Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


Acompanhe nosso Twitter

22/10/2007 - Gazeta do Povo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Prova segura: Medidas simples e alta tecnologia ajudam universidades a coibir cola

Por: Marcela Campos


Três acadêmicos do curso de Medicina da Faculdade Evangélica do Paraná foram presos no fim de julho por fraudar o vestibular 2007 da instituição. Os estudantes foram acusados de pagar cerca de R$ 30 mil para que outras pessoas fizessem a prova em seu lugar. O golpe foi descoberto quando as impressões digitais dos candidatos que participaram do concurso foram cruzadas com as dos alunos que realizaram a matrícula. O caso despertou a atenção da imprensa e mostrou que as instituições de ensino estão mais cautelosas. Para garantir a lisura de seus processos seletivos, faculdades e universidades têm endurecido as medidas de segurança aplicadas antes, durante e após a realização das provas.

1 Alimentos, acessórios e equipamentos eletrônicos

Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), o consumo de alimentos durante as provas – incluindo chocolates, balas e barras de cereais – está proibido. Os candidatos que por motivos médicos precisarem se alimentar devem solicitar ao aplicador de provas o encaminhamento até a sala de inspeção. Garrafas de água só são permitidas se forem transparentes e estiverem sem o rótulo. Um dos principais acessórios da moda jovem, o boné também está banido das salas de prova, assim como o relógio de pulso. O rigor se estende aos equipamentos eletrônicos: pagers, calculadoras, agendas eletrônicas e celulares devem ser desligados e colocados em um saco plástico, longe do alcance dos estudantes. O objetivo é evitar que sejam utilizados para a transmissão do gabarito. “Tocou o celular, a pessoa é eliminada. A cada concurso, cerca de três alunos são eliminados por este motivo”, calcula o coordenador do vestibular 2008 da UFPR, João Carlos Possamai.

2 Identificação por digitais

A UFPR e a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) recolhem as impressões digitais de todos os vestibulandos em todos os dias de prova. O procedimento se repete durante a matrícula dos estudantes ou no transcorrer do curso de graduação. A medida pretende combater os chamados “pilotos”, estudantes que fazem as provas no lugar dos candidatos inscritos. Na UTFPR, são checadas as digitais de todos os candidatos. As impressões são ampliadas em um visor e analisadas individualmente por funcionários treinados. “O processo é trabalhoso. Para comparar as digitais dos 1.958 estudantes que entrarão no próximo vestibular, levaremos pelo menos três meses”, afirma Lauro Gursky Júnior, membro da Comissão Permanente de Processos Seletivos (Copps) da UTFPR. Na Federal, o cruzamento das digitais é realizado por amostragem. “Não há como cruzar as impressões de todos os 4.100 alunos que são aprovados no vestibular da Federal”, diz o professor Possamai.

3 Detector de metais

Há cerca de três anos, a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) passou a usar detectores de metais em seus processos seletivos. “No momento em que o candidato entra na sala, ele precisa se desfazer de tudo, até mesmo de anéis, colares e pulseiras. Os objetos ficam num saco plástico junto com o aplicador da prova. Quando o vestibulando pede para ir ao banheiro ou sai da sala por outro motivo, o detector é utilizado. Se o aparelho percebe alguma coisa, solicitamos a entrega do objeto”, afirma o diretor de vestibular da instituição, João Carlos Catellan. A medida também é utilizada pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). “A cada vestibular, aproximadamente 12 candidatos são eliminados por irem ao banheiro com celular”, afirma o presidente da Comissão Permanente de Seleção da UEPG, Antônio Carlos Schafranski.

4 Distribuição de candidatos

Na Tuiuti, o processo de distribuição dos candidatos pelos locais e salas de prova é realizado aleatoriamente, para evitar que conhecidos se sentem lado a lado. Mas nem sempre foi assim. “Antigamente, a distribuição era feita pelo número de inscrição e era possível prever que alunos ocupariam cadeiras próximas. Porém, recebemos uma denúncia anônima segundo a qual um candidato tentaria passar as respostas das provas para os demais e decidimos mudar a forma de disposição dos alunos”, explica o coordenador do processo seletivo da instituição, Waldir Roberto Gomes Mattos. Já na UFPR, os concorrentes são colocados na mesma sala. Um vestibulando de Ciências Biológicas, por exemplo, irá se sentar ao lado de um candidato ao mesmo curso. Com isso, a chance de um estudante passar cola para o outro diminui consideravelmente.

5 Acesso restrito às provas

As medidas de segurança começam muito antes do dia do vestibular. Para dificultar o vazamento de informações sobre as provas, as questões do processo seletivo da Tuiuti são sorteadas pouco antes do concurso. “Temos um banco de dados com aproximadamente 500 perguntas de cada disciplina. Destas, seleciono apenas oito por matéria. Só eu sei as questões que vão cair. Na hora da impressão das provas, um segurança permanece na gráfica para evitar que outras pessoas vejam o exame”, afirma o coordenador do processo seletivo da universidade, Waldir Roberto Gomes Mattos.

6 Permanência nas salas de prova

Na UEPG, os candidatos só podem deixar a sala após o término do horário previsto para o concurso. “Os estudantes têm três horas para resolver todas as questões e ninguém sai antes disso, mesmo que já tenha concluído a prova”, explica o presidente da Comissão Permanente de Seleção da universidade, Antônio Carlos Schafranski. Segundo ele, a norma impede que os candidatos que terminaram o exame mais cedo repassem o gabarito para os demais.

7 Gabaritos diferentes

A UTFPR elabora quatro provas diferentes, embaralhando as alternativas de uma mesma questão. A medida, adotada também pela UFPR, dificulta a cola nas salas de prova e o esquema de transmissão
de respostas por terceiros, de fora do local.

8 Rastreamento eletrônico

A UFPR contrata uma equipe especializada em rastreamento de comunicação para detectar o envio ou a recepção de mensagens eletroeletrônicas nos locais de aplicação das provas. “Se há transmissão de dados, comunicamos a Polícia Federal. Há dois agentes da PF em cada local de prova”, explica o professor Possamai.


Cola high-tech

A famosa cola em provas e vestibulares, que há alguns anos não passava de pedacinhos de papel escondidos na manga da camisa ou dentro do sapato, virou assunto de profissional. Nos últimos anos, algumas tentativas de fraude ganharam exposição devido à criatividade e à tecnologia empregada pelos envolvidos. Em janeiro de 2006, uma tentativa de cola terminou com a prisão em flagrante de quatro candidatos ao curso de Medicina da Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro. A instituição recebeu denúncia dias antes da prova e procurou a polícia, que flagrou os estudantes nos banheiros com celulares escondidos em palmilhas ocas nos tênis. As respostas da prova seriam transmitidas pelo telefone. Cada vestibulando pagou cerca de R$ 15 mil para ter acesso ao gabarito. Em 1999, a universidade desmanchou um sistema digno de filmes de espionagem. Em parceria com a Polícia Civil, localizou um grupo de estudantes que recebia as respostas a partir de pagers embutidos em borrachas. De um carro estacionado a 300 metros do prédio eram enviados sinais de rádio com o gabarito das questões.

A UFPR, a UTFPR, a Tuiuti e a UEPG informaram que nos últimos cinco anos não sofreram nenhuma tentativa de fraude em seus processos seletivos. Já a Unioeste chegou a abrir sindicância para apurar irregularidades no vestibular de 2005. Naquele ano, a instituição descobriu que uma das candidatas estava sendo investigada pela polícia por fraudar processos seletivos de outras universidades. “Ela se inscrevia no exame, fazia a prova e repassava o gabarito para outros estudantes por pontos eletrônicos”, explica o diretor de vestibular, João Carlos Castellan. Segundo ele, porém, a vestibulanda não compareceu ao local de prova e as suspeitas foram descartadas.

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 569 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Patrocínios




NSC / LSI
Copyright © 1999-2016 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal