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23/10/2007 - Diário de Notícias Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

A brigada do "então prove" e a falta de cultura democrática


Cada vez que alguém aparece na comunicação social a fazer uma denúncia relevante há sempre um bando de picuinhas que exprime imediatamente a sua indignação com vozinha de contratenor: "Se assim é, então prove." Escondida atrás de um suposto rigor legalista e confundindo as regras do espaço público com as leis dos tribunais, a brigada do "então prove" é perigosamente conservadora e gosta do cheiro a pântano, crescendo à sombra da nossa falta de cultura democrática. Alguém resmunga sobre a corrupção nas câmaras? Então prove. Uma alminha aponta o dedo à incompetência na função pública? Então prove. Um desgraçado queixa-se das falhas no sistema judicial? Então prove. Como se cada vez que uma pessoa abrisse a boca para protestar tivesse obrigatoriamente de estar munido de dossiês e documentação em papel timbrado. Nove em dez vezes, o "então prove" é apenas uma forma mais ou menos elaborada de proteger o estado das coisas e tapar a boca a quem se queixa.

Certamente por causa deste exagerado calor de Outono, que sobreaquece as cabecinhas, quatro ou cinco pessoas importantes lembraram-se de ir para os jornais dizer o que lhes vai na alma. Não é normal. O normal é que as pessoas importantes dêem entrevistas mastigadas, soltando um recadito ali, uma frase cabalística acolá, num português remoído que depois é decifrado por meia dúzia de entendidos que peroram sobre o assunto durante dois ou três dias. Mas não foi isso que aconteceu com as últimas entrevistas de Catalina Pestana ou Pinto Monteiro, só para dar dois exemplos. Estes decidiram, por uma vez, dizer coisas relevantes e denunciar o que vai mal.

Resultado: uma carga violenta da brigada do "então prove". Catalina Pestana apontou o dedo à Casa Pia e apanhou traulitada dos antigos estudantes, que a mandaram ir-se queixar à polícia. Pinto Monteiro acusou o Ministério Público de feudalismo e imediatamente o sindicato dos magistrados pediu a sua cabeça; depois disse não saber se tinha o telefone sob escuta e a Ordem dos Advogados exigiu esclarecimentos "urgentes". É claro que convém a gente com responsabilidades não se passar da cabeça e vir para a praça pública ter conversas de café. Mas não é isso que tem acontecido. A ex-provedora da Casa Pia e o procurador-geral da República deram entrevistas valiosas e nomearam fragilidades inadmissíveis no nosso sistema. E, como de costume, o monstro do statu quo acordou para exigir que não o incomodem. Triste sociedade esta, que devota tanto amor à lei da rolha. E assim vamos andando aos caídos, muito caladinhos e compostinhos.

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