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18/07/2013 - Sol Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Burlas com cartões de crédito disparam

Por: Sónia Graça e Catarina Guerreiro


As fraudes com cartões de crédito estão a aumentar a olhos vistos. No ano passado, só em Lisboa, foram 1.326 as pessoas que fizeram queixa depois de terem percebido que os dados dos seus cartões foram obtidos e usados por alguém em compras online em todo o mundo.
Desde 2010 que este tipo de burla informática não pára de subir: nesse ano, a Polícia Judiciária (PJ) registou 497 queixas e, em 2011, mais 208. A tendência mantém-se este ano: até Maio, a Polícia já abriu 736 inquéritos, mais 60% do que no mesmo período do ano passado.

"Muitos bancos passaram a exigir aos clientes a apresentação de queixa, também por uma questão de segurança, para averiguarem se aquela transacção é de facto ilícita" – adiantou ao SOL Álvaro Tomé, inspector-chefe da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC), explicando que nesta área também há muitas simulações de crime, ou seja, supostas vítimas de fraude que reclamam ao banco a reposição de quantias quando na realidade as transacções foram feitas por si e não por terceiros.

Esta é uma das razões que estão a levar os bancos a solicitar aos clientes que façam sempre queixa quando se apercebem que o seu cartão de crédito foi usado abusivamente.

Foi o caso de Pedro A., de 38 anos, que contou ao SOL que já foi várias vezes vítima de clonagem do seu cartão de crédito. Da última vez, há cerca de dois meses, foi informado de que teria de ir à Polícia fazer queixa do sucedido. Só assim, explicaram-lhe no banco, podiam accionar o seguro e devolver-lhe o dinheiro retirado indevidamente pelos burlões.

Em causa estavam, tal como das outras ocasiões, pagamentos com o seu cartão em várias partes do mundo. Pedro já fez a queixa na PSP e entregou o comprovativo na instituição bancária, aguardando agora que as verbas sejam repostas na sua conta.

Gravava dados dos cartões através de caneta com câmara

"É muito fácil obter os dados dos cartões, seja via internet ou em pagamentos físicos", alerta o investigador Álvaro Tomé, explicando: "Quando alguém consegue apoderar-se desta informação, usa-a para fazer compras em sites. E compram de tudo um pouco: viagens, telemóveis, computadores, tablets, roupa e até comida".

São várias as formas de aceder ilicitamente aos dados bancários. "Quando a pessoa exibe o cartão para fazer pagamentos em postos de combustível, hotéis ou noutras lojas, os dados podem ser captados por alguém sem que a pessoa se aperceba" – sublinha Álvaro Tomé, lembrando que já este mês a UNCC deteve em Lisboa dois homens e uma mulher que, com a ajuda de funcionários (ainda por identificar) de estabelecimentos comerciais, usaram dados de pelo menos 40 cartões de crédito e movimentaram cerca de 65 mil euros em compras na internet.

A investigação começou a partir da queixa de um homem que deu pela falta de três mil euros na sua conta.

Os estratagemas para ‘sacar’ dados bancários são variados. "É preciso não perder de vista os cartões e ter atenção aos funcionários", reforça o inspector, recordando o caso inédito de um funcionário de uma gasolineira que conseguia gravar os dados de cartões através de uma simples caneta que tinha incrustada uma câmara de filmar. Ao identificar o suspeito, no ano passado, a PJ percebeu que estava associado a uma rede de cúmplices que tinham feito compras com os dados que foram sendo copiados.

Os perigos da internet e as soluções mais seguras

As compras e pagamentos na internet também acarretam perigo. "Há hotéis que armazenam dados dos cartões de clientes no momento em que fazem reservas online. Essa informação pode ser utilizada por alguém para fazer transacções ilícitas ou é vendida a terceiros", avisa o inspector, adiantando que "existem inclusive sites e fóruns restritos onde são comercializados lotes com dados de cartões sacados em todo o mundo".

"Ninguém está protegido a 100% quando se trata da internet", adverte. Por isso, Álvaro Tomé aconselha: "É conveniente escolher sites que ofereçam alguma credibilidade e fazer pesquisas sobre a existência ou não de queixas". Segundo o inspector, os sites da China, por exemplo, requerem mais cuidado.

Além disso, de acordo com o responsável, há alternativas mais seguras: "É possível fazer pagamentos através do sistema MBNet, que gera um cartão virtual temporário, com validade e plafond limitados, o que evita que a pessoa divulgue os dados do cartão, minimizando o risco de fraude".

Mas há outros cuidados básicos: "É preciso ter o computador devidamente protegido. Um vírus permite que o hacker fique na posse de todos os conteúdos. Também por isso é que não se devem gravar os dados do cartão em ficheiro pdf. Já aconteceu pessoas enviarem os computadores para reparação e alguém se apropriar deles".

E em muitos casos os cartões são usados para pagar serviços duvidosos. Em Fevereiro deste ano, por exemplo, foi divulgado o caso de um residente em Coimbra que, quando ia renovar o cartão, foi informado que estava a a efectuar pagamentos em sites de pornografia. Foi assim que percebeu que o seu cartão estava a ser usado por terceiros e que já tinha sido lesado em 18 mil euros.

Grupos estrangeiros dedicam-se à clonagem

A contrafacção, outra forma de criminalidade associada a cartões (de crédito e de débito), também está a aumentar.

Em 2010, esta Unidade da PJ investigou 207 casos, em 2011 abriu 234 inquéritos e no ano passado 244.

Esta prática – que implica a colocação de um dispositivo (skimmer) nas caixas multibanco e noutros terminais de pagamento automático, que permite a gravação dos dados contidos na banda magnética do cartão para a sua clonagem – está «muito ligada a grupos estrangeiros que têm grande mobilidade», o que dificulta a sua detenção: «Ficam em Portugal apenas uns dias e saem após praticar o crime».

Este ano, em Lisboa, a PJ já deteve nove pessoas por contrafacção, crime público punível com pena de prisão até 12 anos.

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