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02/06/2013 - Económico Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

“Tem de se combater a corrupção para combater a crise”

Por: Mafalda Avelar

Será que os portugueses andaram mesmo a gastar mais do que deviam? Paulo de Morais, autor que “chama os ‘boys’ pelos nomes”, defende que essa não é a causa da crise.

Existem duas mentiras colossais que contaminam a sociedade portuguesa: "a de que os portugueses andaram a gastar acima das suas possibilidades e a de que não há alternativa à austeridade", afirma Paulo de Morais, autor do livro "Da Corrupção à Crise" (editado pela Gradiva), que ontem foi apresentado, em Lisboa, por Maria José Morgado, dois dias depois de ter sido apresentado, no Porto, por António Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados.

Em conversa com o Económico, Paulo de Morais demonstra que não tem papas na língua e afirma que resolveu escrever este livro por considerar que tinha de "apresentar aquela que é, no meu entender, a principal causa que nos trouxe à crise": a corrupção. "Depois há duas razões de âmbitos diferentes". São elas, descreve, "combater uma mentira sistemática que há na sociedade portuguesa e que tenta convencer-nos de que os portugueses andaram a gastar acima das suas possibilidades - e que, por essa via, terão de espiar esse pecado (do gasto excessivo) com austeridade." Para Paulo de Morais, "quer uma, quer outra são os maiores embustes que há na sociedade portuguesa", afirma o autor que é vice-presidente da Associação Cívica Transparência e Integridade.

Como o autor explica, Portugal está numa posição muito débil no que respeita ao ‘ranking' da transparência, ocupando o 33º lugar do ‘ranking' da transparência que "elenca os países em função da sua capacidade de se libertarem do fenómeno de corrupção". Ainda mais preocupante é o facto de Portugal ter caído nessa lista do 23º lugar, em 2000, para 32º em 2010. Por outras palavras, "Portugal obteve, nesta década, o vergonhoso título de campeão mundial do aumento da corrupção".

Portugueses reféns do medo?

Por tudo isto, Paulo de Morais ambiciona que este livro represente uma espécie de combate à mentira e ao medo. "Hoje a sociedade portuguesa é uma sociedade em que as pessoas vivem com medo, vivem - algumas delas - em pânico, com medo de perder o emprego, de perder a sua estabilidade".

Mais: "Há uma imprevisibilidade total e é esse medo que faz com que se acabe por sussurrar nos cafés aquilo que se tem medo de afirmar em voz alta. E este livro pretende afirmar em voz alta aquilo que muita gente sussurra nos cafés e às escondidas", conclui. E que é isso? "A corrupção tomou conta da vida política e da administração portuguesa" e, como tal, "tem de se combater a corrupção para se combater a crise", remata.

O livro agora editado pela Gradiva, que aponta uma série de culpados - entre eles alguns grupos económicos e sociedades de advogados -, apresenta de forma frontal um país que está a empobrecer. Isto porque a promiscuidade entre a política e os negócios está a aumentar, alerta o autor que não nega que, neste livro, "chamam-se os bois - ou os boys, se quiser - pelos nomes".

E ninguém lhe escapa. De governantes a empresas e grandes projectos, passando por sociedade de advogados, todos são apontados como responsáveis pelo actual estado do país. " Os casos de corrupção sucederam-se ao longo das últimas duas décadas", escreve. Exemplos?: Expo'98, Euro'2004, Banco Português de Negócios, Parcerias Público-Privadas são apenas alguns desses "casos". Para ajudar o leitor, o autor separou os temas em sete capítulos: 1) da corrupção à crise; 2) uma administração central... de negócios; 3) o Poder local democrático... mas pouco; 4) promiscuidades; 5) um povo entre a espada e a parede; 6) chamem a política; e 7) a saída da crise. A última mensagem do lilvro, escrita no capítulo dedicado à saída da crise, pode ser interpretado como um apelo a "não ao medo".

"Os governantes de que hoje necessitamos são os que consigam enfrentar, sem medo, os actuais poderes fáticos que empobrecem o país e preservam uma estrutura económica e política do tipo feudal", escreve o autor que conclui a obra com uma interrogação: "Haverá na vida pública nacional corajosos que queiram calar o medo e trilhar este caminho?".

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