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22/10/2012 - Época Negócios Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Nenhum país está preparado para o pagamento pelo celular

Por: Ligia Aguiar

Estudo da Mastercard mostra que usuários ainda resistem a adotar o aparelho móvel como meio de pagamento.

Não vai ser no curto prazo que o consumidor vai poder usar o seu telefone celular como ferramenta de pagamentos. O sonho de transformar o telefone em carteira foi desmistificado pelo relatório MasterCard Mobile Payments Readiness Index (algo como Índice de Preparo Para Pagamentos Móveis da MasterCard), uma pesquisa global conduzida pela Global Insights, braço da MasterCard que desenvolve estudos e dá consultoria sobre tendências no mercado de pagamento eletrônico para empresas, bancos e governos entenderem melhor o setor e suas tendências.

Na semana passada, o vice-presidente da Global Insights, Theodore Iacobuzio, esteve no Brasil para participar do 7º Congresso Brasileiro de Meios Eletrônicos de Pagamento a apresentar o levantamento. Um dia antes recebeu na sede da MasterCard, em São Paulo, a reportagem de NEGÓCIOS para falar sobre o que o estudo descobriu, explicar por que o mercado mundial ainda não está preparado para o pagamento por celular e o futuro desses sistemas. “As pessoas estavam baseando suas decisões no mercado mobile em folclore, sem ter uma base concreta. E o Index resolve essa necessidade”, diz.

A pesquisa avaliou o preparo de 34 países em três sistemas de pagamento móvel: o chamado peer-to-peer (P2P), no qual o telefone se transforma em uma carteira; o mobile e-commerce (m-commerce), que é a venda de produtos no e-commerce por meio de aparelhos móveis; e pagamento móvel no ponto de venda (POS), que usa a transferência de pagamentos de um telefone para o outro.

O ranking mostra o desenvolvimento dos países para esses tipos de sistemas em uma escala de zero a 100. Entre os 34 países analisados, o primeiro colocado e, portanto, mais preparado, é Cingapura. O país atingiu um índice de 45.6, menos da metade do esperado. Já o Brasil é o 16º colocado, com 33.4. Na lanterninha está a Argentina, com 22.4. “Quem fala que o pagamento móvel já acontece hoje está errado. Vai acontecer, mas ainda é cedo e nenhum país está se destacando”, afirma Theodore.

O Brasil aparece no estudo com bons índices de preparo das financeiras, infraestrutura e regulamentação para adoção de sistema. O preparo do consumidor, porém, ainda é considerado muito pequeno, embora dentro da média mundial. O estudo aponta que 14% dos consumidores brasileiros estão familiarizados com sistemas de pagamento móvel e 19% querem testar esses sistemas.

O estudo Readiness Index, disponível no site da Mastercard (http://mobilereadiness.mastercard.com/), traz ainda outras informações curiosas. O Quênia, por exemplo, surpreendentemente tem os consumidores mais preparados para usar os sistemas de pagamento móvel, já que 89% das pessoas no país já usam algum sistema do tipo.

Para entender melhor esses dados e o futuro do pagamento por celular, conversamos com Theodore Iacobuzio. Confira os principais trechos.

Que tipo de soluções específicas de pagamento móvel a MasterCard está desenvolvendo para o Brasil?
Há a joint venture com Telefônica, tem a carteira MasterCard que será lançada nos Estados Unidos este ano e depois globalmente. De modo geral não faremos nada de diferente no Brasil que não será feito também no resto do mundo.

Como será o modelo de pagamento lançado por vocês para transformar o celular em uma carteira móvel?
Esse sistema foi criado em parceria com a PayPass e vai colocar todas as funcionalidades existentes hoje no chip dos cartões de crédito no celular. Não se trata de criar uma nova estrutura, mas de colocar na plataforma móvel uma estrutura que já existe.

E a partir de quando o consumidor de fato vai poder usar seu celular como carteira? Ainda são poucas as tecnologias nesse sentido...
Quando eu não sei. O que existem são duas evidências. Um delas é que ainda é muito cedo. Nós criamos uma escala no estudo de zero a 100 e o algorítimo com muito cuidado para refletir o progresso da indústria. O mercado mais avançado, Cingapura, tem uma nota 45.6. Ainda não chegou nem na metade do esperado. Por isso acreditamos que ainda é muito cedo para essa mudança acontecer e que existe muita especulação sobre a tecnologia que existe hoje nesse sentido. Quem fala que o pagamento móvel já acontece hoje está errado. Vai acontecer, mas ainda é cedo e nenhum país está se destacando. Mas se você olhar os mercados mais desenvolvidos da nossa lista, vai ver que o quarto colocado é o Quênia, uma pobre nação africana. Eles criaram um sistema próprio de pagamento por telefone, o M-Pesa (sistema que permite a transmissão de pagamentos de um celular para outro), porque eles não confiam no sistema bancário local. Hoje podemos dizer que nesse aspecto nenhum país está a frente deles. Ainda assim, não dá para saber quando o pagamento móvel vai pegar. Há inúmeras questões tecnológicas, de mercado, entre outras, a serem trabalhadas.

Qual o maior entrave? Questões tecnológicas ou um acordo com os bancos?
Há dois lados. Um é entrar em acordo com os bancos, porque você precisa de todos os players unidos para o sistema funcionar. O pagamento mobile vai inserir mais um player no setor, que são as empresas de telefonia. Você tem que alinhar todos. Do outro lado, você tem que convencer consumidores que essa é uma maneira melhor de fazer pagamento do que usando dinheiro e que é mais eficiente do que os cartões de plástico que eles já possuem. E há dois tipos de consumidor. Um são consumidores que têm cartões e o outro, a parte mais interessante, é a inclusão das pessoas que não têm uma conta no banco. Elas não têm ligação com o sistema bancário, mas certamente possuem um dispositivo móvel. Se você colocar as funções de um banco nesse sistema, isso vai gerar um benefício social.

Por que o consumidor ainda está resistente em usar sistemas de pagamento móvel?
Eu acho que é porque eles estão acostumadas ao que eles têm hoje. Se a pessoa tem cartão, usa cartão. Se não tem paga em dinheiro. O que nós descobrimos na nossa pesquisa, especialmente nos Estados Unidos, é que as pessoas procuram controlar seus gastos e sua poupança, porque elas entraram em uma série de problemas há quatro anos por gastar muito no cartão de crédito. Se você colocar o sistema inteiro de débito, crédito e de economias em uma tela que a pessoas consigam acompanhar pelo telefone sua situação financeira a cada gasto, você terá uma ferramenta poderosa.

Como o pagamento móvel vai afetar a relação entre bancos e consumidores?
Acredito que vai tornar o banco muito mais próximo do consumidor. Seu eu tenho uma conta corrente, cartão de crédito e poupança com uma instituição e todas as minhas contas estão disponíveis no telefone, o banco tem a chance de ter uma relação muito mais próxima comigo enquanto consumidor, porque ele sabe quais são minhas prioridades e, assim, me ajuda a escolher o melhor meio de pagamento. Essa ideia de controle é uma oportunidade para o banco se tornar parceiro do cliente e prover informação.

Que tipo de informação?
Por exemplo, imagine que sou um jovem com um cartão de débito, R$ 500 na minha poupança e um cartão de crédito. E eu vejo algo que quero comprar. O banco pode me dar oportunidade de financiar esse bem ou me dar bonificações em tempo real pela compra. Ele pode criar uma relação mais íntima, porque o telefone é um aparelho dinâmico. Para eu ver hoje quanto eu gastei em um cartão preciso ir até o computador e consultar. Com o celular eu posso ver isso em tempo real.

Como foi feito o Index e de que forma ele ajuda no desenvolvimento de novas soluções de pagamento?
Nós olhamos sempre para um período de 12 a 36 meses no futuro. Estamos interessados não no que acontece hoje necessariamente nem no que vai acontecer entre 5 a 10 anos, mas em ser um guia do que que vai acontecer de 1 a 3 anos. O relatório é público. Combinamos informação pública e pesquisa de mercado e desenvolvemos um algorítimo que elencou os 34 mercados mais preparados do mundo para o pagamento móvel. Depois disso nós adicionamos uma segunda camada de informações a esse algorítimo para uso interno, baseados nas necessidades da MasterCard. O interessante do relatório é que ele substituiu o folclore. As pessoas estavam baseando suas decisões no mercado mobile em folclore, sem ter uma base concreta. E o Index resolve essa necessidade.

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