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19/01/2013 - Brasília em Tempo Real / Agência Estado Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Namoro falso no Facebook vira negócio


"Eu serei sua namorada no Facebook por uma semana. Colocarei seu nome no meu status de relacionamento e deixarei comentários na sua timeline." A proposta, que aparece no site americano Girlfriendhire, é de uma garota que se identifica como Isabell. O preço: US$ 5. Isabell nunca verá a pessoa ao vivo. O que ela vende é apenas a permissão ao usuário da rede social que deseja, por alguma razão, estar "em um relacionamento sério com Isabell".

Esse tipo de serviço, em que pessoas supostamente reais se passam por companheiras falsas, tornou-se a principal bandeira do site brasileiro Namoro Fake, lançado há cerca de 20 dias. Amplamente noticiado nesta semana, no Brasil e em veículos americanos, como o blog de tecnologia Mashable e a TV CNBC, a página vendia pacotes para quem quer simular, via Facebook, algum relacionamento. Os perfis das garotas, porém, eram falsos. "São personagens", dizia o site.

Mas, depois da repercussão na imprensa, o Namoro Fake recebeu o contato de várias pessoas que concordaram em se passar por namoradas virtuais. "Decidimos acabar com perfis falsos e oferecer apenas perfis de mulheres verdadeiras", informou o site, que criou a seção "contrata-se namorada" e diz repassar 50% do valor pago pelo cliente em cada atendimento.

O Namoro Fake exibe quatro planos de aluguel de namorada falsa, cujos preços variam de acordo com o grau de relacionamento e o tempo da simulação. A mais barata é a "ficante" de três dias, que faz três comentários no seu perfil no Facebook por R$ 10. A mais cara, de R$ 100, é a "namorada virtual". Com essa última, o usuário finge ter um relacionamento sério por 30 dias e garante 30 comentários da "namorada". E ele mesmo define o texto que ela vai publicar.

Serviços parecidos com esse podem ser encontrados também em sites americanos, que abrem espaço para os próprios usuários anunciarem o serviço que prestam, como o Fiverr. Em todos eles, há a sugestão de usar a nova namorada para provocar ciúmes em outra pessoa ou ainda provar a masculinidade.

Embora já existissem, não foram esses sites as primeiras fontes de inspiração do empresário Flávio Estevam, fundador do Namoro Fake e da empresa MSsites, cuja sede está em Campo Grande. Desenvolvedor de sites há quatro anos, ele observou que amigos faziam comentários maliciosos no Facebook para causar ciúmes na ex-namorada, o que não funcionava. "Em seguida, elaborei em detalhes como resolver essa questão de ter uma ‘namorada fake' no Facebook. Testado por algumas pessoas, o resultado foi surpreendente e me deu a certeza que era um produto viável", disse Estevam que agora busca investidores para levar o site para Argentina, Chile e Europa.

Comprar um status no mundo virtual não é novidade. No Brasil, há jovens que pagam R$ 500 para comprar o status de jogador mais habilidoso em jogos eletrônicos, segundo o coordenador do grupo de dependência tecnológica do Instituto de Psiquiatria da USP, Cristiano Nabuco. "Esse caso no Facebook (do falso namoro) deve seguir os mesmos princípios, mas com usuários adultos."

A curto prazo, segundo Nabuco, a pessoa desfruta de uma valorização social. Mas, ao longo do tempo, ela perde a capacidade de interação social. "Ao fazer isso de maneira séria, ela perpetua sua dificuldade de se relacionar na vida real", diz.

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