cita como peça fundamental para justificar suas suspeitas o fato de que o único preso durante a operação, Francisco Afonso de Paula, ter sido avisado do vídeo tão logo chegou à sede do MP. “Os promotores disseram para ele que no vídeo estava patente seu envolvimento com o caso. Isto aconteceu logo após sua prisão, o que indica eles já sabiam da existência da gravação e possivelmente do conteúdo do que havia sido discutido no escritório”. Francisco foi preso e colhido seu depoimento logo em seguida, mesmo sem a presença de seu advogado.

“O representado (João Paulo) gravou o referido audiovisual e deu ciência ao Ministério Público da existência do mesmo, ocasião em que o Ministério Público requereu à Justiça a busca e apreensão do CD na residência do representado”, frisou Pedro Sérgio.

Inviolável

Pedro Sérgio argumentou na representação que a Constituição Federal estabelece que “o advogado é inviolável por seus atos no exercício da profissão, nos limites da lei” e que o escritório também é inviolável, bem como seus instrumentos de trabalho.

“Os clientes dos advogados terão garantia de que seu direito à liberdade de defesa poderá ser exercido, assim como o próprio advogado terá assegurado o seu sigilo profissional e também o seu direito à propriedade, que só será violada em situações em que ele (advogado) e não seus clientes tenham dado causa”, lembrou.

O vídeo e as imagens feitas por João Paulo mostram alguns dos denunciados na Operação Boca do Caixa e o interior do escritório de Pedro Sérgio dentro do que seria um “encontro sigiloso” entre o advogado e seus clientes. “Isto foi gravado sem autorização judicial e violando as garantias constitucionais e o mais escandaloso é que na época em que João Paulo Brzezinski fez esse vídeo ele era o titular da Defensoria Pública do Estado de Goiás, cargo privativo de advogado. Se o advogado não pode mais ter seu escritório respeitado, suas comunicações e documentos em sigilo, como ficará sua imagem perante a opinião pública e diante daqueles que carecem de seus serviços”, indaga ele.

Pedro Sérgio ressalta que João Paulo foi conselheiro da OAB e sabe bem das obrigações de um advogado e do dever de lealdade para com seus colegas de profissão. Além desse fator há outro agravante citado por Pedro Sérgio: “João Paulo Brzezinski da Cunha está em franca campanha para tentar ser desembargador na vaga destinada a advogados. Como uma pessoa que grava outros de maneira ardilosa pode almejar ocupar um cargo de magistrado no Tribunal de Justiça. Com que moral pode pleitear julgar outros. Isto sem falar em sua condição de réu em uma ação de peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.”

Traição

João Paulo Brzezinski da Cunha fez outros vídeos, dessa vez fora do escritório. Ele gravou com um tablete uma conversa com o ex-reitor da UEG, José Izecias de Oliveira. Esse foi o pivô de toda a história. Izecias era reitor da universidade e se afastou do cargo para ser candidato a deputado federal pelo PSDB em 2006. Seu advogado era João Paulo e lhe representava a quase uma década. Além de advogar para Izecias a relação de João Paulo ia mais longe: ele e sua esposa foram padrinhos de casamento de Izecias.

Essa aproximação em 2006 segundo o Ministério Público fez com que ele e mais o sucessor de Izecias se associassem “em quadrilha, de forma estável, permanente e organizada, com a especial finalidade de cometerem crimes de peculato e lavagem de dinheiro no âmbito da Universidade Estadual de Goiás”.

Mesmo tendo sido advogado e padrinho de casamento de Izecias João Paulo gravou sua conversa “para garantir sua linha de defesa na ação penal que se mostrava iminente”.

O dinheiro desviado da UEG, segundo o Ministério Público, passou pela conta do Instituto Brasileiro de Ensino, Pesquisa, Extensão e Tecnologia (Ibepet), instituição privada de João Paulo Brzezinski, com valor estimado em R$ 42 mil e que em ação própria o MP conseguiu a indisponibilidade dos bens de todos os envolvidos. Essa empresa “laranja”, “embora nunca tenha prestado serviços à UEG, recebeu em sua conta bancária R$ 725.380 desviados do pagamento de mensalidade/matrícula de alunos.

Confirmação

João Paulo confirma que fez as gravações no escritório de Pedro Sérgio e com seu afilhado de casamento José Izecias. “Fiz imagens com som no escritório com um chaveiro que parece um controle remoto. Gravei mesmo porque queria me precaver de uma ação penal que poderia ocorrer.”

Ele ressalva, entretanto, que quando fez as gravações não estava no escritório de Pedro Sérgio na condição de advogado e sim na qualidade de investigado. “Como investigado entendo que é legítima a gravação que fiz para garantir minha defesa.”

Quanto às gravações que fez com seu Tablet das conversas que teve com José Izecias ele mantém a mesma linha de justificativa.

Se sua conduta pode ter questionamentos sobre a ética João Paulo Brzezinski não se intimida, mesmo tendo gravado de maneira escondida conversas com quem já havia sido seu cliente e afilhado de casamento. “Eu fiz a rescisão de contrato no dia que peguei seu depoimento no MP e lá ele disse que não me conhecia. Fiz uma série de gravações com ele. Ora, eu fui advogado dele 10 anos, fui seu padrinho de casamento. Advoguei para ele até o dia 25 de maio de 2012. Ali era uma conversa entre dois investigados pela Justiça. Amizade, ética, lealdade é tudo subjetivo.”

Lamento

O ex-reitor da UEG, José Izecias de Oliveira, disse que lamenta profundamente a postura de João Paulo Brzezinski, que foi seu advogado. “Esse tipo de conduta é reprovado por todas as pessoas de bem. Ninguém aprova uma pessoa conversar de forma descontraída com outra e gravar a conversa para usar depois. Ninguém gosta de ser gravado sem saber que isto está sendo feito. Isto é profundamente lamentável”.

A origem do dinheiro que passou pela conta bancária do instituto de João Paulo Brzezinski, de acordo com Izecias terá de ser provado. “Isso tudo é história. Eu nem conhecimento da existência dessa empresa eu tinha muito menos a movimentação bancária. Isto está nos autos, consta do depoimento que prestei ao Ministério Público.”

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 1872 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Divulgação





NSC / LSI
Copyright © 1999-2018 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal