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26/07/2013 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Estudantes de medicina são presos por se passarem por falsos médicos

Por: Patrícia Belo

Quadrilha atuava nas cidades de Carangola, Espera Feliz e Tombos. Dois estudantes foram presos em flagrante.

Dois estudantes de medicina foram presos em flagrante durante uma operação da Polícia Civil de Caratinga(MG) nesta sexta-feira (26), em hospitais das cidades de Carangola e Espera Feliz, na zona da mata mineira. Usando falsos registros de outros médicos credenciados, os suspeitos realizavam plantões em pronto atendimento dos municípios citados. Os universitários que cursam os períodos finais de medicina em Caratinga, faziam atendimento a pacientes, realizavam exames, e receitavam medicamentos como se fossem profissionais da área.

Além dos dois universitários presos, a polícia investiga outros dois falsos médicos, que também trabalham de forma irregular em hospitais da mesma região. Os dois estudantes não foram presos porque no momento da operação eles não estavam em horário de trabalho. Contudo, eles serão indiciados pelos crimes de exercício irregular da profissão.

Segundo o delegado Fernando Lima, responsável pelas investigações do caso, os estudantes ainda não poderiam exercer a profissão de médico, uma vez que ainda não terminaram o curso.

“Os suspeitos estavam no final do curso e não podem atender e assinar prontuários médicos. Os investigados utilizavam de registro profissional, que pertence a outros médicos devidamente credenciados, e falsificavam a documentação pessoal com o nome dessas vítimas. Eles podem ser indiciados por falsidade ideológica, formação de quadrilha e exercício ilegal da profissão”, explica.

Abordagem

Quatro delegados e dois investigadores da Polícia Civil de Caratinga, se dividiram em duas equipes e foram a paisana para as portas dos hospitais na cidades de Carangola e Espera Feliz, onde realizaram as prisões simultâneas nos dois municípios.

No momento da prisão, os delegados abordaram os pacientes que acabaram de deixar os consultórios, e confiscavam as receitas médicas para confirmar que os falsos profissionais estavam repassando as prescrições assinadas e carimbadas pelos estudantes durante o atendimento.

“Chegamos ao local descaracterizados para não chamarmos a atenção, e assim garantir que iríamos pegar testemunhas que foram atendidas minutos antes da operação policial. Queríamos pegar pacientes que estivesse deixando o consultório para confiscar as receitas assinadas. Foi tudo bem armado para efetuar a prisão dos mesmos em flagrante”, conta o delegado Fernando Lima.

Espera Feliz

Na cidade de Espera Feliz, no único hospital público da cidade, se passava por clinico geral, Azenclever Eduardo Rogério de 39 anos. O falso profissional trabalhava no pronto socorro há três meses e faziam três plantões por semana recebendo cerca de R$ 1200 por cada dia trabalhado.

O estudante foi preso em flagrante nesta sexta-feira (26), pela equipe chefiada pelo delegado Diogo Bastos Medeiros. Depois de já ter atendido cerca de 10 pessoas, os policiais civis invadiram o hospital e deram voz de prisão ao falso médico, que a principio negou as acusações.

“No momento da prisão Azenclever resistiu e tentou conversar com a nossa equipe, mas depois começou a se explicar e nos relatou que fazia isso para pagar a faculdade. E disse ainda, que não faz mal para ninguém, pois além de estar no décimo período da faculdade ele também é formado em enfermagem. Os investigadores fizeram buscas no carro dele e encontraram a identidade com nome de batismo. No carimbo de médico ele utiliza o nome de um médico verídico”, disse.

O gerente do hospital de Espera Feliz, Edmar Lanes explicou que as contratações de funcionários temporários, que é o caso do plantonista Azenclever acontece de uma foma mais superficial e somente é feita uma consulta para saber se o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) é verídica.

“Essa consulta é feita pelo computador. O candidato chega e apresenta a documentação com o CRM. Nós verificamos e se confirmar a vericidade o profissional é aceito. No caso de Azenclever, ele apresentou documentação com outro nome e trabalha não só aqui como em hospitais da região com este nome. Fizemos a consulta e vimos que o CRM é verdadeiro contratamos”, relata.

O delegado Diogo Bastos encaminhou para delegacia da cidade, além do suspeito detido, três testemunhas que foram atendidas pelo médico na manhã desta sexta-feira (26). A dona de casa Nilceia Cabral foi atendida, medicada e saiu do consultório com um prescrição de três medicamentos receitados por Azenclever.

“Nunca imaginei passar por uma situação desta. Eu cheguei com uma tosse forte e com pulmão chiando, ele me atendeu foi atencioso e passou três medicamentos para mim. Ele já é um médico conhecido aqui na região, só que fiquei sabendo agora pela polícia que o nome que ele utilizava não pertence a ele. Fico chocada e me sinto insegura, pois ele poderia continuar atendendo e algo mais grave poderia ter acontecido”, desabafa a paciente.

Azenclever Eduardo Rogério foi preso em flagrante e pode responder pelos crimes de formação de quadrilha, falsa identidade biológica e exercício irregular da profissão.

Carangola

Em Carangola, a prisão do médico não foi diferente. Ao chegar na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), da cidade, o estudante Maxwell Cássio Pessoa, de 29 anos estavam na sala de atendimento. A equipe comandada pelo delegado Fernando Lima, prendeu o falso profissional, que não apresentou nenhuma resistência.

O delegado explica que além de estudarem juntos Azenclever e Maxwell moram na mesma residência, na cidade de Ipatinga e que provavelmente esquematizavam como seria dado esses plantões e o revezamento que eles fariam nos hospitais da três cidades .

“Como o golpe era aplicado em três cidades próximas, os investigados provavelmente armavam como seria esse revezamento feito entre eles. Era tudo muito bem pensado, os falso médicos se apresentavam às prefeituras e um indicava o outro para trabalhar. Assim, o esquema parecia que nunca ia se descoberto”, diz.

Lima relata que as investigações foram feitas em 20 dias e partiram de denúncias anônimas, em que as testemunhas davam detalhes de como era feito o esquema da quadrilha. O delegado explica ainda que o flagrante só foi possível, graças a riqueza de detalhes que eles obtiveram nas denúncias.

“Os depoimentos foram muito bem dados com muitos detalhes e informações importantes, que levou a polícia saber até mesmo os dias de plantões em que os dois médicos dariam nestas duas cidades”, finaliza.

O gerente do pronto atendimento de Carangola, Jayme Silva Machado, disse que Maxwell estava trabalhando no local há três semanas e que foi feita a verificação da vericidade dos documentos e que a administração do hospital não conseguiu identificar nenhuma irregularidade.

“Como ele não faz parte do corpo clínico do hospital, é somente um contratado temporário, não temos a documentação completa dele. Foi feito sim, o levantamento da veracidade do registro que não apresentou problemas. Apresentamos para polícia os pontos de registro dele e tudo que o estudante nos forneceu de documentação pessoal”, explica.

Maxwell Cássio Pessoa, será indiciado pelos crimes de formação de quadrilha, falsidade ideológica e exercício ilegal da profissão.

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais, João Batista Gomes Soares, o CRM só intervem em casos de médicos com o registro, mas se tratando de universitários fica a sob responsabilidade da justiça . A reportagem do G1 entrou em contato com a faculdade de medicina de Caratinga, onde os quatros investigados estudam, mas as ligações não foram atendidas.

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