Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


ÚLTIMOS TREINAMENTOS DE 2018 SOBRE FRAUDES E FALSIFICAÇÕES
Veja AQUI programação e promoções dos últimos treinamentos de 2018 da DEALL R&I
sobre Fraudes e Falsificações nos dias 14, 22 e 29 de novembro.


AFD SUMMIT
A maior Conferência de Investigação Corporativa & Perícia Forense da América Latina.
São Paulo dias 08-09 de dezembro de 2018


Acompanhe nosso Twitter

02/09/2013 - Económico Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Fraudes convenientes

Por: João Galamba

Na semana que passou, ficámos a saber que o Governo enviou para o FMI dados falseados sobre a evolução dos salários em Portugal.

Ao invés de mostrar que cerca de um quarto dos trabalhadores portugueses tinham tido reduções salariais, os dados enviados pelo Governo davam a ideia (errada) de que teria havido apenas estagnação, mas não redução dos salários. Este ‘lapso', como veremos, é tudo menos inocente.

Esta distorção da realidade permite sustentar a tese de que a destruição de emprego sem precedentes que ocorreu em 2012 é explicada pela excessiva rigidez do mercado de trabalho, isto é, destruíram-se centenas de milhares de empregos apenas porque não é possível ajustar os salários à nova realidade da procura na economia portuguesa. Se os dados enviados fossem os correctos, esta tese sairia muito fragilizada, porque se tornaria evidente que, apesar da descida dos salários, a destruição de emprego não tinha abrandado, antes pelo contrário.

Logo, a explicação da destruição de emprego não recai na alegada rigidez laboral, mas sim nas fortíssimas restrições à procura criadas pelas actuais políticas de austeridade.
Podemos dizer que este Governo revela um padrão de comportamento: quando a realidade não se conforma à teoria, distorce-se a realidade. Tudo começou com o caso TSU, cujos os estudos técnicos que sustentariam a opção nunca foram divulgados. Depois tivemos o relatório do FMI sobre a ‘reforma do estado', que estava cheio de imprecisões, distorções e dados truncados. E agora este caso.

Em todos eles, o Governo foi cúmplice, activo ou passivo, de sucessivas tentativas de implementar um conjunto de políticas cuja única justificação é a obsessão ideológica de responsabilizar os próprios trabalhadores e/ou o Estado pelos problemas da economia portuguesa. Que a estratégia escolhida por este Governo só possa ser sustentada recorrendo a fraudes diz muito sobre a razoabilidade das opções e sobre as motivações dos agentes políticos.

O Governo pode tentar defender-se dizendo que está de boa-fé, que foi o FMI quem pediu esses dados, que se limita a cumprir metodologias seguidas por todas as instituições internacionais - mas, uma coisa é certa: sem estas fraudes, seria muito mais difícil, para não dizer impossível, continuar a defender as políticas de austeridade, a agenda de desregulação do mercado de trabalho e o empobrecimento generalizado dos trabalhadores portugueses como constituindo soluções para o problema português. Sem esta capa legitimadora, tornar-se-ia (ainda) mais evidente que a estratégia não só não está a resultar, como não tem como resultar.

A cumplicidade do Governo com tudo isto é preocupante, porque mostra que, mais do que defender Portugal, a maioria PSD-CDS está mesmo empenhada em usar esta crise como pretexto para sujeitar os portugueses a uma experiência ideológica, cuja única fundamentação, como se vem tornando evidente, não é a realidade, mas o dogmatismo de quem, pura e simplesmente, não está disponível para encontrar uma alternativa.

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 131 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Divulgação





NSC / LSI
Copyright © 1999-2018 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal