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02/04/2013 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Interventor da Maranata no ES confirma uso indevido de dinheiro

Coronel aposentado, Julio Cezar é pastor da instituição há 19 anos. Membros da Igreja são investigados por estelionato e lavagem de dinheiro.

Indicado pela Justiça do Espírito Santo como interventor da Igreja Cristã Maranata, o coronel aposentado e pastor da denominação há 19 anos, Julio Cezar Costa, afirmou, em entrevista ao G1, nesta terça-feira (2), que está preparado para a função e se diz isento para o cargo. O coronel confirmou que houve uso indevido de dinheiro na Igreja Maranata, ressaltou que vai estar ao lado da Justiça para auxiliar no processo de fiscalização e se comprometeu a prestar contas regularmente sobre a situação financeira da instituição.

Ao fim do mandato de interventor, que dura 90 dias, ele pretende entregar o relatório completo ao juiz. Julio Cezar ficou conhecido no estado ao se revoltar quando soube que um amigo havia sido parado em uma blitz de trânsito em 2010. Na ocasião, o coronel repreendeu um policial militar pela ação em uma ligação para o Ciodes, que foi gravada.

Administradores da Igreja Cristã Maranata são investigados pelo Ministério Público do Espírito Santo desde março de 2012, por crimes como estelionato, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, falsidade ideológica e desvio de dinheiro público. Pastores são apontados como agentes intelectuais que estariam interferindo no curso de investigações, ameaçando e intimidando testemunhas e até membros do Ministério Público e do Judiciário.

No último dia 22 de março, a Justiça decidiu promover uma intervenção judicial na Maranata. A escolha inicial, citada em decisão judicial, foi pelo nome do perito Jerry Edwin Ricaldi Rocha, mas ele recusou o convite, alegando problemas de saúde em família. Desde então, uma nova indicação estava sendo aguardada.

Ao saber da nomeação, no final da tarde desta segunda-feira (1º), Julio Cezar Costa afirmou ter sido pego de surpresa, mas ressaltou a experiência adquirida na polícia como auxiliar no trabalho a que foi designado. "Eu sou um homem que está acostumado com coisas difíceis. A surpresa veio porque eu não esperava que meu nome, na condição de professor, viesse a ser apontado nesse momento. Mas eu recebo com bom grado, até porque vou ter condições de mostrar à sociedade capixaba, mais uma vez, a idoneidade da minha pessoa e da Igreja Cristã Maranata", disse.

De acordo com o interventor, a igreja adotou as providências cabíveis para as investigações. "A Igreja Cristã Maranata, a partir de seus órgãos próprios, apurou, no final do ano de 2010, por um procedimento administrativo e acabou por afastar pessoas e ajuizar ações requerendo um estorno para os seus cofres de um valor aproximado de R$ 2 milhões. Então, não podemos negar o óbvio. Mas eu, como administrador do estado na igreja, não posso ser leviano em adotar condutas que eu não possa provar", explicou.

Questionado sobre os principais suspeitos de serem responsáveis pelo problema no caixa da instituição, Julio Cezar Costa preferiu não tomar posição de julgador. "Minha atribuição não é julgar o que se deu, mas administrar o que se tem. Eu não farei qualquer juízo de valor sobre aquilo que já está ajuizado, até porque não tenho a capacidade de intervir dentro do Poder Judiciário. A minha função é de auxiliar a Justiça na administração dos bens financeiros e materiais da igreja", justificou Julio Cezar.

Como membro da igreja há 25 anos e pastor há 19, Julio Cezar não se vê como parte da instituição quando no cumprimento da função a que foi indicado. Segundo ele, o papel exercido será de um colaborador do estado. "Seria muito ingênua minha percepção se estivesse brincando com algo tão sério. O que fizemos na Polícia Militar, vamos fazer na Igreja Cristã Maranata, se for preciso. Mas sempre com muita responsabilidade, coragem e disposição. Eu sou um funcionário do Tribunal de Justiça, nesse momento, e não um pastor", falou o interventor.

Nomeado interventor, Julio Cezar disse ter consciência da proibição que tem de tomar qualquer decisão doutrinária na igreja, mas disse que não vai abandonar a função de pastor. "Eu não estou proibido de pregar. Mas não vou me abster de pregar na igreja onde eu pastoreio. Minha função passa a ser só de pregador e não mais de doutrinador", finalizou Julio Cezar.

Polêmica

O coronel Julio Cezar Costa se aposentou em setembro de 2011. Em julho de 2010, o oficial se envolveu em uma polêmica ao se revoltar quando soube que um amigo havia sido parado em uma blitz de trânsito.

Na ocasião, o coronel repreendeu um policial militar pela ação em uma ligação para o Ciodes, que foi gravada. Ele usou palavras de baixo calão e ofendeu o policial que estava ao telefone. Em março de 2011, o Ministério Público do Espírito Santo pediu o afastamento do coronel, alegando que ele interferiu ilegalmente e arbitrariamente quando ligou para o 190 do Ciodes e xingou a PM, defendendo um amigo que cometeu uma infração de trânsito.

A Justiça acatou a ação do Ministério Público Estadual (MPES) e concedeu uma liminar afastando imediatamente o coronel da Polícia Militar Julio Cezar Costa. Mas em abril de 2012, A Justiça inocentou o coronel e arquivou o processo contra ele, entendendo que o coronel não usou o cargo para ajudar o amigo.

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