Monitor das Fraudes - O primeiro site lusófono sobre combate a fraudes, lavagem de dinheiro e corrupção
Monitor das Fraudes

>> Visite o resto do site e leia nossas matérias <<

CLIPPING DE NOTÍCIAS


FALSIDADE DOCUMENTAL NOS PROCESSOS ELETRÔNICOS

Veja aqui a programação deste inédito treinamento programado para o dia 20/12 em São Paulo

Acompanhe nosso Twitter

22/10/2012 - Guia Digital / Jornal do Comércio Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Incidência de casos de fraudes preocupa empresas

Por: Rafael Vigna


A segunda fase do julgamento do mensalão, dedicada à análise do crime de gestão fraudulenta por parte dos diretores do Banco Rural, e a retomada da ação no Ministério Público contra executivos do banco Panamericano trazem à tona um risco constante às empresas que atuam no País. Corrupção, suborno, desvios de ativos e conflitos de interesses, além de estarem entre as principais preocupações das corporações, têm em comum o fato de serem problemas diretamente relacionados ao comportamento das pessoas nas organizações.

De acordo com uma pesquisa da KPMG, realizada em faixas de faturamento entre R$ 250 milhões e R$ 3 bilhões, quase 70% dos entrevistados revelaram ter sofrido danos financeiros nos últimos dois anos. Entre as organizações consultadas, 77% tiveram prejuízos inferiores a R$ 1 milhão e 5% perderam mais de R$ 10 milhões.

Apesar do cenário, de acordo com o diretor da Squadra - empresa que atua em consultoria para as áreas de inteligência e segurança -, Leandro Longhi, a maioria dos casos ainda permanecem não revelados, por critérios de proteção às marcas no mercado. Entretanto, a opção de omitir os fatos, “para prevenir eventuais escândalos” pode prejudicar o processo de produção de provas para o ingresso de ações judiciais contra os envolvidos.

“O nível de preocupação no Brasil costuma ser muito baixo. A maioria tem carência de controles internos e auditoria. Muitas desconhecem os riscos. Nas pequenas, há a vantagem de uma maior proximidade com os donos. Mas nas médias, as ações de prevenção são praticamente nulas. É uma falta de cultura das empresas não possuir uma área específica de gestão de risco”, analisa o especialista. O primeiro passo para ampliar o grau de controle, segundo ele, é diagnosticar as fragilidades, as ameaças e vulnerabilidades. Com isso, comenta Longhi, é possível compor um indicador de risco, adaptável a cada segmento e área de atuação dos negócios.

Atentos ao problema, os coordenadores de Projetos da Fundação Getulio Vargas (FGV) João Roberto Peres e Paulo Hummel lançaram um programa de prevenção de fraudes corporativas. O objetivo, explica Hummel, é demonstrar que a união de processos pode viabilizar uma mudança da cultura organizacional e antecipar as características mais comuns das fraudes. Segundo ele, há uma tendência em focar as ações apenas após a ocorrência.

Ele destaca algumas falhas que as empresas cometem antes mesmo de contratar seus funcionários, como a falta de atenção às referências. Outra vulnerabilidade muito comum são os tradicionais “presentes” recebidos por fornecedores ou clientes, que podem gerar conflitos de interesses. “Se a empresa não definir seus limites, o profissional não saberá como agir corretamente. A falta de uma política pode abrir uma brecha para a corrupção e fraudes”, aponta Hummel.

Outro aspecto que permeia a incidência dos casos está diretamente ligado ao fator humano. A análise de alguns casos, assegura Peres, identificou a localização de desvios comportamentais em um determinado perfil de profissionais. Por isso, o programa de prevenção de risco deve envolver, além de áreas como auditoria e compliance, o departamento de recursos humanos, um dos principais setores na metodologia da FGV.

O próprio mercado tem cobrado maior comprometimento das empresas. Exemplo disso são as ações da BM&FBovespa e da CVM, que passaram, a partir de uma norma lançada em maio, a exigir das companhias de capital aberto a elaboração de códigos de conduta, que, diferentemente dos códigos de ética, possuem ingerência sobre os processos.

Metodologia amplia envolvimento de setores para evitar desvios

A metodologia da FGV Projetos prevê 12 políticas, 12 controles e 8 programas complementares de prevenção de fraudes. Um exemplo é a criação de um programa de delação segura. Embora ainda raro na maioria das companhias, o sistema pressupõe a existência de um ouvidor ou de um escritório independente e transparente para receber denúncias de funcionários, sem que haja riscos ou prejuízos pessoais com a identificação dos prejudicados.

Com a prevenção, diz um dos coordenadores de Projetos da Fundação Getulio Vargas (FGV) João Roberto Peres, existe maior ênfase nos códigos de conduta e é possível aumentar a incidência de atos de menor magnitude, que não aparecem nas auditorias contábeis.

Por isso, o programa da FGV contempla aspectos como RH seguro, código de conduta, política de segurança, antifraudes, antilavagem, auditoria interna focada em fraudes, controles extras focados na prevenção de fraudes, contratação de agentes departamentais, processos forenses corporativos, instrumentos de delação segura e programas de valorização do trabalho.

Brechas constitucionais dificultam a punição dos envolvidos

Diferentes tipificações quanto aos crimes financeiros e de ordem tributária dificultam a produção de provas contra os envolvidos em fraudes corporativas. Em dois dos casos mais comuns, conforme explica o advogado criminal e professor de direito penal da Pucrs, Marcelo Bertolucci, as punições são de média intensidade. A lei específica do controle dos crimes contra o sistema financeiro prevê reclusão de 2 a 5 anos. Já na lavagem de dinheiro, de 3 a 8 anos.

Mesmo assim, o jurista considera a legislação brasileira suficiente. “O problema não está na nossa lei. As dificuldades estão em uma série de questões que envolvem a necessidade de averiguação e residem na falta de provas de casos de fraude. Isso decorre de consequências como a postura da empresa, que não se esforça na produção das provas”, analisa.

O coordenador da FGV Projetos, João Roberto Peres, concorda com uma parcela da análise. Ele afirma que cabe às empresas assumirem as eventuais brechas constitucionais. “Pelo fato de não termos uma Justiça atuante, é preciso definir políticas claras de prevenção, que substituam a sensação de impunidade. Só assim as pessoas pensarão duas vezes antes de cometer o ilícito”, defende.

Página principal do Clipping   Escreva um Comentário   Enviar Notícia por e-mail a um Amigo
Notícia lida 295 vezes




Comentários


Nenhum comentário até o momento

Seja o primeiro a escrever um Comentário


O artigo aqui reproduzido é de exclusiva responsabilidade do relativo autor e/ou do órgão de imprensa que o publicou (indicados na topo da página) e que detém todos os direitos. Os comentários publicados são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores. O site "Monitor das Fraudes" e seus administradores, autores e demais colaboradores, não avalizam as informações contidas neste artigo e/ou nos comentários publicados, nem se responsabilizam por elas.


Patrocínios




NSC / LSI
Copyright © 1999-2017 - Todos os direitos reservados. Eventos | Humor | Mapa do Site | Contatos | Aviso Legal | Principal