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27/06/2013 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Quadrilha que extraviava cartões de banco é desarticulada no Pará

Polícia Civil prendeu 21 pessoas nesta quinta-feira (27), em Belém. Até uma arma de uso exclusivo do Exército foi encontrado com a quadrilha.

Uma quadrilha composta por 21 pessoas, que extraviava cartões de banco, foi desarticulada nesta quinta-feira (27), na Região Metropolitana de Belém e no distrito de Mosqueiro. A operação “Card Free”, da Polícia Civil, cumpriu mandados judiciais de prisão e de busca e apreensão domiciliar em 24 imóveis. Entre as pessoas presas, cinco são carteiros.

As pessoas são suspeitas de enolvimento em um esquema fraudulento que envolvia desde o desvio de cartões magnéticos de bancos e de crédito, por parte de agentes dos Correios, até a clonagem deles para uso em fraudes.

As investigações apontam que os carteiros se apropriavam das correspondências com as senhas bancárias de clientes e as comercializavam aos demais integrantes da quadrilha. A polícia apurou que foram fraudados mais de 800 cartões em um ano, com prejuízos estimados em cerca de R$ 5 milhões. Os consumidores, por sua vez, passavam por diversos constrangimentos, como bloqueios e registros em órgãos de proteção ao crédito, entre outros.

Foram apreendidos dezenas de cartões magnéticos, correspondências, equipamentos eletrônicos e de informática e duas armas de fogo, um metralhadora calibre 9mm Imbel, de uso exclusivo do Exército, com dois carregadores e sem munição, e um revólver calibre 38 com numeração raspada e seis munições. Uma caixa com 50 munições para pistola calibre 380 também foi apreendida.

Segundo a delegada Beatriz Silveira, a equipe da DPRCT identificou uma nova modalidade de fraude, na qual, juntamente com carteiros, os outros suspeitos abriam as correspondências, usando uma estufa localizada em uma loja na rodovia Mário Covas, em Ananindeua, onde os cartões bancários tinham os dados copiados e, depois, eram novamente colocados em envelope original, para serem entregues normalmente aos donos.

O trabalho investigativo durou cerca de um ano. O modo de atuação dos suspeitos ocorria da seguinte forma: os cartões eram adquiridos com os carteiros, mediante pagamento. Em seguida, os golpistas conseguiam desbloquear os cartões, passando-se por funcionários de operadoras dos cartões. Assim obtinham dados pessoais, como nome completo e senha. Depois, os criminosos faziam compras diversas com os cartões desbloqueados, passando-se pelos verdadeiros titulares. Para tanto, usavam documentos falsificados. Por fim, revendiam as mercadorias compradas, por valores abaixo de mercado, e reiniciavam o ciclo criminoso.

Nas investigações, a Polícia Civil apurou que, no período de agosto de 2011 e abril de 2012, foram extraviados em Belém e região metropolitana 362 cartões de crédito e outros 19 de débito. O esquema gerou lesão a um grande número de clientes. Os cartões fraudados eram extraviados antes de chegarem aos consumidores, surgindo depois com operações não autorizadas ou reconhecidas pelos titulares.

No total, 120 policiais civis participaram da operação, sob coordenação do delegado João Bosco Júnior, titular da Diretoria de Polícia Especializada (DPE), da Polícia Civil. As investigações foram coordenadas pelos delegados Samuelson Igaki, presidente do inquérito, e Beatriz Silveira, da Divisão de Prevenção e Repressão a Crimes Tecnológicos. As investigações tiveram o apoio do Setor de Inteligência dos Correios.

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