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25/08/2013 - D24am Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Máfia dos cemitérios aluga e vende covas por até R$ 30 mil em Manaus

Por: Clarice Manhã

Reportagem do Portal D24AM flagrou, com vídeos, comércio ilegal de jazigos e covas em três dos principais cemitérios de Manaus. Prefeitura afirmou que investigará o caso.

Manaus - Sepulturas estão sendo comercializadas ilegalmente por até R$ 30 mil em cemitérios de Manaus limitados a sepultamentos em jazigos familiares. Coveiros, fiscais e até administradores destas unidades fomentam esse ‘mercado negro’, conforme constatou o Portal D24AM nos cemitérios São João Batista, Santa Helena e Santo Alberto, com flagrantes gravados em vídeo.

Na manhã da última quinta-feira (22), o Portal D24AM abordou um fiscal da Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Público (Semulsp) dentro do cemitério São João Batista, no Boulevard Álvaro Maia, zona centro-sul, procurando uma sepultura disponível para compra. O fiscal, que não quis se identificar apesar de estar usando o crachá funcional, informou que poderia fazer o negócio 'discretamente', longe do setor de administração da unidade.

O servidor explicou que pelos meios legais só é possível novos sepultamentos no cemitério em jazigos familiares. Ele chamou um vendedor, identificado como ‘Edivan’, que naquele momento estava ocupado, negociando um túmulo com uma compradora e apenas mandou um recado com o preço: R$ 14 mil e o contato telefônico dele caso houvesse interesse em comprar uma sepultura.

Uma compradora, que preferiu não se identificar, contou que pagou R$ 10 mil por uma sepultura no São João Batista, mas não sabia que era ilegal. “Cheguei aqui e perguntei se tinha sepultura à venda, para enterrar meu irmão e eles me ofereceram uma, com vaga para quatro caixões. Essas pessoas têm coragem de se aproveitar de um momento de dor das famílias para faturarem. Agora estou com medo de ter que desenterrar meu irmão”, disse.

No cemitério Santa Helena, bairro São Raimundo, zona oeste, a negociação é feita diretamente com os funcionários do local. Na secretaria da unidade, três servidoras atenderam a equipe do Portal D24AM e cobraram R$ 5 mil, à vista, por uma vaga onde o corpo pode ficar por quatro anos. Depois, os ossos são retirados e a vaga passada para outra pessoa, segundo informou a funcionária.

Uma das servidoras utiliza o mapa de sepultamentos para escolher os espaços que podem ser vendidos, com base na frequência de visitação.

A administradora do cemitério avisa a reportagem que não é permitida a comercialização de túmulos e pede sigilo sobre o negócio. Questionada sobre a legalidade da venda, ela informa que a dona do túmulo viajou e deixou o espaço à venda, o que também é ilegal. Ela disse que, em outros casos, são vendidos túmulos muito antigos, que não recebem visita há muito tempo.

Como uma corretora de imóveis, a funcionária percorre o cemitério tranquilamente, apresentando a localização e valores das sepulturas aos seus ‘clientes’. Os coveiros do Santa Helena parecem acostumados com a comercialização e um deles, ao ver os compradores em potencial, pergunta se já poderia começar a 'cavar'.

Ela responde que só quando o pagamento fosse efetuado. “Você pode pagar agora e eles já fazem tudo. Deixam uma lápide bem bonita pronta para quando o corpo chegar”, oferece, sem saber se tratar de uma reportagem do Portal D24AM.

Já o ‘aluguel’ de uma sepultura no cemitério Santo Alberto, no Morro da Liberdade, zona sul, custa R$ 1,5 mil, por quatro anos. Após esse período, o corpo é recolhido em uma sacola plástica e colocado dentro de uma gaveta do necrotério para abrir nova vaga, informou um dos negociadores. Coveiros e fiscais disputam a clientela e prometem escritura da sepultura e 'garantia' de que o túmulo não será violado em novas vendas.

A Semulsp informou que a venda e aluguel de sepulturas nos cemitérios São João Batista, Santa Helena e Santo Alberto são ilegais e será aberto um procedimento interno de investigação para apurar o envolvimento dos servidores municipais na irregularidade.

O órgão solicita que as pessoas que forem abordadas nos cemitérios, por pessoas oferecendo sepulturas, que comuniquem à Semulsp pelo telefone 3216-8014.

Há um mês, a Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu um inquérito para apurar a venda de túmulos em três cemitérios da capital carioca, afirmando que a comercialização caracteriza os crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica, estelionato e crime contra a administração pública.

Reutilização

A estimativa do Departamento dos Cemitérios (Decem) da Semulsp aponta que 130 mil sepulturas estão passíveis de reutilização nos cemitérios de Manaus. Preocupado com a necessidade de alterações da legislação que dispõe sobre cemitérios, serviços funerários e a fiscalização do serviço, o poder municipal criou, no último dia 26 de junho, uma comissão para rever a Lei nº 1.273/ 2008, que dispõe sobre o assunto.

Prefeitura estuda criação de novos cemitérios na capital

Segundo informações da Secretaria Municipal de Limpeza e Serviços Público (Semulsp), apenas o cemitério Nossa Senhora Aparecida, no Tarumã, zona oeste de Manaus, está disponível para novos sepultamentos atualmente. Os outros nove cemitérios municipais atingiram a cota máxima de túmulos e só têm espaço nos jazigos familiares.

A diretora do Departamento dos Cemitérios (Decem) da Semulsp, Danyelle Soares, informou que a Prefeitura analisa a possibilidade de implementação de um crematório e um cemitério particular na cidade. “Com estas medidas, teremos capacidade para mais 30 mil sepulturas e seria possível desafogar em pelo menos 20% a demanda atual por novas concessões”, afirmou.

De janeiro a junho deste ano, o Decem registrou 4.621 sepultamentos, o equivalente a uma média de 770 enterros mensais. A diretora calcula que na última década houve um aumento de 41,4% na demanda por túmulos na cidade. “Em 2005, a nossa média semestral era de 3.267 sepultamentos contra 4.622, somente no primeiro semestre deste ano. Claro que o crematório exigirá uma adaptação cultural, mas de 15 a 30 cremações ocorreriam mensalmente se houvesse a estrutura aqui”, informou ela.

A Prefeitura também estuda a construção de mais um ossuário no cemitério Aparecida, com capacidade para 5 mil lóculos individuais (gavetas). Hoje, o local está com quase todas as 2,8 mil unidades esgotadas. “Sabemos da demanda e estamos analisando a possibilidade desta construção ou de outras medidas, mas de qualquer forma teremos que ampliar o ossuário atual, pois ele não atende mais a capacidade do cemitério”, esclareceu.

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