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24/12/2012 - R7 / New York Times Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Autoridades investigam fuga de ouro do Afeganistão


Cabul, Afeganistão – Enfiadas em bagagens de mão ou em bolsos de casacos, barras de ouro vêm sendo removidas de Cabul com crescente regularidade, confundindo autoridades afegãs e americanas – que temem que lavadores de dinheiro tenham encontrado uma nova forma de retirar fundos do país.

A maior parte do ouro está sendo levada em voos comerciais destinados a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, segundo relatos e funcionários de segurança nos aeroportos. As quantidades levadas por transportadores individuais costumam ser pesadas o bastante para que passageiros voando de Cabul ao Golfo Pérsico sejam advertidos sobre o perigo de malas caindo dos compartimentos superiores. Um transportador, por exemplo, levava 27 quilos de barras de ouro, cada uma do tamanho de um iPhone, a bordo de um voo matutino em meados de outubro, de acordo com um relato da segurança do aeroporto. A carga valia mais de US$ 1,5 milhão.

O ouro é totalmente declarado e tem transporte legalizado. Parte dele, se não a maioria, está sendo levada de forma legítima por negociadores de ouro querendo remodelar joias em novas peças com artesãos habilidosos no Golfo Pérsico, segundo autoridades afegãs e comerciantes de ouro.

Mas os comerciantes de ouro em Cabul e funcionários do aeroporto da cidade dizem ter havido um aumento nos envios desde o final do primeiro semestre. Entre a comunidade de negócios local, fala-se cada vez mais sobre um crescente êxodo de ouro do Afeganistão e, nas últimas semanas. a questão chamou a atenção de autoridades afegãs e americanas. As autoridades estão intrigadas com a origem do ouro – muito pouco é extraído no Afeganistão, embora minas maiores estejam nos planos – e por que uma quantidade tão grande parece estar indo para Dubai.

"Estamos investigando isso, e se descobrirmos que é uma maneira de lavar dinheiro, vamos intervir", afirmou Noorullah Delawari, governador do banco central do Afeganistão. Mesmo assim, ele reconheceu que havia mais perguntas do que respostas neste momento. "Não sei de onde poderia vir tanto ouro, a menos que você possa me dizer algo a respeito", disse ele numa entrevista. Ou, conforme colocou uma autoridade europeia que monitora a economia afegã, "surgem novos mistérios" enquanto a guerra parece se aproximar do fim.

Descobrir precisamente o que está acontecendo na economia afegã segue mais complexo do que nunca. Quase 90 por cento da atividade financeira ocorrem fora dos bancos formais. Contratos escritos são a exceção, recibos são raros e geralmente não se pode confiar nas estatísticas. A lavagem de dinheiro é comum, dizem autoridades afegãs e ocidentais.

Como resultado, com o ouro, "Neste momento estamos presos numa situação no lugar de sempre: existe algo errado acontecendo aqui, ou esse é apenas a forma afegã de fazer comércio?" questionou uma autoridade dos Estados Unidos que monitora redes financeiras ilícitas.

Não há motivo para suspeitas: as remessas de ouro seguem o problema muito mais amplo do contrabando de dinheiro. Durante anos, voos deixaram Cabul quase diariamente carregando grossos pacotes de cédulas – dólares, euros, coroas norueguesas, riais sauditas e outras moedas – enfiados em valises, escondidos em caixas ou enrolados em pallets. Em certo ponto, o dinheiro chegou a ser escondido em bandejas de comida em voos para Dubai da atualmente extinta Pamir Airways.

Somente no ano passado, segundo o banco central afegão, quase US$ 4,5 bilhões em dinheiro foram retirados do país pelo aeroporto. Esforços para estancar o fluxo tiveram impactos limitados, e a preocupação com a lavagem de dinheiro persiste, de acordo com um recente relatório divulgado pelo Inspetor Geral Especial dos Estados Unidos para a Reconstrução do Afeganistão.

O fluxo desimpedido de "grandes somas em dinheiro aumenta o risco de lavagem de dinheiro e do contrabando de moeda em espécie – ferramentas frequentemente usadas para financiar terroristas, o tráfico de drogas e outras operações ilícitas", afirmou o relatório. Assim como o ouro, o dinheiro é geralmente levado a Dubai, onde notoriamente as autoridades fazem menos perguntas. Muitos afegãos ricos levam seu dinheiro e famílias ao emirado, e comerciantes de ouro dizem que mais afegãos de classe média estão enviando dinheiro e ouro – vistos como garantias contra a ruína econômica – para Dubai à medida que as conversas sobre um colapso econômico no pós-guerra se tornam mais comuns.

Porém, dada a reputação de Dubai como um paraíso para dinheiro lavado, uma autoridade afegã afirmou que a "suspeita óbvia" é que pelo menos parte do aumento aparente nos envios a Dubai está ligada às inúmeras atividades ilícitas – contrabando de ópio, corrupção, esquemas de tributação do Talibã – que passaram a definir a economia do Afeganistão.

Há também indicações de que o Irã poderia estar entrando no comércio do ouro afegão. O país já está comprando dólares e euros aqui para contornar as sanções americanas e europeias, e pode estar usando o ouro com a mesma finalidade.

Yahya, um negociador de Cabul, explicou que outros comerciantes de ouro estavam ajudando o Irã a comprar o precioso metal por aqui. O pagamento seria feito em petróleo ou com riais iranianos, que circulam normalmente no oeste do Afeganistão. Os comerciantes iranianos então o levam a Dubai, onde o ouro é vendido por dólares. O dinheiro é movido para a China, onde é usado para comprar bens necessários ou simplesmente reenviado ao Irã, disse Yahya, que, como muitos afegãos, usa apenas um nome.

Ele não quis dar nomes aos envolvidos na ajuda ao Irã. Mas autoridades ocidentais afirmaram que sua descrição do processo confirmou seu conhecimento de redes de lavagem de dinheiro que operam no Afeganistão e regiões próximas.

Antes que as autoridades possam dizer se os envios de ouro fazem parte de um esquema financeiro ilegal, porém, elas primeiro precisam descobrir quanto ouro está saindo – ou entrando.

Essa é uma tarefa de difícil realização. O Ministério das Finanças, que deveria recolher impostos sobre cada envio, não tinha números, argumentou Wahidullah Tawhidi, um porta-voz do ministério. Ele sugeriu que o Ministério do Comércio pudesse saber. O Ministério do Comércio não sabia, e autoridades de lá disseram que seria melhor contatar funcionários da alfândega do aeroporto.

No aeroporto, um relutante funcionário da alfândega, que só falou sob condição de anonimato, afastou preocupações sobre um aumento nas remessas de ouro para fora do Afeganistão.

Ele concluiu a conversa com a enigmática promessa de algum dia compartilhar "a verdadeira história do que está acontecendo com o ouro".

M.Y. Rassuli, o presidente do aeroporto, declarou que os envios haviam começado a aumentar no verão. Ele acrescentou que não poderia dar detalhes, pois lida com operações, e não com a alfândega – mas expressou frustração com o problema.

"Sendo 5 quilos ou meia tonelada, isso não é algo comum de se transportar", disse ele numa entrevista. "É por isso que o Afeganistão é o número 1 em corrupção".

Sem conhecimento de quanto ouro está indo embora, é impossível calcular o valor do comércio. Mas formulários da segurança do aeroporto cobrindo as últimas duas semanas de outubro indicam que 254 quilos, valendo cerca de US$ 14 milhões, foram carregados como bagagem de mão para fora do Afeganistão naquele período.

Essa é uma soma principesca num dos 10 países mais pobres do mundo. No entanto, talvez uma medida do atual estado das coisas no Afeganistão seja que aparentemente ninguém – nem os reguladores dos bancos afegãos, nem os investigadores americanos e nem os especialistas econômicos europeus – tenha achado particularmente notável que o ouro tenha se juntado às cédulas nos céus do Afeganistão.

O acréscimo do ouro à fuga de dinheiro do país, segundo a autoridade afegã, só prova que "se uma coisa tem valor e podemos colocá-la no bolso, alguns de nós certamente irão voar com ela".

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