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24/05/2013 - Portal Terra Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Comércio de diplomas falsos é comum no Irã

Venda de monografias e teses é comum em qualquer parte do mundo, mas no Irã esse delito é fácil de ser praticado. No país, as ofertas de diplomas falsos à venda pipocam na internet.

Hamid B. é estudante de pós-graduação da Universidade de Teerã. Um aluno que escreve ele próprio sua tese de doutorado. "Encontrei-me para comer com alguns amigos que também estão acabando suas teses", conta o doutorando.

"Quando reclamei que não estava indo para frente com meu trabalho e o peso se tornava cada vez maior, meus amigos começaram a rir. E perguntaram se eu estava escrevendo eu mesmo. Um do grupo me sugeriu incumbir alguém de escrever minha tese, me alertando a respeito de uma ampla oferta na internet", relata o estudante.

Somente no Google em persa, ao pesquisar sobre os verbetes "compra e venda de trabalhos de conclusão de curso", surgem em torno de quatro milhões de registros. Muitos desses links remetem a lojas online, nas quais se encontra de tudo, desde aparelhos eletrodomésticos, roupas, cosméticos e trabalhos acadêmicos de todos os tipos. Uma dessas lojas dá até mesmo o endereço de seu escritório em Teerã, fazendo propaganda de suas ofertas "irrecusáveis": "Tudo está preparadinho! Você só precisa escrever seu nome e imprimir o trabalho. E pronto!"

Outros serviços têm ofertas mais amplas ainda, que incluem não apenas as teses em questão, seguindo os padrões acadêmicos mais recentes, mas também serviços de consultoria que informam aos estudantes a respeito do conteúdo do trabalho comprado, a fim de que eles possam defender a tese perante uma banca.

Há ainda soluções para os estudantes que começaram eles próprios suas teses, mas não conseguem concluí-los. Nessas situações, propaga-se que o trabalho será levado ao fim por "mãos competentes".

Ampla oferta de teses

No que diz respeito aos preços, há ofertas para todos os bolsos: de uma seleção de modelos de teses em DVD até ghost writers, que assumem os trabalhos e entregam "sob medida". Não importa se na área de ciências naturais, humanas ou línguas. Nem tampouco se a tese deverá ser apresentada perante uma universidade pública ou particular.

A demanda é, de qualquer forma, grande. Hoje em dia, há até mesmo quem ganha dinheiro comercializando sua própria tese. Um usuário da internet relata, por exemplo, que já vendeu seu trabalho a seis interessados diferentes e estaria negociando o preço com um sétimo.

O diretor do Departamento de Fiscalização e Controle das Universidades do Ministério iraniano de Ciência e Educação, Reza Ameri, acredita que a razão de tal situação esteja nas próprias universidades do país. Segundo ele, em entrevista à agência iraniana de notícias MEHR, onde há funcionários mal pagos, o perigo de que sejam entregues trabalhos comprados é maior ainda.

"Falsificadores famosos"

Nas portas da Universidade de Teerã há centenas de anúncios de venda de teses. Até mesmo algumas livrarias especializadas parecem ter se transformado em mercados para demandas do tipo. E enquanto meros estudantes abdicam de escrever eles próprios suas teses e optam por comprar trabalhos prontos, personalidades famosas do cenário político do país fazem uso de seus cargos para angariar os títulos desejados.

O caso mais famoso de falsificação acadêmica foi o do falecido ex-ministro do Interior Ali Kordan. Em 2008, ele foi obrigado, sob pressão, a admitir que havia comprado um título falso de doutorado da universidade britânica de elite de Oxford. Confissão que o obrigou a renunciar ao cargo que ocupava.

Até Ahmadinejad?

Alguns deputados no Parlamento iraniano dizem que o título de doutor do vice-presidente Mohammad Reza Rahimi é falso. E até mesmo do título de doutor do presidente Mahmud Ahmadinejad há quem duvide, pois consta que ele escreveu sua tese enquanto ocupava o cargo de governador da província de Ardebil. No entanto, de acordo com as diretrizes universitárias, é exigida dedicação exclusiva de um aluno de doutorado com obrigação de presença na universidade.

Um colega anônimo escreveu em 2009 uma carta aberta a Ahmadinejad: "Prezado Sr. Dr., o senhor poderia nos revelar como conseguiu estudar e escrever sua tese de doutorado enquanto ocupava o cargo de governador em Ardebil? E isso num momento em que, devido à sua atuação incansável, foi condecorado pelo então presidente Hashemi Rafsanjani como exemplo de bom governador?"

A pergunta está até hoje sem resposta.

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