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08/11/2011 - Notícias Automotivas Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Os golpes mais comuns em compra e venda de carros

Por: Gerson Brusco Gonzalez


A compra de um carro ou sua troca por um melhor estão entre as conquistas mais importantes da vida de uma pessoa. Se as condições do negócio forem vantajosas então, melhor ainda. No entanto, muita empolgação pode transformar o sonho em pesadelo.

Golpes envolvendo compra e venda de veículos, incluindo motos e caminhões, não são novos. Muitos, inclusive, lembram os famosos “contos do vigário” na forma em que são aplicados. Outros são mais atuais e incluem alguma tecnologia dos tempos modernos.

O que é certo é que dois ingredientes estão sempre presentes em um golpe: 1) Um comprador ávido em fazer um ótimo negócio ou em outras palavras levar vantagem (demais); 2) Um inescrupuloso (estelionatário ou bandido mesmo) com a arapuca armada para pegar um desses compradores.

Vamos aos golpes mais comuns aplicados.

Gasparzinho (Veículo Fantasma)

O esquema é bastante simples: os golpistas anunciam veículos com preços abaixo do mercado e condições muito atrativas em vários meios de comunicação (jornal, internet, revista, rádio e TV). Entre as condições vantajosas estão prestações a perder de vista, taxa de juros baixa ou de zero por cento e entrada de 10 a 20 % do valor anunciado.

Quando o interessado entra em contato, informam que o veículo se encontra em outro Estado, mas que pode ser entregue em qualquer parte do Brasil sem custos. Fornecem fotos e vídeos do veículo e até o convidam para ver o carro, moto ou caminhão pessoalmente.

Nos próximos contatos, independentemente de o interessado ter optado ou não por ver o veículo de perto, os estelionatários informarão que receberam uma oferta de outro interessado e que estão prestes a fechar a venda daquele veículo.

E que só podem segurar o negócio mediante um depósito ou transferência bancária (normalmente o valor da entrada). Desesperado para não perder o negócio da China, o comprador realiza o depósito ou transferência o mais rápido possível.

Nunca mais o depositante conseguirá contato telefônico. E nunca mais terá notícias dos “vendedores” , do dinheiro e do veículo – que nunca existiu de fato.

Direto da Fábrica

Através de anúncios em classificados ou dizendo ser amigo, parente ou o próprio funcionário de uma montadora, os espertalhões acenam com a possibilidade de vender veículos diretamente da fábrica, repassando o desconto geralmente concedido a funcionários, que varia de marca para marca e também de modelo para modelo. E que pode ser de 10 a 18%.

Quase sempre a quadrilha arma uma encenação. Numa incrível “coincidência”, aparece o funcionário da montadora, que é apresentado ao cliente e confirma tudo.

Alguns golpistas mais astutos, convidam o interessado para ir até a fábrica. Chegando ao portão encontram, também por coincidência, claro, o amigo, parente ou colega de trabalho já deixando a fábrica em final de turno.

Após uma buzinada ele pára, desce do carro e confirma a possibilidade de negócio. Chegam a mostrar crachá falso, tabelas de preços e opções de compra, tudo em papel timbrado.

Só uma regra não muda nas diferentes encenações. Em determinado momento, o falso funcionário diz que o pagamento total (para compra à vista) ou parcial (entrada, no caso de compra a prazo) dever ser adiantado e deve sair da conta do funcionário para a conta da fábrica para que o negócio seja válido. Passam o número de conta e…adivinhou?

Isso mesmo: ao invés de carro zero, zero de carro. E até nunca mais ao prestativo funcionário e ao dinheiro.

Prisioneiro

O grande negócio aqui é a possibilidade de o comprador adquirir por preços bem baixos, motos, caminhões e carros nacionais ou importados apreendidos por autoridades e que irão a leilão por alguma razão (falências, financiamentos não pagos, excesso de multas, impostos atrasados etc).

Em combinação com outro integrante da quadrilha, podem conseguir acesso a algum pátio onde se encontram os veículos e levar o cliente até ali para ver a mercadoria. E mais uma vez, número da conta do vigarista pra lá, dinheirinho do cliente pra cá. E o carro fica onde está mesmo.

Consórcio Sorteado / Contemplado

Através de anúncios ou contatos pessoais, os golpistas oferecem a venda de consórcios sorteados (ou contemplados) com condições muito atraentes em que o interessado teria direito a entrar num plano de consórcio já contemplado mediante uma taxa de transferência ou comissão para o dono da cota contemplada ou seu representante.

O golpista argumenta que tem contatos com pessoas que podem fazer com que a cota seja sorteada, que o dono da cota já está velho e não quer mais dirigir e que o sorteado do momento passou a vez, pois quer pegar o carro mais pra frente.

E que é muito melhor que financiamento, você pode escolher cor e modelo, pode optar pelo dinheiro ao invés do carro etc. Havendo interesse, são solicitados os dados pessoais do interessado para que se prepare o contrato.

E, claro, o pagamento da taxa de transferência da titularidade do consórcio e/ou da comissão. Para laçar de vez o cliente, são mostrados documentos que comprovam que o sorteio já ocorreu e que o carro ou o dinheiro está em vias de ser liberado.

A vítima, a esta altura, paga a taxa de transferência. E num passe de mágica desaparecem o vendedor camarada, o carro e o dinheiro.

Veículo Consignado

Golpe aplicado por lojas de carros sem idoneidade. Elas procuram anúncios de venda ou veículos com placa de “Vende-se”. Fazem contato com seu dono e o convencem a deixar seu veículo em consignação com eles dizendo haver alguns clientes interessados exatamente nesse modelo, inclusive na cor e tudo o mais. E que podem vendê-lo mais rápido e por um valor maior.

Em seguida, podem aplicar no proprietário três diferentes golpes:

- Assim que aparecem interessados nos veículos, a loja pega documenos destas pessoas e dá entrada em financiamentos, alienando o bem, ou seja, deixando-o como garantia. Depois diz aos interessados e ao dono que o credito não foi aprovado e embolsa o dinheiro.

- A loja vende o veículo e não o transfere para o novo comprador. Mas fica com o dinheiro, é claro. Alega ao dono que o carro foi roubado da loja.

- A loja vende o veículo, falsificando seus documentos e utilizando procuração de venda falsa. Em alguns casos o veículo é vendido para desmanches clandestinos. Aqui também alegam ao dono que o carro foi roubado. Ou somem do mapa.

Carro NP

NP vem de Não Pago. O Veículo é financiado em nome de laranjas, que receberam algum dinheiro para emprestar o nome ou em nome de incautos, pessoas que nem imaginam que estão envolvidas no negócio sujo. Pode haver participação de funcionários de lojas e concessionárias.

Em seguida anunciam os carros, novos ou seminovos, por um valor bem abaixo do preço de mercado. A razão deste preço baixo está no fato que o veículo foi comprado, normalmente em outro estado, com um financiamento bancário dividido em parcelas que nunca serão pagas.

Como o financiamento não vai ser pago mesmo, tudo o que for conseguido na venda é lucro para os estelionatários.

O veículo, claro nunca poderá ser transferido legalmente. Os golpistas geralmente dizem que o dono sabe e que isto não tem problema. Ou que irão ajudar o novo dono a transferí-lo. O veículo poderá circular normalmente, pois tem documento. Mas é intransferível.

E se a financeira ou quem teve o nome utilizado no documento descobrir? Bem, os golpistas estarão longe, aplicando o mesmo golpe em outra praça. E todo o procedimento legal de cobrança, inquérito policial, processo judicial e o ato de busca e apreensão levam pelo menos dois anos.

Algumas quadrilhas, para ganhar mais tempo, acabam trocando o carro para o cliente antes que ele seja apreendido. E somem com ele ou o revendem em desmanches ou numa localidade distante.

Fica aqui uma dica: apenas saia da loja com um veículo em seu nome. Caso contrário, pule fora. Você poderá estar participando de um esquema criminoso. Ainda que não saiba disso.

Carro de loteria

Existem hoje títulos de capitalização e bilhetes que sorteiam carros ao invés de dinheiro.

E esta modalidade cria oportunidade para a aplicação pelos golpistas de um dos mais antigos golpes que se tem notícia, um verdadeiro conto do vigário reformulado. É aplicado na rua.

Um homem ou mulher bem humilde aborda alguém dizendo que foi sorteado(a) mas que não tem interesse em ficar com o carro, que precisa voltar para sua cidade, tratar de problema de saúde etc. Então propõe vender o bilhete que dá direito á moto ou carro premiado por uma parcela do seu valor de mercado, digamos 20%.

Um outro membro da quadrilha, encontra por acaso esta pessoa que está vendendo o carro premiado e finge conhecê-la de outra cidade. E, ao perguntar como estão as coisas, ouve a estória do bilhete ou título de capitalização. Demonstra interesse.

A dona ou dono do bilhete diz, então que já está fazendo negócio com a – futura – vítima e que por ter palavra de honra agora terá que vender o título a ele ou ela.

Após muita conversa e encenação, inclusive depois de “verificarem” juntos o bilhete na lotérica, a vítima pode ir até um banco, sacar o dinheiro combinado e entregá-lo aos golpistas por livre e espontânea vontade. Só irá perceber que se ferrou ao chegar em casa e contar para alguém.

Você ganhou!

Após a invenção dos telefones pré-pagos e sua proliferação entre presidiários Brasil afora, vira e mexe recebemos ligações de telefones móveis com códigos de cidades do interior do Paraná, Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, entre outros Estados que abrigam penitenciárias, dizendo que ganhamos um carro, uma moto ou outros prêmios.

Curioso aqui é que o prêmio é geralmente anunciado por pessoas que falam um Português vulgar, grosseiro e carregado de gírias. Se não bastasse, pedem que o “ganhador” compre valores altos em créditos para celular pré-pago. São valores da ordem de R$ 300,00, R$ 500,00 e por aí vai.

Em suma, você não irá receber prêmio algum e estará ajudando o crime organizado. Bom negócio?

O Clone

Este golpe tem uma diferença dos outros e uma semelhança com o do Carro Consignado: é aplicado contra pessoas ou lojas que estão vendendo seus veículos e podem ser vítimas de perigosos “compradores”. Também conhecidos como assaltantes.

Ao verem a placa de “Vende-se” ou o anúncio entram em contato com o vendedor, marcam hora para vê-lo ou experimentá-lo. Pedem para dar uma voltinha. E que voltinha! Rodam por horas. Levando o veículo para o Paraguai, para um desmanche ou para uma oficina, onde irão cloná-lo e transformá-lo em um dublê.

Nesta etapa, entra novamente em cena, Vossa Excelência, o Comprador.

E pra finalizar…

Negócio bom pode até existir. Mas convenhamos: negócio da China o cara faz em benefício próprio ou cede para alguém muito chegado dele. Por que alguém iria oferecer a desconhecidos a oportunidade de fazer um excelente negócio?

Além disso, negócio exige atenção. E cautela. Sempre é bom consultar o Renavan do veículo que se pretende comprar com um despachante de sua confiança ou em sites como checkauto para ver o histórico do veículo. Custa por volta de R$ 25.

Outra boa pedida é pagar uma vistoria que emite laudo técnico, como a da empresa Linces, que trabalha para particulares, lojistas e seguradoras, a partir de R$ 80. Existe ainda o serviço de laudo de transferência feito por empresas como SuperVisão, MultiVisão e TerceiraVisão. A R$ 40. Na dúvida pode ser melhor perder R$ 150,00 do que R$ 150.000,00, não?

E um outro ponto. Vantagem todo mundo gosta de levar. Mas a vontade de levar vantagem demais, dizem os especilistas em fraudes e os delegados, é ganância. E ela é o ímã que atrai o golpe.

E você, já havia ouvido falar nesses golpes? Tem conhecimento de algum outro? Conhece alguma vítima? Já caiu em algum? Espero que não. Aquele abraço. E olho vivo!

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