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25/11/2012 - Surgiu / Agência Globo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Quadrilha que usava sites falsos de compras chegou a desviar R$2 milhões

Golpistas se aproveitam do mercado de vendas pela internet e oferecem produtos que não são entregues.

Os depoimentos são de vítimas diferentes, mas ajudam a contar a mesma história.

“Estava fazendo pesquisa em um site de pesquisas de preço e encontrei essa loja. Acreditei que o preço estava bem em conta porque eles pediam para pagar em boleto bancário”, diz uma mulher.

“Boa reputação e boa recomendação. Fui pesquisar os dados dele na Receita Federal, dados bancários, tudo ok. Depois de mais uma semana mais ou menos, entrei em contato de novo, o telefone começou a dar que não existia mais”, conta um homem.

“A gente procura o mais barato, mesmo com pouca diferença. No outro dia eu fui lá, não tinha nada. Paguei à vista, R$ 799”, explica outro consumidor que foi prejudicado.

“Passaram esses dez dias, eles desligaram os telefones e ninguém do Brasil todo conseguiu falar com eles”, lembra mais uma pessoa.

Todos são vítimas de uma mesma fraude na internet: pagaram por produtos que nunca foram entregues.

Os golpistas se aproveitam de um mercado que só cresce no país. Só no ano passado, mais de 24 milhões de brasileiros fizeram compras online. E, no primeiro semestre de 2012, o setor faturou mais de R$ 10 bilhões.

A denúncia dos consumidores enganados levou a polícia a uma quadrilha especializada nesses golpes. Você vai ver em detalhes como agiam os estelionatários. Montavam sites falsos, ofereciam de tudo e não entregavam nada.

Para desmascarar a quadrilha, o Fantástico caiu, de propósito, no golpe virtual. No dia 22 de outubro, compramos uma câmera fotográfica em um dos sites da quadrilha, por R$ 406.

Segundo a pessoa que atendeu ao telefone, o prazo de entrega seria de dez dias úteis, mas o produto chegaria antes.

A página tinha três telefones de contato: um em Palmas, no Tocantins, um em São Paulo e um no Rio. Mas todas as ligações caíam no mesmo endereço: uma mansão em Palmas (TO). Fomos atendidos por Washington Marques Carneiro, que garantiu que a compra era segura. “Estamos há mais de um ano no mercado e queremos continuar muito tempo”, afirma Washington.

Segundo a Polícia Civil de Goiás, eles agiam havia dois anos. Já tomaram mais de R$ 2 milhões de vítimas de vários estados.

No dia em que foi comprada a câmera em São Paulo, a equipe do Fantástico, ao mesmo tempo, acompanhou a movimentação da quadrilha, a mais de 1.700 quilômetros de distância. A informação era de que a quadrilha tentaria sacar o dinheiro do golpe.

Os dois chefes do grupo chegam em uma Mercedes. Franco Douglas Andrade Castro acessa a conta no caixa eletrônico. E Washington, aquele que atendeu ao telefone, procura a gerente do banco usando um nome falso.

Em uma gravação, Washington encomenda carteiras de identidade falsas.

Washington – Você mandou fazer o do Marcelo, né?
Homem – Foi.
Washington – Você mandou fazer com a sua cara ou com a do Lampião?
Homem – Lampião.
Washington – Podia pegar esse outro do Giovane e fazer sua cara, não? E já deixava as duas prontas.

Todos os endereços usados pela quadrilha para abrir as contas bancárias são falsos. Em um deles, por exemplo, deveria ser a residência de um dos integrantes do grupo. Mas, na verdade, o que funciona no local é uma escola municipal.

Nos dias seguintes, a equipe do Fantástico continuou no shopping em Palmas (TO). Meio-dia e meia é o horário no qual a quadrilha costuma ir ao banco para sacar o dinheiro do golpe. Eles foram várias vezes.

Segundo a polícia e o serviço de inteligência dos bancos, eles tentavam sacar R$ 360 mil, tudo de uma vez. Mas o dinheiro já estava bloqueado pela Justiça.

Em outro telefonema, Washington relata a conversa com a gerente do banco. “Ela falou ‘Marcos, pode procurar seus direitos, fazer o que você quiser. Não tem tempo determinado para desbloquear essa conta’. E ainda deu um sorrisinho, ‘bota o burro na sombra’, falou desse jeito”, conta ele, rindo.

Em outra gravação, Washington atende a uma das vítimas do golpe, que quer o dinheiro de volta.

“Essa loja não vai me entregar o material, que eu já estou sabendo. Eu vou fazer o seguinte: não é uma ameaça, mas simplesmente eu vou ter que tomar uma ação”, diz a vítima.

“Eu não sei nem o que você está falando”, responde Washington.

Os golpistas gastavam o dinheiro das vítimas em automóveis caros, casa de luxo e até passeio de helicóptero no Rio de Janeiro. Faziam graça com a fortuna fácil. E chegavam a montar vídeos para exibir a boa vida.

“Era uma quadrilha muito bem organizada. No site, tinha o telefone da suposta empresa, que, na verdade, só existe no papel”, conta o delegado Valdemir Pereira da Silva.

Na semana passada, a polícia prendeu seis integrantes do grupo: Franco Douglas Andrade Castro, Jefferson Cristiano dos Santos, James Muller Andrade Castro, Marcelo Chavez Vanderley, Karmenvanda Soares Martins e Priscilla Maurício Pires.

Parte da quadrilha foi presa na casa de 900 metros quadrados, em Palmas, que também servia de escritório.

Foram encontrados muitos celulares, computadores, máquinas de pagamento com cartões de crédito e débito e vários documentos falsificados.

Washington Carneiro, aquele que atendeu ao produtor do Fantástico, está foragido.

Em depoimento, Jefferson dos Santos admite que sabia das fraudes. “Eu sabia que eles falavam de site, mas que eles montavam assim... Tanto que me convidaram, já me convidaram para atender ao telefone”, conta Jefferson.

Jefferson usava documentos falsos para abrir empresas e contas em bancos. Em uma agência, ele disse que se chamava Marcelo.

Jefferson confessa que sabia dos golpes: “Eu sabia, entendeu? Me prometeu R$ 5 mil, mas só me deu R$ 1.500 para abrir essas contas para eles”.

Franco Douglas foi preso num apartamento. Com eles a polícia encontrou comprovantes de pagamento das vítimas.

O delegado Valdemir Pereira da Silva revela que a quadrilha montou vários sites.
“Quando a vítima descobria que caiu em um golpe, a quadrilha imediatamente retirava o dinheiro da conta bancária e logo em seguida abria um novo site. E assim por diante”, afirma o delegado.

Para a polícia, o grupo pode ter criado mais de dez sites fraudulentos. Dois já foram identificados: New Best Shop e Free Shop Informática. Eles estão fora do ar.

Segundo as investigações, o dinheiro dos golpes era aplicado em uma loja de perfumes no maior shopping de Palmas (TO). O objetivo era lavar o dinheiro sujo da fraude.

O advogado de Franco Douglas nega irregularidades. “Meu cliente é empresário tradicional em Palmas, já antigo, tem duas lojas lícitas”, diz o advogado Gilberto Carlos de Morais.

Ele também defende Jefferson, James, Washington e Karmenvanda. E diz que nenhum dos clientes tem ligação com as páginas falsas.

“Todos eles aqui são primários, nunca foram presos na vida. A autoridade policial vai ter que provar que eles eram donos desses sites”, afirma Gilberto.

Marcelo Vanderley e Priscilla Pires não têm advogado e não foram encontrados pelo Fantástico.

O grupo vai responder por estelionato, formação de quadrilha e falsidade ideológica.

Um mês depois de comprarmos a câmera fotográfica que nunca chegou, a loja na internet não existia mais. E, pelo telefone, a chamada era encaminhada para a caixa de mensagens.

Em um site especializado em defesa do consumidor, as reclamações sobre compras na internet são as mais comuns.

“Este ano, nós recebemos 3 milhões e 600 mil reclamações, sendo 700 mil reclamações só sobre lojas virtuais”, conta Maurício Vargas, presidente do site Reclame Aqui.

Mas o especialista Renato Opice Blum considera seguro, na grande maioria dos casos, comprar pela internet no Brasil.

“O comércio eletrônico brasileiro apresenta um índice de fraudes muito pequeno e ainda esperamos que ele continue assim. Porém, todo cuidado é pouco”, alerta Renato Opice Blum, advogado especializado em direito eletrônico.

Preste atenção a algumas dicas:

Desconfie. Preços muito baixos e ofertas mirabolantes podem ser chamarizes de golpe.

Busque, na própria internet, o que as pessoas estão dizendo sobre a loja.

Comece procurando as reclamações!

“Os resultados positivos de forma isolada não são elementos que podem levar a uma certeza de que aquela empresa é confiável. O consumidor deve combinar esses resultados positivos com os resultados negativos, com as reclamações”, explica o advogado especializado em direito eletrônico Renato Opice Blum.

Se estiver visitando um site desconhecido, compare com as lojas virtuais mais famosas.

“Compare também a política de privacidade, os termos de uso, os prazos de entrega, o formato de devolução do produto, de devolução do dinheiro”, ensina Renato.

E se perceber que caiu em um golpe, procure a polícia.

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