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07/12/2012 - Yahoo Notícias / Agência Globo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Executivo lucrou R$ 2,3 milhões com fraude de ações da Mundial

Por: Daniel Haidar


RIO - A manipulação do preço das ações da Mundial rendeu R$ 2,328 milhões entre maio de 2010 e junho de 2011 a Rafael Ferri, um dos executivos acusados de fraudar a negociação na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) dos papéis da pequena fabricante de talheres e alicates. De acordo com o Ministério Público Federal, Ferri recebeu informações privilegiadas diretamente do presidente e controlador da Mundial, Michael Ceitlin, com o objetivo de turbinar o preço da ação. Para auxiliar na empreitada, Ferri instruiu oito ex-sócios da TBCS Investimentos, que operaram em nome próprio ou para clientes.

A mensuração dos lucros com as fraudes foi feita pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com o levantamento, Diego Buaes Boeira teve lucro de R$ 188 mil, enquanto Guilherme Toro ganhou R$ 288 mil e seu irmão, Rafael, R$ 313 mil. Um dos acusados, Jorge Hund Junior, chegou a apresentar pequeno prejuízo nas operações em seu nome, mas seus clientes "obtiveram forte lucratividade", segundo a Procuradoria da República.

O procurador José Osmar Pumes relatou que o grupo organizou uma estratégia para manter as ações valorizadas. Consistia na disseminação de informações favoráveis, na sonegação de informações estratégicas e na realização de uma série de operações combinadas entre partes relacionadas. Pumes argumenta que o modo de atuação "enquadra-se, com perfeição, à prática conhecida no mercado como pump and dump (bombear e largar)". Ele destacou que isso costuma ser feito com a disseminação de informações positivas sobre a empresa para gerar maior interesse em outros investidores.

No período em que a valorização artificial ficou mais expressiva, a ação ordinária (ON, com voto) acumulou valorização de 2.821%. Saiu de uma cotação de R$ 0,24 em 1º de março de 2011 para R$ 7,01 em 19 de julho de 2011, o maior patamar da história dos papéis. Já as ações preferenciais (PN, sem direito a voto), que não são mais negociadas atualmente, dispararam 1.594%, de R$ 0,30 em 1º de março de 2011 para R$ 5,11 em 19 de julho de 2011. Dias depois de atingir o topo, os papéis preferenciais despencaram para R$ 0,69 sem motivo aparente. Isso fez a Bovespa publicar comunicado em 22 de julho no qual apontava indícios de transações atípicas com os papéis.

"A expressiva variação em um lapso temporal extremamente curto, somada ao fato de não haver uma causa subjacente que justificasse tamanha movimentação e variação financeira, configuravam indícios importantes da manipulação do mercado", diz a denúncia do Ministério Público.

Uma lista apreendida no computador de Ferri ajudou a desvendar como o grupo monitorava e controlava as negociações das ações da Mundial. O documento continha uma relação da quantidade de ações dos acusados e de seus clientes. Assim, podiam combinar compras e vendas para evitar a queda dos papéis. Segundo o Ministério Público, Ceitlin ajudou nessa manipulação ao enviar rotineiramente e ilegalmente para Ferri uma lista com os acionistas da companhia e a respectiva participação societária. Ao GLOBO, o empresário diz que agiu dentro da lei.

Para criar uma imagem que atraísse investidores, Ceitlin chegou a fabricar notícias que não eram condizentes com a realidade da empresa, segundo as investigações. O número de fatos relevantes divulgados pela Mundial saltou de 11 em 2010 para 132 em 2011, diz relatório da Polícia Federal. Um dos comunicados sob suspeita informava que uma empresa foi contratada para estruturar uma emissão de títulos de dívida (eurobonds) para captar US$ 100 milhões e melhorar o perfil do endividamento da Mundial. Nunca foi feita a operação. O Ministério Público também considera fictício um acordo com a gestora norte-americana Yorkville Advisors, pelo qual a Mundial receberia US$ 50 milhões.

Ceitlin diz que tudo era verdade. "Tudo o que foi comunicado se materializou, inclusive o aporte do próprio Fundo YA Global. No que se refere a emissão de eurobônus, o contrato com a consultoria especializada responsável pela estruturação foi firmado. O lançamento foi prejudicado com a eclosão da crise no mercado europeu e não pode ser levado adiante", diz nota do presidente da Mundial enviada ao GLOBO.

O processo criminal para tratar das fraudes na Mundial foi aberto na última terça-feira na 1ª Vara Federal Criminal de Porto Alegre. Ferri e Ceitlin respondem por uso indevido de informação privilegiada, formação de quadrilha e manipulação de mercado. O resto do grupo é acusado somente pelos últimos dois crimes.

O advogado Fabio Medina Osório, que defende Guilherme e Rafael Toro, afirmou que seus clientes declaram "inocência" e "estão dispostos a colaborar com a Justiça".

Após deixarem a TBCS, alguns dos acusados voltaram a abrir empresas para atuar como agentes autônomos, função em que atuam como intermediários entre clientes e corretoras. Rafael Ferri abriu a Quantix Investimentos e hoje é sócio da Four Partners, junto com Rafael Weber Toro. Jorge Hund Junior aparece como sócio da QE3 Investimentos. Guilherme Weber Toro entrou como sócio da RPI Nova Era Investimentos, Eduardo Vargas Haas, da BRS agentes autônomos de investimentos, e Diego Boeira, da Excellence Investimentos.

Mas, de acordo com a CVM, nenhum deles possui atualmente contrato com corretora e por isso não podem distribuir ações, títulos, derivativos ou cotas de fundos de investimento.

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