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25/05/2013 - Público.pt - Última Hora Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Mais de 300 pinturas falsas de Palolo e Paula Rego apreendidas pela PJ

Por: Vanessa Rato


Operação Arco-Íris da PJ aponta para contornos internacionais na maior apreensão de sempre de pintura falsificada em Portugal.

No mercado renderiam "várias centenas de milhares de euros, mais de um milhão", diz o coordenador de investigação criminal da Polícia Judiciária (PJ), João Oliveira. Expostos numa sala da PJ ficam sob uma nuvem de suspeita por entre a qual são as incongruências que primeiro saltam à vista. Em alguns casos, custa a crer que tenham enganado galeristas e coleccionadores. Foi, no entanto, o que aconteceu, num caso de burla qualificada agravada que lesou um número ainda não determinado de pessoas e que levou àquela que a PJ diz ser a maior apreensão de sempre de pinturas falsificadas em Portugal.

Ontem, na conferência de imprensa em que divulgou a Operação Arco-Íris, a PJ expôs algumas das cerca de 300 supostas obras de António Palolo (1946-2000) e nove de Paula Rego (n. 1935) apreendidas em diferentes locais na zona de Lisboa e arredores durante uma investigação iniciada há cerca de um ano e ainda em curso, por enquanto sem nenhuma prisão mas com um dos suspeitos interrogado já depois de constituído arguido. Tratar-se-á de um comerciante em arte que "introduziu muitas obras no mercado e com expressivas vantagens comerciais próprias, lesando um número significativo de pessoas".

A primeira pista no caso não foi revelada. Contudo, João Oliveira explicou que uma das nove falsas telas de Paula Rego foi capa de catálogo de uma leiloeira "muito conceituada". Poderá ter sido o ponto de partida da investigação.

Ontem, todas as falsas pinturas de Paula Rego estavam expostas. Numa delas, surgia uma variação do macaco da conhecida pintura O macaco vermelho bate na sua mulher, uma obra de 1981 que a autora já por várias vezes explicou considerar um dos mais importantes momentos do seu desenvolvimento artístico.

Nessa obra, actualmente em exposição na Casa das Histórias, em Cascais, surgem já todos os grandes temas que a artista, a mais conceituada e cotada pintora portuguesa viva, viria a explorar a partir daí: temas como a angústia, o medo, a vergonha e a perfídia sugeridos nas relações sempre tensas entre humanos ou entre humanos e animais que encarnam tipificações humanas.

Nas telas apreendidas pela PJ há uma tentativa de aproximação a essas ideias. Contudo, em geral, sem a intensidade figurativa da obra de Paula Rego. Isto, quer em termos técnicos quer do ponto de vista das narrativas insinuadas pelas situações representadas. Já os falsos Palolo, todos datados de entre 1963 e 1971, vão buscar a paleta cromática vibrante da fase mais pop do artista e algumas figuras de trabalhos seus conhecidos. Apresentam, porém, elementos dissonantes com a mais habitual arrumação de composição do artista e também com a sua iconografia norma - é o que acontece com a introdução de referências políticas explícitas em telas com retratos de Mao e a recorrente e forte erotização do corpo feminino.

Impressão digital

Segundo a PJ, entre as apreensões até agora feitas não estava nenhuma tentativa de réplica fiel de um original. João Oliveira diz que, em geral, o que houve foi "a tentativa de imitar a impressão digital" destes autores. "Mesmo que do ponto de vista do domínio da técnica do pincel haja carências, houve um grande investimento na tentativa de mimetização dos traços caracterizadores da pintura e do trabalho geral. Quem pintou teve a preocupação de ler e estudar."

É um dos aspectos que leva ao enquadramento de burla qualificada na sua forma agravada, não permitindo a alegação de que as obras não tentavam fazer-se passar por verdadeiras.

Apesar de ter reunido um colégio de especialistas, que fez a despistagem das pinturas, a PJ não sabe ainda se o conjunto das pinturas foi feito por apenas um ou vários falsificadores. Sabe que algumas das pinturas terão vindo do estrangeiro para Portugal, o que torna o caso numa investigação de contornos internacionais. Está porém por apurar se as falsificações foram feitas em Portugal e depois expedidas ou exportadas, se foram feitas tanto em Portugal como no estrangeiro ou se apenas no estrangeiro.

No momento da apreensão, a esmagadora maioria dos quadros estava em galerias e leiloeiras. Uma minoria foi encontrada na sequência de buscas domiciliárias ou voluntariamente entregues por proprietários contactados pela PJ e que os terão adquirido de boa fé.

João Oliveira diz que "um número muito grande de obras - entre 40 e 50 - estavam na posse de um único coleccionador" e que a PJ suspeita que "acima de uma dezena de pessoas" estejam envolvidas neste caso.

Para além das pinturas, foram apreendidos também certificados de autenticidade relativos a obras de Palolo. A PJ define-os como "materialmente verdadeiros mas intelectualmente falsos". João Oliveira diz que foram feitos por uma pessoa próxima do artista, habilitada a produzir uma opinião sobre a autenticidade da obra, só a opinião produzida não tinha qualquer correspondência com a realidade.

Essa pessoa não foi constituída arguida "pela mais definitiva das razões: morreu", esclareceu este responsável.

De qualquer forma, a quantidade de falsos Palolo encontrados aponta para um inundar do mercado onde muitas das falsificações podem ter entrada há já bastante tempo. "O nível de suspeição é de ser elevada a probabilidade" de pessoas que adquiriram obras deste artista fora dos circuitos mais credenciados e por valores abaixo do habitual terem em mãos um falso, esclareceu o coordenador de acção criminal. A conferência de ontem foi também um apelo aos proprietários de obras adquiridas nestas circunstâncias que contactem a PJ. Esta poderá ajudar na despistagem.

Dependendo da futura decisão judicial no caso, as falsificações ontem apresentadas poderão ser destruídas ou integradas nos acervos do museu da Polícia Judiciária.

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