Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


Acompanhe nosso Twitter

13/08/2013 - CBN Rádio Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Siemens acumula multas e diz buscar rigor contra corrupção desde 2007

Grupo alemão foi alvo de várias denúncias no mundo entre 2007 e 2008. Escândalos levaram à saída de presidente e à controle mais rigoroso.

O grupo industrial alemão Siemens convive há anos com investigações em diferentes países por propina a agentes públicos e práticas irregulares em negócios. Entre 2007 e 2008, a empresa foi condenada a multas ou fez acordos equivalentes a ao menos R$ 3,6 bilhões. No Brasil, a empresa aparece no centro de um escândalo de formação de cartel em licitações no Estado de São Paulo.

Um dos marcos iniciais no histórico de escândalos de corrupção na Siemens foi a saída do presidente da companhia em 2007, Klaus Kleinfeld. Além do presidente, outros profissionais com altos cargos renunciaram e alguns foram condenados a ressarcir a empresa.

O ex-diretor Reinhard Siekaczeck foi condenado a dois anos de liberdade condicional e ao pagamento de uma multa à Justiça alemã por 49 casos de desvio de dinheiro, de acordo com a agência EFE.

O novo presidente da Siemens, Peter Löscher, assumiu em julho de 2007 com o discurso de “deixar para trás” o “capítulo negro” da corrupção. Em 2006, pouco antes de receber as primeiras multas e ter a saída do presidente Klaus Kleinfeld, o grupo informou ter detectado em investigações internas "pagamentos suspeitos" de US$ 556 milhões, segundo a agência de notícias EFE.

Investigações

Uma das primeiras investigações contra a empresa em 2007 ocorreu na própria Justiça de Munique, cidade alemã sede da Siemens. A empresa era suspeita de ter criado um sistema de caixa dois para obter contratos no exterior e teve de pagar €$ 201 milhões à Justiça alemã, segundo a agência de notícias France Presse.

No mesmo ano, a União Europeia também condenou a empresa ao pagamento de €$ 400 milhões por formação de cartel para manipulação de preços e outras irregularidades em contratos para instalações elétricas. À época, um agente da Comissão Europeia afirmou que o cartel com outras empresas já durava 16 anos.

Um golpe mais duro, no entanto, veio em 2008, quando o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e a Comissão de Valores Mobiliários do país fizeram a empresa pagar, por meio de um acordo extrajudicial, cerca de US$ 800 milhões. A Siemens estava sujeita à legislação americana uma vez que possui ações em bolsas de valores do país.

Segundo o Departamento de Justiça americano, o grupo pagou comissões irregulares a funcionários públicos de diversos países, tais como Iraque e Venezuela. Apenas na Argentina foi feito o pagamento de US$ 31 milhões em propina. A Siemens estava interessada em um projeto do sistema de cartão de identidade do país.

Ao todo, entre 2001 e 2007 a Siemens teria pago US$ 1,4 bilhão em propinas a autoridades de diversos países, conforme investigação dos EUA relatada pela BBC. Dados reunidos pela entidade anticorrupção Trace International apontam que foram feitos mais de 4 mil pagamentos ilegais a autoridades em mais de 20 países.

Por causa das irregularidades, a empresa está proibida de participar de licitações públicas promovidas pelo Banco Europeu de Investimentos (BEI) até o fim de 2014.

Compliance

A pedido dos EUA, a Siemens colocou o ex-ministro alemão, Theo Waigel, como monitor de compliance (termo que pode ser entendido como a "conformidade das ações da empresa com a legislação"). Ele fez relatórios periódicos ao Departamento de Justiça americano sobre a atuação da empresa.

A ação da empresa de denunciar a formação de cartel em São Paulo ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pode ser mais uma medida no sentido de acabar com os casos de corrupção dentro da empresa.

A Siemens assinou um acordo de leniência com o Cade no qual delata a existência de um suposto conluio entre empresas para ganhar licitações aumentando os valores cobrados para instalar trens e metrô no Estado, com aval do governo. Oficialmente a empresa não confirma que tenha delatado o esquema.

A empresa divulgou notas na quarta-feira (7) e na sexta-feira (9), afirmando “desde 2007, a Siemens tem feito grandes esforços para aprimorar seus programas de compliance em todo o mundo, tendo implementado um novo e eficaz mecanismo de controle e investigação. Como resultado de seus esforços, a empresa alcançou pontuação de 99% no Índice de Sustentabilidade Dow Jones (DJSI)”, informou em nota.

Investigação

No Brasil, segundo a empresa, a Siemens alega ter sido uma das quatro primeiras empresas a receber o Selo Ético ("Cadastro Empresa Pró-Ética") em 2010, concedido pela Controladoria Geral da União (CGU).

O período no qual a Siemens sofreu diferentes condenações e trocou seu comando coincide com as investigações do Cade sobre o cartel no Brasil. A empresa Siemens, segundo reportagem do jornal "Folha de S.Paulo", entregou documentos ao Cade em que afirma que o governo de São Paulo sabia e deu aval à formação de um cartel que envolveria 18 empresas.

O suposto cartel teria funcionado de 1998 a 2008, perído dos governos de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, do PSDB. Representantes dos três governos dizem desconhecer a suposta formação de cartel.

Conhecido como o presidente que procurou acabar com os casos de corrupção na empresa, Peter Löscher deixou o cargo no início de agosto. Em seu lugar entrou Joe Kaeser, diretor financeiro. Löscher foi bastante contestado na Alemanha durante sua gestão pelo desempenho da Siemens no mercado nos últimos anos.

No Brasil, Paulo Ricardo Stark foi nomeado novo presidente-executivo em outubro de 2011, após a demissão de Adilson Primo,que estava no comando da companhia desde 2001.

À época, a empresa disse que uma investigação interna recente detectou grave violação ao código de conduta dentro da unidade brasileira, ocorrida antes de 2007. O novo presidente teve passagens pela filial mexicana e pela matriz.

Adilson Primo, ex-presidente, agora é secretário da Prefeitura de Itajubá (MG). Quando ainda estava na Siemens ele tentou levar investimentos da multinacional para a cidade mineira. O G1 tentou contato com Primo, mas ele estava viajando, segundo sua secretária.

A empresa é um conglomerado de engenharia elétrica e eletrônica, com investimentos em energia eólica, e no segmento de óleo e gás. A companhia tem 13 fábricas no Brasil e cerca de 10.200 colaboradores.

Cooperação

Nas notas divulgadas, a empresa disse cooperar "integralmente com as autoridades, manifestando-se oportunamente quando requerido e se permitido pelos órgãos competentes" e salienta que "não pode se manifestar em detalhes quanto ao teor de cada uma das matérias que têm sido publicadas".

A Siemens afirma que possui estruturas de compliance no mais de 190 países onde desenvolve suas atividades comerciais. Seiscentas pessoas trabalham na área de compliance da Siemens no mundo. No Brasil são 45 profissionais. Na área de vendas, existe um processo de análise de riscos durante a execução das ofertas, em que o "compliance" é o último a opinar e, se decidir por interromper o processo por julgar que o risco de exposição da empresa é alto, não há ninguém na companhia que possa inverter essa decisão, informa a empresa.

"A corrupção é destrutiva para o país, pois gera pobreza, aumenta a desigualdade social e reduz a qualidade de serviços e produtos para a sociedade. Empresas sérias buscam uma competição leal e honesta. Além disso, é consenso que para uma empresa ser sustentável ela deve ser ética e íntegra", disse a Siemens.

Notas da Siemens

Confira a íntegra da nota da subsidiária brasileira da empresa divulgada na sexta-feira (9):

"A Siemens tem conhecimento das investigações conduzidas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), tornadas públicas pela imprensa, quanto a um suposto cartel no fornecimento de carros de trens, manutenção e construção de linhas de trens e metrôs, objeto de licitações ocorridas entre meados da década de 1990 e 2007.

A empresa coopera integralmente com as autoridades, manifestando-se oportunamente quando requerido e se permitido pelos órgãos competentes. Tendo em vista que as investigações ainda estão em andamento, e a confidencialidade inerente ao caso, a Siemens não pode se manifestar publicamente quanto ao teor das matérias que têm sido publicadas pelos diversos veículos de comunicação. E espera que o assunto seja tratado com a devida seriedade e não como instrumento para qualquer outro uso ou interesse.

Por isso, a Siemens vem a público refutar quaisquer acusações que não sejam baseadas em provas validadas por órgãos oficiais competentes e que denigram a imagem, seja da empresa, de governos, partidos políticos, pessoas públicas ou privadas, ou qualquer integrante da sociedade.

Em 2007 estabelecemos um sistema de Compliance (Integridade e obediência às leis) para detectar, remediar e prevenir práticas ilícitas que porventura tenham sido executadas, estimuladas ou toleradas por colaboradores e chefias da Siemens em qualquer lugar do mundo.

Trata-se de um compromisso inegociável, que assumimos mundialmente, de eliminar tais condutas e que nos coloca na vanguarda da mudança que todos querem para a sociedade.
Infelizmente isso pode ser entendido de forma equivocada. Esse é o preço de um movimento transformador da sociedade. Não se trata de um discurso vazio ou estratégia publicitária. É um compromisso sério, que não admite desvios. E não se refere somente ao presente e ao futuro, mas também ao passado, sem se eximir de investigar casos que tenham ocorrido em qualquer lugar do mundo.

Estamos vivendo um momento ímpar da História do País, rumo a uma sociedade mais ética, à integridade e às mudanças necessárias para que haja um legado de transparência. A Siemens acredita que somente a concorrência leal e honesta pode assegurar um futuro sustentável para as empresas, os governos e a sociedade como um todo. Desta forma, reiteramos nosso compromisso e empenho em dedicar todos os esforços para que os nossos funcionários e parceiros ajam de acordo com os mais elevados padrões de conduta.

Paulo Stark
Presidente e CEO da Siemens no Brasil"

Confira a íntegra da nota da subsidiária brasileira da empresa divulgada na quarta-feira (7):

"Siemens tem conhecimento sobre as investigações conduzidas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) quanto a um suposto cartel em licitações para aquisição de carros de trens, manutenção e construção de linhas de trens e metrôs licitados entre meados da década de 1990 e 2007. Causaram nos surpresa as especulações que têm extrapolado essas investigações. Alguns meios de comunicação reportaram que o Ministério Público de São Paulo, em conjunto com o CADE, teriam apurado e quantificado os danos provocados ao mercado pela conduta ora investigada e que a Siemens teria supostamente proposto um acordo ao Ministério Público de São Paulo.

Por isso, cabe à Siemens vir a público para esclarecer que não é a fonte de tais informações (nem de nenhuma das recentes notícias publicadas) e manifestar o seu desconhecimento quanto aos fundamentos de tais especulações.

Desde 2007, a Siemens tem feito grandes esforços para aprimorar seus programas de compliance em todo o mundo, tendo implementado um novo e eficaz mecanismo de controle e investigação. Como resultado de seus esforços, a Siemens alcançou pontuação de 99% no Índice de Sustentabilidade Dow Jones (DJSI). No Brasil, após extensa avaliação, a Siemens foi uma das quatro primeiras empresas a receber o Selo Ético (“Cadastro Empresa Pró-Ética”) em 2010, concedido pela Controladoria Geral da União – CGU.

Como um princípio de seu sistema mundial de compliance, a Siemens coopera integralmente com as autoridades, manifestando-se oportunamente quando requerido e se permitido pelos órgãos competentes. Tendo em vista que as investigações ainda estão em andamento, e a confidencialidade inerente ao caso, a Siemens não pode se manifestar em detalhes quanto ao teor de cada uma das matérias que têm sido publicadas pelos diversos veículos de comunicação.

A Siemens acredita que somente a concorrência leal e honesta pode assegurar um futuro sustentável para as empresas, os governos e a sociedade como um todo. Por isso, reitera seu compromisso com a ética e com a criação de um ambiente de negócios limpos, estando continuamente empenhada em dedicar todos os esforços para que os seus colaboradores ajam de acordo com os mais elevados padrões de conduta."

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 281 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Divulgação





NSC / LSI
Copyright © 1999-2018 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal