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19/06/2013 - Veja Online Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Bertin diz ter sofrido fraude de R$ 2,5 bi ao vender empresa para o JBS

Família Bertin pode perder montante se não provar na Justiça que foi a vítima de emboscada.

A família Bertin corre o risco de perder em torno de 2,5 bilhões de reais de seu patrimônio se não conseguir provar, na Justiça, que é vítima de uma fraude envolvendo a sua participação no frigorífico JBS. O suposto golpe consistiria no desvio de aproximadamente 66% das cotas do fundo Bertin-FIP, por meio do qual a família tem participação no JBS, em sociedade com a família Batista. A incorporação do Bertin pela JBS foi anunciada em 2009 e ajudou a transformar o frigorífico da família Batista na maior empresa produtora de carne bovina do mundo.

As cotas foram transferidas em 2010 para a Blessed, empresa com sede em Delaware (EUA). Os Bertin dizem que foram enganados, que não teriam autorizado a operação e, agora, querem descobrir quem são os donos da Blessed e anular a transação.

Há, no entanto, documentos que comprovariam a transferência, assinados por dois membros da família: os irmãos Natalino e Silmar. Os Bertin alegam, no entanto, que as assinaturas nos documentos foram falsificadas. Um laudo encomendado por eles ao Instituto Del Picchia, de São Paulo, concluiu serem grandes as possibilidades de que as assinaturas foram forjadas. Parte do trabalho é investigar “coincidências” que fariam a conexão entre a operação de transferência das cotas e pessoas ligadas ao JBS.

A primeira divergência do caso está no fato de o procurador da Blessed no Brasil ser Gilberto Biojone, um executivo com longa carreira no mercado financeiro. Ele passou pelos bancos Comind, Econômico Excell e foi conselheiro da Bovespa. Hoje, Biojone é associado da Selo Consultoria, fundada por um ex-diretor do JBS e que tem como associados dois outros ex-executivos do grupo frigorífico.

Biojone diz não entender o comportamento dos Bertin: " o Natalino assinou os documentos na minha frente, eu assinei na frente dele, e quase três anos depois vem dizer que a assinatura dele foi falsificada?”", diz. Ele diz ainda que não sabe exatamente quais são os sócios do Blessed. "“São investidores estrangeiros."”

Outro detalhe que incomoda os advogados da família Bertin é que Alexandre Seguim, diretor jurídico do JBS desde maio de 2011, aparece assinando como testemunha de uma das operações de transferência de cotas. Por meio de sua assessoria de imprensa, Seguim afirmou que assinou como testemunha porque na época, em 2010, trabalhava no escritório de advocacia envolvido na operação de transferência das cotas, o Barbosa, Müssnich & Aragão.

Sumiço - Quando se juntaram, em 2009, as negociações sempre foram conduzidas por Natalino do lado dos Bertin. Joesley Batista encabeçava os negócios pela família Batista (JBS). As transferências das cotas do fundo dos Bertin ocorrem em dois momentos, no ano de 2010. “O advogado do escritório Sérgio Bermudes, Antonio Carlos Velloso Filho, que representa os Bertin, disse que está fazendo um trabalho de pesquisa para resgatar o que aconteceu”. Ele diz ainda que a negociação foi muito rápida e a família assinou muita coisa a toque de caixa”. Assim, os Bertin alegam que o sumiço das cotas só foi percebido no começo do ano, durante o processo de profissionalização do grupo, quando Natalino se afastou.

Os novos executivos estavam se preparando para atualizar o valor das cotas quando receberam uma informação do Banco do Brasil de que havia algum problema com o pacote. As cotas foram dadas como garantia para um empréstimo de 100 milhões de reais ao grupo Bertin. Naquele momento, segundo a instituição, restavam quase 35% das cotas, já que a maioria tinha sido transferida para a Blessed. O gestor do fundo também tinha mudado. Passara a ser a corretora Socopa e não mais a do Citibank, responsável pela gestão desde a criação. “Foi só nesse momento que nos demos conta do problema. Nunca recebemos um extrato, ou informação do Citi”, afirma Wendel da Silva Caleffi, diretor financeiro do grupo Bertin. Procurado, o Citibank preferiu não comentar.

Briga na Justiça - Os advogados da família Bertin conseguiram na Justiça uma liminar que proíbe a Blessed de transferir as cotas ou receber dividendos que venham a ser distribuídos. O escritório se prepara para entrar com uma ação com o objetivo de reaver as cotas e obter uma indenização. Procurada, a J&F, holding que controla o JBS, preferiu não se manifestar por entender que o problema é exclusivo da família Bertin e não envolve a empresa, segundo a assessoria.

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