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11/02/2013 - Público.pt - Última Hora Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Empresas acusadas de fraude com carne de cavalo culpam Roménia

Por: Clara Barata


Por que é a carne picada nos supermercados europeus afinal é de cavalo? As autoridades francesas estão a investigar e começam a descobrir uma fraude internacional. A Findus sueca está na berlinda

O escândalo dos alimentos com carne de cavalo picada onde deveria haver carne de vaca afecta vários países europeus e avoluma-se, com os dedos acusadores a virarem-se para a Roménia, de onde vem a carne usada nas lasanhas e produtos congelados da marca Findus com 100% de carne de equino. Mas isso não impede que as várias empresas envolvidas na complicada cadeia que levou a carne até ao prato dos consumidores britânicos, franceses e suecos, pelo menos, tentem sacudir a água do seu capote, ameaçando processar-se mutuamente.

A agência de segurança alimentar sueca anunciou que vai fazer queixa da Findus, a empresa sueca cujas refeições congeladas à base de carne foram retiradas dos supermercados britânicos e suecos depois de se ter descoberto que tinham 100% de cavalo. Ontem, seis cadeias de supermercados franceses - Carrefour, Monoprix, Auchan, Casino, Cora e Picard - retiraram também produtos da Findus dos seus congeladores pelo mesmo motivo. Não queriam continuar a vender gato por lebre.

Em Portugal, a ASAE anunciou na sexta-feira não ter sido detectada carne de cavalo em alimentos vendidos como vaca nas acções de fiscalização que realizou, entre 22 e 24 de janeiro - antes de ter sido encontrado ADN equino nos produtos Findus.

Mas a Findus atira as culpas para o seu fornecedor de carne romeno, cuja identidade não revelou até agora, e garante que hoje apresentará queixa contra esta empresa. "Fomos enganados", disse a Findus Nordic. "Há duas vítimas neste caso: a Findus e o consumidor".

Se há coisa que este caso revelou é a complicada teia do negócio da alimentação na União Europeia: as refeições congeladas da Findus foram cozinhadas por uma empresa francesa chamada Comigel (que trabalha para 16 países da União Europeia, diz o The Independent britânico), numa fábrica no Luxemburgo, e para fazer lá chegar a carne recrutou os serviços de outra empresa francesa, chamada Spanghero. Esta, para encomendar carne na Roménia, usou duas outras companhias: uma em Chipre, que por sua vez contratou outra na Holanda, que finalmente fez a encomenda a um matadouro na Roménia. O complicado percurso da carne de cavalo foi deslindado pela investigação da Direcção Geral da Concorrência, do Consumo e da Repressão das Fraudes francesa.

O que por agora é certo é que todos se tentam desculpar com a Roménia. No entanto, a associação dos patrões do sector agroalimentar daquele país não está a gostar da imagem que está a ser dada do país: "O importador tinha de saber que não era carne de vaca. O cavalo tem um gosto, uma cor e uma textura muito particulares", sublinhou o presidente da Roalimenta, Sorin Minea, citado pelo Le Monde. "O importador francês deve mostrar os documentos, e se não os tiver isso deverá provar que comprou a carne no mercado negro, ou que tem algo a esconder."

Quanto a Constantin Savu, da Autoridade Nacional de Saúde Veterinária e Segurança Alimentar da Roménia, tenta desarmar a bomba que lhe atiraram. "Tanto quanto sabemos, há carne de cavalo proveniente da Roménia, mas isso não é um problema. Temos 25 matadouros autorizados a abater cavalos e a exportar carne para a União Europeia", assegura. "São matadouros oficiais, com veterinários para controlar todo o processo, a carne tem selos oficiais até sair dali. Só não podemos saber o que é que acontece quando sai do matadouro". Por ano, são transportados 65 mil cavalos na UE para abate.

As autoridades de Bucareste lançaram um inquérito - dois matadouros, em concreto, estão sob suspeita da investigação levada a cabo por França, admitiu o ministro romeno da Agricultura, Daniel Constantin.

Entretanto, surgiu em cena o eurodeputado francês José Bové, membro do partido Europa Ecologia-Os Verdes, com ligações ao sector agrícola, que relacionou a multiplicação de casos em que foi detectado ADN de equinos na carne picada à venda em vários supermercados europeus - os primeiros casos surgiram na Irlanda, em meados de Janeiro - com a proibição recente da circulação de carruagens puxadas a cavalo na Roménia. "Terá havido quem quisesse dar um golpe financeiro à custa dos consumidores, comprando carne barata de cavalo?", sugeriu, defendendo a necessidade de ser lançada uma investigação ao nível europeu.

O ministro francês para o Consumo, Benoît Hamon, lançou mais achas para a fogueira, dizendo que o motivo para esta fraude que atravessa vários países europeus é mesmo, o ganho financeiro - e que os lucros podem já rondar os 300 mil euros.

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