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10/11/2007 - O Tempo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Quadrilha de hacker dá golpe milionário

Por: Raphael Ramos


Oito meses de investigações e a Polícia Federal conseguiu desmantelar ontem uma quadrilha que desviava dinheiro de contas bancárias pela Internet. Durante a Operação Ilíada, 30 pessoas foram presas, sendo 28 em Minas. Outras duas moram no Estado, mas estavam viajando e foram capturadas em Santa Catarina e na Bahia. Entre os detidos estão 12 hackers que formaram uma espécie de quadrilha virtual tenham desviado, cada um, R$ 600 mil por ano, nos últimos cinco anos. O rombo anual seria, então, de R$ 7,2 milhões.

A quadrilha estava concentrada em Minas, mas o golpe era aplicado em todo o país. O número de vítimas que tiveram dinheiro retirado de suas contas ainda não foi calculado. Pelo menos 200 transações ilegais foram confirmadas durante as investigações. No entanto, o delegado Felipe Torres Baeta, da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delefaz) da Polícia Federal (PF), disse que a suspeita é de que esse número seja bem maior.

Segundo a polícia, os 12 hackers obtinham as senhas das vítimas depois de enviar uma mensagem com vírus, por e-mail, para o computador delas. Três desses acusados foram capturados em Joinville (SC), Porto Seguro (BA) e Juiz de Fora. Os outros nove foram capturados em Belo Horizonte e Betim, na região metropolitana.

Laranjas

De acordo com o delegado Baeta, os demais integrantes da quadrilha agiam como laranjas emprestando contas bancárias para receber o dinheiro desviado e ficavam com parte do "lucro". O grupo também era formado por agenciadores de empresas que justificavam o desvio de dinheiro feito pela quadrilha emitindo boletos bancários e notas fiscais de supostas compras.

Em alguns casos, o dinheiro que sumia de uma conta, aparecia em outra. Logo após o cliente questionar junto ao banco o sumiço dos valores, a agência rastreava a movimentação correspondente. Mas eram apresentadas notas fiscais falsas emitidas por empresas maquiavam a transação criminosa. Isso obrigava o banco a ressarcir os clientes. "Eles tinham cuidado de emitir notas com valores menores que R$ 10 mil para não chamar muita atenção. Geralmente elas eram feitas com valores de R$ 8.000 e R$ 6.000", revelou baeta.

Esses suspeitos foram capturados nos municípios de Bom Despacho, Lagoa da Prata, Nova Serrana, Divinópolis, Nova Lima, Conselheiro Lafaiete e Uberlândia, interior de Minas.

Todos foram encaminhados para a Superintendência de Polícia Federal, na capital, onde estão presos à disposição da Justiça Federal. A polícia ainda cumpriu 34 mandados de busca e apreensão. Dois carros, computadores e equipamentos eletrônicos comprados, supostamente com dinheiro roubado, foram apreendidos. Os mandados mandados de prisão preventiva e temporária foram expedidos pela 4ª Vara Criminal, em Belo Horizonte.

Alvos

A polícia informou que a Caixa Econômica Federal foi a principal vítima dos golpes. O Banco Real, Bradesco e Itaú também tiveram que ressarcir clientes por causa do golpe.

Além de responder por crimes como furto qualificado, formação de quadrilha e violação de sigilo bancário, pelo menos um dos hackers, conhecido como Mafioso, também responderá por sonegação tributária. Em gravação telefônica interceptada pela Polícia Federal, ele diz que já faturou mais de R$ 800 mil com as fraudes praticadas. Não houve pagamento de Imposto de Renda referente "à renda auferida". Os detidos também foram denunciados por corrupção de menor, já que uma das contas usadas para desvio do dinheiro pertencia a uma pessoa com menos de 18 anos.

Bando usava e-mails que atraíam curiosidade

A quadrilha tinha uma forma complexa de agir, segundo o delegado Felipe Torres Baeta, da Polícia Federal. Ele explicou que os hackers criavam e-mails chamativos, explorando situações ou notícias atuais para atrair a curiosidade das vítimas. “Eles mandavam esses e-mails com spans dizendo: ’veja as imagens do acidente do avião da Tam’, ou dizendo sobre a morte do Papa com um link. Assim que a pessoa clicasse nesse link, ela instalava um vírus no computador, sem perceber”. De acordo com Baeta, quando a vítima acessava a conta bancária via Internet, automaticamente o vírus enviava um outro e-mail para o hacker com a cópia da senha e do login da conta.

“Eles (os hackers) acessavam as contas e verificavam o saldo. Depois eles efetuavam as transferências dos valores que tivessem para as contas dos laranjas. Todos achavam que agiam no anonimato e que nunca seriam presos”, afirmou Baeta. O delegado disse que os laranjas também recebiam porcentagens de até 40% dos valores desviados. (RR)

Acusados são jovens de classe média e “gastadores”

A Polícia Federal não divulgou os nomes dos participantes da quadrilha. Segundo o delegado Felipe Torres Baeta informou que os suspeitos têm um perfil parecido: todos são jovens e de classe média, que se dedicavam quase que integralmente à prática do delito. Um dos hackers mais importantes do bando foi identificado pela polícia apenas como Guilherme, 24, mais conhecido como Mafioso, morador de Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, que também foi preso. Baeta informou que, após desviar o dinheiro, os suspeitos imediatamente retiravam as quantias das contas e efetuavam compras.

“Eles adquiriam bens de consumo. Um deles já havia comprado quatro ou cinco computadores de última geração no valor de R$ 8.000 cada. Tinha outro que tinha acabado de comprar uma TV de plasma de 52 polegadas. Veículos também eram adquiridos com a fraude. Eles compravam os carros através de financiamento justificando a compra com os falsos boletos e depois quitavam através de transferências bancárias”, afirmou Baeta.

De acordo com o delegado, os envolvidos no bando costumavam trocar informações pela Internet e até mesmo se ajudavam na construção e envio dos vírus para as vítimas. “Uns eram responsáveis por criar os vírus e os outros tinham a função de mandá-los para as vítimas. Eles se ajudavam, trocavam ferramentas e conseguiam as mesmas pessoas para servir como laranjas”, afirmou.

O delegado Baeta informou que, nos casos referentes a essa fraude, os clientes dos bancos receberam o dinheiro de volta e o prejuízo ficou por conta das instituições financeiras.

Cuidados

Para evitar ter problemas com esse tipo de fraude, a polícia recomenda evitar abrir e-mails de pessoas desconhecidas ou clicar em links de procedência duvidosa e manter sempre atualizado o antivírus do computador. Sempre apague mensagens suspeitas. Se tiver dúvidas em relação à procedência, procure o remetente por outros canais (telefone, por exemplo).

Também não se deve repassar qualquer dado pessoal via Internet, sem antes checar as informações do solicitantes. Empresas não solicitam seu código de segurança por e-mail para cadastramento ou recadastramento. Só forneça seus dados pessoais e senhas em sites nos quais confia e que tenham conexão segura.

Outra dica é passar o mouse em cima do link sem clicar. No canto inferior esquerdo da tela aparecerá o verdadeiro endereço para onde você será direcionado. Quando é golpe, certamente será um endereço diferente do que está escrito no e-mail recebido. Nunca acesse sites por meio de links ou lista de favoritos, nem cole o endereço no navegador. O melhor é digitar o endereço. (RR)

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