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23/04/2013 - Portal o Taboanense Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Justiça ouve mais duas testemunhas de defesa do caso da fraude do IPTU

Por: Rose Santana


Justiça de Taboão da Serra ouviu na manhã dessa terça-feira, dia 23, duas testemunhas no processo de fraude do IPTU, o engenheiro civil aposentado Augusto Luiz Gomes Pinto e o funcionário público Walter José das Virgens. Após os depoimentos, o juiz Guilherme Alves Lamas, remarcou para o dia 25 de junho a oitiva de 18 novas testemunhas. Elas foram dividas por ordem alfabética.

O primeiro a depor foi uma testemunha do juízo, o engenheiro civil aposentado, seu Augusto Luiz Gomes Pinto. Ele era proprietário de um terreno de aproximadamente 92 mil m², no Jd. Mirna. Ele vendeu o local depois que seu IPTU passou de R$ 9 mil para R$ 94 mil.

O engenheiro relatou que se recusou a pagar o IPTU com aumento, por isso solicitou uma revisão. Com o valor menor, a dívida foi paga com dois cheques de R$ 21 mil cada. A venda do terreno foi intermediada pelo corretor Milton Andrade, irmão do então vereador Carlos Andrade. Quem comprou a propriedade foi a construtora Dois Irmãos. A pedido do Ministério Público o aposentado reconheceu a microfilmagem dos dois cheques emitiu para pagar o IPTU.

A segunda testemunha a ser ouvida foi o servidor municipal Valter José das Virgens, ele foi arrolado pela defesa de Bruno Camargo Bolfarini. Na época, o auxiliar contábil foi o primeiro a comunicar a Conam, empresa responsável pelo sistema, sobre a diferença de valores nos relatórios. Ele declarou que a princípio imaginou se tratar de um problema no software. Quando foi perguntado se achava possível alguém burlar o sistema, ele disse que não saberia responder.

A defesa de Bruno Camargo Bolfarini, relatou ao depoente as declarações dele na Comissão Especial de Inquérito (CEI), realizada na Câmara Municipal, de que foi Bruno Camargo Bolfarini quem solicitou que ele entrasse em contato com a Conam, após terem detectado a diferença de valores.

Valter confirmou as informações: “Correto. Fui até o departamento dele [Bruno], ele disse que poderia ser um problema sério e que era preciso entrar em contato com a Conam. Passados dois dias ele voltou a perguntar se o problema já havia sido solucionado”, esclareceu.

O advogado criminalista Sérgio Hoterge questionou porque ele omitiu essa informação na delegacia. “Estava com medo”, respondeu Valter.

Ferdinando Montanari, advogado de ex-secretário Roberto Valadão, comparou o julgamento da fraude do IPTU com o caso do Carandiru, segundo ele, lá, os réus foram condenados porque o Ministério Público fez uma denúncia genérica.

“De acordo com a denúncia, cada policial matou um preso 15 vezes e ninguém quis saber quem matou quem. Aqui é o mesmo caso. Estamos diante de um processo político, nós temos aqui 26 ladrões de acordo com a denúncia, todos são culpados indistintamente”, declarou Montanari.

Diante desse fato, o advogado requereu que no processo seja apontada a culpabilidade de cada um dos acusados e a responsabilidade deles no caso. Também solicitou que a prefeitura informe o valor exato do rombo causado por esse fato, visto que nos processos civil e criminal não constam.

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