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05/11/2007 - Correio Braziliense Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Ex-diretora admite usar dinheiro da escola para compras pessoais

Por: Thomaz Pires


As suspeitas de irregularidades no Colégio Estadual de Luziânia José Carneiro Filho não param apenas na suposta venda de diplomas falsos. A movimentação financeira para compra da merenda e material escolar também está sob investigação. O Conselho Escolar possui duas contas bancárias: uma na Caixa Econômica Federal e outra no Banco do Brasil. Somando o repasse total do estado, a direção recebe por ano o equivalente a R$ 34,5 mil dos cofres públicos. Ainda assim, conseguiu contrair uma dívida de R$ 7,1mil no supermercado Real Max e de R$ 2.015 na Receita Federal por não realizar a declaração de Imposto de Renda nos últimos dois anos.

A dívida no supermercado foi gerada pela compra de alimentos indevidos, como carnes para churrasco, bebidas e congelados. A antiga diretora, Maria Celsa Cardoso, era a encarregada da função. Funcionários da escola contam que por iniciativa própria Maria Celsa trocou o armazém próximo ao colégio pelo supermercado Real Max. Era lá que ela fazia as compras aos domingos. “As compras chamavam a atenção e chegavam a custar mais de mil reais”, conta uma funcionária do caixa, que preferiu não se identificar.

A nota fiscal das compras, apresentadas à escola no fim do mês para prestação de contas, era preenchida à mão. Por isso, seria possível adulterar as mercadorias adquiridas. A funcionária que trabalha há apenas três meses no setor financeiro do supermercado, Raquel Marques, conta ter sido abordada pela antiga diretora por mais de uma vez. “Ela pediu para mudar a nota, mas eu neguei. Ela disse que não tinha problema e que já tinha feito isso com o antigo funcionário”, lembra-se.

A reportagem teve acesso a algumas notas de compras feitas pela ex-diretora no supermercado Real Max e constatou que os documentos eram preenchidos à caneta. O espaço destinado ao número do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) aparece em branco. Na realidade, a displicência não poderia ocorrer, já que os pagamentos eram feitos com os cheques nominais do Conselho Escolar.

Procurada pela reportagem, a ex-diretora confirmou que comprava mercadorias para uso próprio. No entanto, garante que pagava a diferença no fim do mês. “Eu sempre pagava o que consumia. Aproveitava a oportunidade para fazer as minhas compras”, admite. Sobre a dívida de R$ 7,1mil com o estabelecimento, ela justifica que o fato ocorreu pela falta de recursos. “O governo demorou por mais de uma vez para fazer o repasse. Isso atrapalhou as nossas contas, o que acabou gerando dívidas”, explica.

Merenda

Como resultado pelo mau uso do dinheiro, os 1.200 estudantes do Colégio José Carneiro Filho estão há mais de um mês sem merenda. O lanche oferecido costumava ser biscoitos de água e sal com suco de saquinho, servido duas vezes ao dia. Mas, durante a última compra, a atual direção descobriu que possui dois cheques sem fundos no Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF). Um deles, no valor de R$ 110, foi devolvido pela Brasília Comercial de Bebidas (Brasbel).

Os cheques da escola só podiam ser liberados com as assinaturas do presidente do Conselho Escolar, Wagner Lima Souza. Mas eles eram entregues em branco para a antiga diretora a pedido dela, segundo afirma o próprio presidente do Conselho. “Ela (a diretora) me dava os talões e mandava eu assinar. Depois, dizia que faria a compensação se precisasse usá-los em gastos eventuais”, conta.

A suspensão da merenda deixou os pais dos alunos indignados. Naisdon Lincon do Nascimento, que matriculou o filho de 13 anos na 6ª série, afirma estar revoltado. “As crianças estão deixando de comer há mais de um mês por irresponsabilidade da antiga direção. Isso é um absurdo”, desabafa.

A Secretaria de Educação de Goiás já foi informada sobre o problema. O Departamento Jurídico do órgão já apura as causas da suspensão da merenda. Além disso, os cheques sem fundo, dívidas no supermercado, pendências na Receita Federal também são analisados. A abertura de processo administrativo ainda está em análise. Os técnicos do órgão deverão fazer uma visita no local para apurar os fatos.

Ministério Público

O Ministério Público de Goiás (MPGO) também apura as suspeitas de fraudes cometidas pela antiga diretoria da escola. O promotor Ricardo Rangel, da 3ª Promotoria de Justiça de Luziânia, é o encarregado em instaurar processo civil contra os ex-funcionários. “Vamos apurar se realmente houve improbidade administrativa. Em caso positivo, os responsáveis terão de ressarcir os cofres dos estados e responder criminalmente pela ação”, observa o promotor.

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