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04/04/2013 - administradores.com.br Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Dedos de silicone: cada controle uma fraude, cada fraude um controle

Por: Marcus Vinicius

A ocorrência do uso de dedos de silicone para fraudar o ponto eletrônico do SAMU-Serviço de Atendimento Médico de Urgência nos possibilita profundas reflexões.

Causou comoção geral as fotos dos dedos de silicone mostradas fartamente na internet, utilizadas para fraudar o ponto digital biométrico dos profissionais do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Ferraz de Vasconcelos, na Grande SP, no início do mês de março de 2013.

A ousadia, a criatividade, o desrespeito com a saúde pública, a falta de compromisso dos profissionais que juraram defender a vida... Tudo isso foi motivo de espanto da população, bombardeada com macabras réplicas de dedos estampadas em fotos. Curiosamente, as matérias jornalísticas indicam que a prática ocorria e outras situações que utilizavam controle biométrico, como detectado em fevereiro daquele ano, no que tange a exames de habilitação na mesma São Paulo. Certamente, fraudes de sistema biométrico idênticas devem estar ocorrendo em diversos outros municípios, exatamente no momento que lemos essa matéria.

Bem, restou-nos apenas criar o controle biométrico pela íris, ou pelos lábios, ou outra parte do corpo que as discussões papiloscopistas nos conduzirem. Assim, seguimos o ciclo do gato e do rato. Para cada fraude um novo controle, para cada controle, uma nova fraude. Essa questão transcende o ponto biométrico. Trata-se da peleja eterna do controle, como mecanismo garantidor da ocorrência no mundo real e cotidiano daquilo que fora acertado nas normas e políticas e aqueles que se beneficiam pelo não cumprimento dessas regras. De fichas de fliperama fundidas no chumbo a clonagem de cartões, seguem pessoas e organizações enganando e “reenganando” os sistemas de controle, e esses se reinventando, em discussões recheadas de medos e riscos .

Assim, avançamos de simples partidas dobradas inventadas por um religioso a sofisticados mecanismos de registro e de prevenção, na gestão pública e privada. Da mesma forma, os que pretendem fraudar o sistema, com criatividade e por vezes informações privilegiadas, buscam encontrar mecanismos de burlar as regras e lograr êxito. A tecnologia da informação inaugurou uma nova era nessa disputa, onde de forma invisível digladiam sistemas de proteção e de invasão, às vezes por criminosos, às vezes no corso moderno da famosa engenharia social, onde muitos criam problemas para vender soluções.

E a gestão pública nisso tudo? Bem, o exemplo inicial desse artigo tratava de um programa de governo executado de forma descentralizada, mas aplica-se também a muitos outros casos a discussão aqui posta. No setor bancário e de benefícios pagos diretamente a pessoas físicas, como a previdência, pela tipicidade das operações, essa discussão se faz mais amadurecida. Entretanto, ela se aplica a outros setores da Administração Pública. Existindo regras que condicionam benefícios, aí pode surgir a fraude. Desse modo, o pagamento de pessoal, o controle de freqüência, os processos de aquisição/armazenamento, a ação regulatória do Estado, essas e muitas outras funções estatais são vítimas de ações fraudulentas e que diante da instauração de controles, sofrem mutações visando se adaptar aos novos controles, criando brechas.

Por isso, é ingênuo confiarmos cegamente em um controle, julgado insuperável. Do outro lado, existe um player que tem grande benefício com a fraude e que usará da inteligência para construir novas ações que derrubem aquele controle. Nenhum controle pode ser perene, nesse jogo de gato e rato. Mas, isso não implica que devemos entrar em uma corrida insana de medida de forças. Bastam algumas regras simples...

A primeira é a da alternância... Alternando controles e verificações de forma aleatória, criamos nos players uma falsa expectativa, o que inibe a ação destes. Nesse mês, olhamos na folha de pagamento o auxílio transporte, na próxima vez, o auxílio moradia. A fraude, como toda atividade humana, tende a sistematização e nada como a desordem para se chocar com a sistematização.

A transparência apresenta-se como um excelente instrumento. Expor para vários olhos implica na criação de vários olhares que se conversam e que detectam anomalias que nossos controles não percebem. Fortalece a qualidade das denúncias e a ação do controle social, pois na máxima de “onde há fumaça, há fogo”, apresenta a transparência brechas por onde essa fumaça pode escapar.

Por fim, a rotatividade de pessoas em postos chaves é essencial. O perfil dos corruptos passa pela centralização máxima, pelo profissional que não tira férias, que concentra todos os níveis decisórios. Criar mecanismos de revezamento inibe os conluios e força a informação a circular por mais pessoas, e no que tange a integridade, sempre temos um que se recusa a participar de atos ilícitos e que pode romper esse ciclo vicioso, seja pela delação, seja pelo afastamento.

Desse modo, podemos a baixo custo, com algumas medidas simples, reduzir a probabilidade de fraude. A fraude se sustenta na integridade do agente, no benefício obtido e na probabilidade de ser pego e punido. As duas primeiras ações não são objeto de governança do gestor público, mas sobre a terceira podemos agir de forma eficaz e eficiente, a baixo custo. Não basta apenas investir em tecnologia, pois a cada novo controle arrojado, surge uma nova fraude intrépida. Precisamos enxergar o problema e não relaxar no berço esplêndido dos controles. Depois, não adianta chorar pelo leite derramado.

Para concluir, vou narrar uma história que sempre conto em minhas palestras, lida em um livro durante o ensino médio e ainda que busque exaustivamente, não logro em obter a autoria.

Certo negociante tinha a sua cozinha infestada de ratos, que de forma caótica destruíam os itens de sua dispensa, causando-lhe enorme prejuízo. Contratou um gato a peso de ouro e esse saiu a caça dos ratos, que sumiam em seus buracos. Entretanto, quando o gato sentia fome ou ia dormir, e por isso se recolhia, os ratos voltavam à festa. E assim, viu-se o negociante fracassando com todos os gatos contratados. Um velho amigo lhe falou de um treinador de gatos especial, que poderia lhe ajudar. Assim, o negociante, já sem esperança, buscou esse treinador que lhe disse ser aquele gato capaz de resolver seu problema, ainda que custasse caro seu aluguel.

Já sem soluções, o negociante aceitou e levou o gato a cozinha. Soltou-o e esse caminhou até o centro do salão e lá se postou imóvel. Os ratos ficaram tensos, não sabiam como ele reagiria, pois ele não atacava, não dava indicativos de como seria sua estratégia, apenas observava. Não tinha regularidade para comer, para dormir e alguns que o julgavam distraídos e tentaram a sorte se viram devorados. Assim, os ratos abandonaram aquela cozinha, já tão cheia de riscos imensuráveis e que não lhes oferecia esperança de ali obterem seus benefícios e continuarem vivos...

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