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06/05/2013 - Capital News Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Esquema de fraude desviou R$ 11 milhões para clínica de diretor do Hospital do Câncer

Por: Aliny Mary Dias


A fraude no tratamento de câncer no Hospital Universitário descoberta pela operação Sangue Frio deflagrada no dia 19 de março pela Polícia Federal e a Controladoria Geral da União (CGU) ganhou um novo capítulo na noite deste domingo (5). Uma reportagem exibida pelo programa Fantástico denunciou que dos quase R$ 25 milhões repassados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ao Hospital do Câncer, pelo menos R$ 11 milhões foram para clínica particular de Adalberto Siufi, diretor do Hospital do Câncer.

O primeiro caso mostrado pela reportagem foi de um homem de 64 anos que descobriu que tinha câncer e morreu 4 meses depois. Segundo a família, o homem faleceu em janeiro de 2009, mas o tratamento continuou sendo pago pelo SUS outras três vezes em fevereiro do mesmo ano.

Outro caso foi de um jovem de 17 anos que morreu em novembro em novembro de 2009, mas o tratamento continuou sendo pago um mês após a morte dele.

Os dois apontados pela investigação são os médicos José Carlos Dorsa e Adalberto Siuf, diretores do Hospital Universitário e do Câncer, respectivamente. Um dos pontos revelados pela investigação que mais gerou indignação para a população foi o fechamento do setor de radioterapia do Hospital Universitário com a suspeita de benefício a clínicas particulares que são de propriedade de médicos envolvidos no esquema.

Desde 2005, os pacientes do HU foram encaminhados para o Hospital do Câncer. Para a Polícia Federal, o caso é um conluio entre os diretores da unidade para favorecimento próprio.

O Ministério da Educação afirmou à reportagem que a transferência dos serviços de oncologia foi decidida por uma comissão de gestores que reúne a Secretaria Estadual e as secretarias municipais de Saúde do estado.

Em entrevista, Siufi afirmou que não há irregularidades no setor de oncologia. “Ocorre do paciente falecer e você não ficar sabendo. Ele mora no interior. Isso é desprezível em um universo grande como esse”, responde Adalberto.

Tanto o diretor do Hospital do Câncer quanto do Hospital Universitário foram afastados das funções. José Carlos Dorsa foi exonerado do cargo nesta segunda-feira (6), conforme publicado no Diário Oficial da União (DOU) de hoje.

Outras fraudes

Uma auditoria feita pelo Ministério da Saúde encontrou outros problemas. O hospital cobrava por mais sessões de radioterapia do que eram feitas. Uma ex-funcionária, que não quis se identificar, afirmou que os pacientes não recebiam os remédios corretos para o combate da doença.

“Os medicamentos eram prescritos em doses reduzidas e onde os pacientes assinavam as frequências e nem sempre era feitas as medicações. Então, eles tinham a frequência de que estavam ali, mas recebiam a medicação devida”, diz a ex-funcionária.

A Polícia Federal gravou uma conversa entre uma farmacêutica e a administradora do hospital filha de Adalberto, Betna Siufi, mostra como era a medicação dos pacientes. Confira a conversa:

Farmacêutica: “Estou com uma prescrição aqui de um paciente do CTI, que a médica passou um antifúngico pra ele”.
Betina Siufi: “É caro pra cacete esse negócio. Nem f..., desculpa o termo. Tá?”.
Farmacêutica: “Essa doutora Camila que passa essas coisas cabulosa. Na hora que eu vi o preço, eu falei ‘Não’”.
A farmacêutica foi encontrada pela reportagem e afirmou que “Quando chega uma prescrição que a gente acha que é fora do padrão, eu tenho que pedir autorização”, explica.

A filha de Adalberto foi procurada pela reportagem, mas não quis gravar entrevista.

Governo

A reportagem denunciou ainda escutas telefônicas de Adalberto Siufi com um advogado afirmando que o médico teria tido uma conversa com o governador Andé Puccinelli para impedir as investigações da Operação Sangue Frio. Confira a conversa:

Adalberto Siufi: “Eu já marquei com a sua excelência, o governador. Ou ele dá um stop nisso ou nós vamos para o pau”.

Dois dias depois, ele diz como foi a suposta conversa com o governador do estado, André Puccinelli.

Advogado: “Boa a conversa?”
Adalberto Siufi: “Boa, rapaz”.

E fala que o governador marcou um encontro entre ele e o procurador-geral de Justiça do estado do Mato Grosso do Sul.

Adalberto Siufi: “Marcou pra mim falar com o chefe, 8 horas amanhã”.

No dia seguinte, o médico fala novamente com a filha sobre a reunião.

Adalberto Siufi: “Foi nota 10. Ele foi muito aberto, muito legal, falou que vai resolver porque um pedido do governador ele não pode dizer não”.

O procurador-geral de Justiça, Humberto Brites, foi procurado pela reportagem e confirmou o encontro. “Eles vieram dizer que estavam sendo perseguidos pela promotora, que eram inocentes, que nada daquilo que tava sendo veiculado era verdade, e pediam providências nesse sentido”, conta Humberto, afirmando ainda que não houve interferência no trabalho da promotora.

Em nota, o governo de Mato Grosso do Sul negou que o governador tenha se reunido ou intermediado reuniões com os dirigentes dos hospitais.

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