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22/05/2013 - Expresso MT Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

'Minha arma é o celular', diz cego preso no AM suspeito de estelionato

Natural de Fonte Boa, o aposentado responde a processos em 9 estados. Em depoimento, ele narrou golpes, entre eles um ao governador do Ceará.

O deficiente visual é suspeito de aplicar golpes de estelionato em nove estados O deficiente visual Augusto José Paes da Silva, de 56 anos, foi preso nesta terça-feira (21) em Manaus suspeito do crime de estelionato. De acordo com a polícia, o aposentado telefonava para vítimas se passando por autoridades locais. Ele é natural de Fonte Boa, interior do Amazonas, e já foi preso em outros nove estados pelo mesmo motivo. Uma das tentativas de extorsão foi contra o superintendente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Thomaz Nogueira, que desconfiou e acionou a Secretaria de Inteligência.

Na tentativa de golpe contra Nogueira, Augusto da Silva contou que fingiu ser o presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), desembargador Ari Moutinho, pedindo dinheiro para ajudar um funcionário. "Mas ele desligou na minha cara, desconfiando, então não liguei mais", disse.

De acordo com o delegado da Secretaria Executiva de Inteligência (Seai), Mário Paulo, o suspeito tentou extorquir cerca de R$ 1000 do superintendente. "Fomos informados de que ele teria feito uma ligação para o superintendente da Suframa, doutor Thomaz Nogueira, de alguém se passando pelo presidente do Tribunal de Justiça exigindo uma quantia em dinheiro para ajudar uma pessoa deficiente a fazer um transplante de córnea", explicou.

Segundo o delegado, Augusto da Silva foi detido no dia 25 do mês anterior, em Boa Vista, capital de Roraima, tentando aplicar o mesmo golpe, mas foi liberado por falta de provas. Além do Amazonas e Roraima, o suspeito já responde a processos criminais pelo mesmo motivo em outros sete estados, dentre eles Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso e Bahia.

Em depoimento, o suspeito narrou ainda outros golpes que teria aplicado em diferentes estados do país. Segundo ele, uma das vítimas teria sido o ex-governador do Ceará Luiz de Gonzaga Mota.

"Minha fonte de renda são essas 'presepadas' que eu apronto. Eu já liguei para o governador do Ceará e disse que era o Roberto Marinho. Na época, eu saí até na revista Veja. Meu pecado só é esse. Cheguei em Fortaleza, levantei o telefone do Palácio do Governo, liguei dizendo que era o jornalista Roberto Marinho e pedi para falar com o governador Luiz Gonzaga Mota, e ele imediatamente atendeu. Disse que estava com um 'ceguinho' que foi participar de um concurso em Fortaleza, que foi assaltado, e que precisava de um auxílio. Disse 'ele vai te procurar aí', e quando cheguei ele me deu R$ 3 mil e me mandou para um hotel cinco estrelas, onde fiquei três dias. No quarto dia, a bola 'espocou' e fui preso", contou.

Augusto José declarou em depoimento que a justiça sempre o concede direito de responder em liberdade "por ser sincero". "Toda vez que eu chego na frente do juiz, não minto pra ele. Quando ele me pergunta se eu vou parar com isso, digo 'não vou parar não, senhor, porque cadeia não regenera ninguém'. Eu vivo disso e vou continuar fazendo isso. O juiz me dá liberdade e eu viajo para outro estado. Eu tenho passe livre e não pago passagem nem de ônibus e nem de barco, viajo de graça. Se eu for solto, vou fazer de novo", destacou.

O suspeito disse ainda, em depoimento, que a atividade é algo que vem "do cérebro". "Doutor, quero que você destaque isso: eu não uso caneta. Não falsifico assinaturas de ninguém. Meu 171 é de conversa e de cérebro. Eu uso uma arma que é um telefone celular, um telefone público. Minha arma é essa, o telefone", ressaltou.

Augusto da Silva foi encaminhado para a Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoal pelo crime de estelionato. "Agora nós vamos concluir o inquérito e mandar para a justiça", disse o delegado.

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