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16/06/2013 - Diário Digital / Lusa Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Casos de falsificação alimentar fragilizam imagem da ASAE, diz a DECO


O secretário-geral da DECO afirmou hoje que os casos de fraude relacionados com produtos alimentares «fragilizam» a imagem da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e lamentou o «apagamento público» desta entidade na vigência do atual Governo. Jorge Morgado, que comentava uma possível fraude hoje denunciada pelo Diário de Notícias, disse à Lusa que a regularidade com que estes casos têm acontecido fragiliza a imagem da ASAE e revelam um «certo apagamento público» desta entidade.

«Este apagamento público da ASAE, uma certa redução da sua atividade, tem a ver com a vigência deste Governo. Tanto quanto nos parece, a ASAE está a trabalhar quase exclusivamente nas suas obrigações comunitárias […] e está a descurar a fiscalização e o controle do dia-a-dia em Portugal», criticou o responsável da associação de defesa dos consumidores DECO.

O Diário de Notícia revelou que um peixe de venda ilegal está a ser vendido como bacalhau em refeições pré-cozinhadas da marca Polegar, vendidas nos hipermercados Jumbo, do grupo Auchan.

Os produtos em causa, que apresentam um rótulo que incentiva o comércio nacional (“Compro o que é nosso”) não contêm qualquer vestígio de bacalhau, mas sim peixe-caracol, e o caso já está a ser investigado pela ASAE.

Para Jorge Morgado, está em causa o controle de qualidade da empresa num «caso de falsificação» acerca do qual «é preciso ter a certeza» de que não põe em risco a saúde pública.

«A ASAE tem de fazer as pesquisas adequadas e tem de informar os consumidores relativamente às questões de saúde pública», reforçou.

O responsável adiantou ainda que a DECO foi desafiada para participar na campanha “Compro o que é Nosso”, mas não quis aderir por falta de garantias quanto à qualidade e segurança dos produtos.

«É um processo que tem alguma falta de controlo quanto à veracidade das afirmações. Se o porco nasceu na Bélgica, se engordou na Alemanha, se foi abatido na Itália e a sua carne foi transformada em Portugal, isto é um produto português ou não? Quem é que garante essa informação? Onde está a rastreabilidade desses produtos?», questionou.

O dirigente da DECO sublinhou que a associação defende, em primeiro lugar, a segurança e qualidade dos produtos.

«Se comprarmos produtos portugueses em que não há garantia de segurança e a qualidade deixa muito a desejar estamos a prestar um mau serviço à economia nacional», concluiu.

Em declarações anteriores à Lusa, o presidente da ASAE, Francisco Lopes, disse que já está a ser recolhida e analisada informação sobre o caso e sublinhou que a ASAE mantém níveis de operação «suficientes» para garantir a segurança alimentar dos consumidores.

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