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06/12/2012 - R7 / New York Times Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Política dificulta investigação de fraude bancária em Cabul


Cabul, Afeganistão – Uma persistente interferência política vem dificultando esforços para desvendar a colossal fraude no Banco de Cabul, com o presidente Hamid Karzai e um pequeno painel de seus principais assessores indicando aos promotores quem deve ou não ser acusado, segundo autoridades afegãs e ocidentais e os resultados de uma investigação pública sobre o escândalo.

De acordo com um relatório, preparado por uma comissão independente contra corrupção a pedido do Fundo Monetário Internacional, os assessores de Karzai telefonaram a promotores para lhes dizer quem seria indiciado na fraude e colapso do Banco de Cabul, chegando a especificar quais acusações deveriam ser feitas. Um alto funcionário do governo afegão com conhecimento das decisões, falando sob condição de anonimato, afirmou que Karzai estava entre aqueles que tomavam diretamente as decisões.

Karzai já havia indicado que faria isso. Ahmad Qaderi, um alto funcionário da procuradoria geral do Afeganistão, admitiu o papel do presidente no ano passado, declarando a jornalistas: "O presidente Karzai decidirá quais contas devem ser liquidadas e quais vão aos tribunais".

As acusações no caso, em junho, foram recebidas como importantes primeiros passos em finalmente levar responsabilização aos funcionários públicos que lucravam com um esquema de fraude envolvendo centenas de milhões de dólares – e que derrubou o Banco de Cabul em 2010. Mas alguns eram preocupantes: segundo o relatório e autoridades afegãs, a lista de indiciados incluía proeminentes reguladores financeiros que tentavam desembaraçar a confusão no banco e vinham tendo confrontos com a administração de Karzai.

Além disso, algumas das pessoas que tinham grande participação no banco e recebiam milhões em empréstimos sem expectativa de reembolso, incluindo o irmão do presidente, Mahmood Karzai, e Haseen Fahim, irmão do vice-presidente afegão, escaparam sem acusações.

Aimal Faizi, porta-voz do presidente, declarou que Karzai responderia a todas as "alegações" sobre seu governo na crise do Banco de Cabul numa coletiva de imprensa.

O novo relatório de inquérito, junto à revelação dos detalhes de uma auditoria forense feita pela Kroll Investigations (que descreveu o Banco de Cabul como um esquema Ponzi para canalizar lucros a uma dúzia de membros da elite do país), é uma formalização das frustrações e suspeitas que muitas autoridades afegãs e do Ocidente já tinham sobre como o governo vem lidando com a investigação.

As implicações para o país são potencialmente enormes: o caso do Banco de Cabul está se transformando num teste para algumas das nações ocidentais doadoras – que precisam decidir se continuam jogando bilhões de dólares ao governo afegão enquanto a missão de combate da OTAN chega ao fim.

"Se não houver condenação desses caras", disse um alto funcionário ocidental, "os doadores pegarão pesado com eles. Sem o apoio de doadores, o governo pode desmoronar".

O funcionário falava especificamente sobre os dois homens suspeitos de orquestrar a fraude: Sherkhan Farnood, fundador e ex-presidente do Banco de Cabul, e Khalilullah Frozi, também ex-presidente.

Os dois são suspeitos de ter roubado os maiores valores, e estão sendo julgados ao lado de diversos executivos do Banco de Cabul que ajudaram a conduzir ou acobertar o desvio de quase US$ 900 milhões em dinheiro e bens.

O novo relatório de inquérito, feito pelo Comitê Conjunto Independente de Monitoramento e Avaliação Anticorrupção, chamou o início do julgamento de "uma importante realização".

No entanto, o mesmo relatório foi bastante crítico da decisão de acusar oito funcionários atuais e antigos do Banco Central do Afeganistão – que estavam envolvidos na investigação ou na limpeza do Banco de Cabul. As acusações contra eles vão de negligência por não revelar a fraude mais cedo a ajudar a ocultar os crimes cometidos no banco, e alguns deles estão sendo julgados.

Autoridades dos Estados Unidos e Europa acreditam que as acusações contra os reguladores, na melhor das hipóteses, são o resultado de uma investigação descuidada – ou, no pior dos casos, pretendem acabar com quaisquer investigações adicionais sobre o Banco de Cabul.

Nem o relatório de inquérito e nem a auditoria forense encontraram evidências de que funcionários do banco central fossem cúmplices. A auditoria detalhou como os reguladores trabalhavam sem recursos e treinamento, foram ativamente enganados pelos donos do Banco de Cabul e temiam que um excesso de pressão pudesse levar a uma debandada geral – o que realmente aconteceu quando o banco central acabou apreendendo os credores.

O relatório de inquérito descreveu o foco dos promotores sobre os reguladores, à exclusão de outros – uma aparente referência a Mahmood Karzai e Fahim – como "difícil de conciliar com o que se sabe atualmente sobre o Banco de Cabul".

O ex-governador do banco central, Abdul Qadir Fitrat, é acusado de não conseguir impedir a frade, além de acobertá-la. Ele fugiu do país no ano passado, após uma série de disputas com Hamid Karzai sobre como lidar com as consequências do escândalo.

Sendo julgado em Cabul está o chefe da unidade de crimes financeiros do banco central, Muhammad Mustafa Massoudi, que trabalhou em estreita colaboração com autoridades americanas no caso do Banco de Cabul e outras investigações, incluindo ao menos uma que tinha como alvo uma pessoa próxima de Hamid Karzai.

Uma autoridade dos Estados Unidos disse acreditar que Massoudi estava sendo acusado por ser "zeloso demais em tentar descobrir o que aconteceu no Banco de Cabul e em alguns outros lugares".

Numa entrevista, o vice-procurador geral Rahmatullah Nazari defendeu as acusações contra os funcionários do banco central – porque "eles sabiam dos problemas dentro do Banco de Cabul e não fizeram nada".

Ele comparou os reguladores com Mahmood Karzai e Fahim, descrevendo os dois homens como credores comuns, nada mais. Eles nem mesmo eram acionistas, disse ele.

Mas Mahmood Karzai e Fahim nunca esconderam suas participações de propriedade no banco. Karzai, na verdade, sempre admitiu ter comprado sua participação de 7 por cento com um empréstimo do próprio banco.

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