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18/10/2012 - Diário da Manhã Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Psicóloga cai no golpe do namoro pela internet

Por: Cecília Preda

Vítima alugou veículo e deu folhas de cheques assinadas para suspeito. Prejuízos somam R$ 25 mil.

A psi­có­loga C.R., de 56 anos, foi ví­tima de um es­te­li­o­na­tário que agia na in­ternet. Se­gundo o de­le­gado res­pon­sável pelo caso, Ma­noel Borges, o acu­sado José Bar­bosa Jú­nior con­quis­tava mu­lheres pela rede para con­se­guir se apro­veitar fi­nan­cei­ra­mente delas. Em julho deste ano, o sus­peito con­venceu a mu­lher a as­sinar seis fo­lhas de cheque em branco e a alugar um carro no nome de C.R. O es­te­li­o­na­tário fugiu no veí­culo e é pro­cu­rado pela Po­lícia.

Se­gundo Ma­noel, o sus­peito já vinha apli­cando o mesmo tipo de golpe em todo o Brasil. “Em Minas, ele tem um man­dado de prisão em aberto. Nos Es­tados de São Paulo e Mato Grosso, mu­lheres pres­taram queixa contra ele ale­gando que o co­nhe­ceram na in­ternet e de­pois foram fur­tadas.”

C.R. conta que aquilo que era para ser um ro­mance se tornou um tor­mento em sua vida. Ela re­lata que co­nheceu José Bar­bosa Jú­nior em um site e de­pois de con­ver­sarem vir­tu­al­mente por dois meses, eles re­sol­veram se co­nhecer pes­so­al­mente.

Se­gundo ela, eles se apai­xo­naram e man­ti­veram um re­la­ci­o­na­mento de dois anos. “Ele me dava joias e pre­sentes caros. Pa­recia ser uma boa pessoa, dizia que era con­cur­sado pelo Ins­ti­tuto Na­ci­onal de Pro­pri­e­dade Pri­vada (Inpi). Nunca sus­peitei que ele fosse um es­te­li­o­na­tário”, conta.

De­pois de dois anos na­mo­rando, ele mo­rando em Ca­talão e ela em Goi­ânia, o casal se se­parou. No ano pas­sado, ele apa­receu e pediu para que C.R. o acei­tasse de volta. A mu­lher então re­atou o na­moro sem saber que ele pla­ne­java um golpe. Ela re­lata que, em julho deste ano, ele a con­venceu a abrir uma em­presa em Bom Des­pacho (MG). José afirmou que o ne­gócio seria lu­cra­tivo e que pre­ci­saria de di­nheiro para abrir um es­cri­tório para re­gis­trar pa­tentes e marcas.

“Como estou perto de me apo­sentar, me des­lum­brei com a ideia de ter uma nova car­reira, em que eu po­deria lu­crar e não ter o mesmo des­gaste que tenho atu­al­mente.” No en­tanto, a su­posta em­presa era só uma forma de con­se­guir o di­nheiro de C.R. Ela conta que ele a con­venceu de alugar um carro para fa­ci­litar as vi­a­gens ao in­te­rior. A psi­có­loga então fe­chou con­trato com uma lo­ca­dora de carros e deu seis fo­lhas de cheque em branco, as­si­nadas para José.

De­pois de pegar o carro, o ex-na­mo­rado sim­ples­mente de­sa­pa­receu, re­lata C.R. Ela diz que teve um pre­juízo de apro­xi­ma­da­mente R$ 25 mil com os “in­ves­ti­mentos” na su­posta em­presa. Se­gundo C.R., o homem furtou os equi­pa­mentos com­prados para o es­cri­tório (com­pu­ta­dores, TV LCD e ge­la­deira).

A mu­lher teve ainda que pagar R$ 1.612,80 pelo alu­guel do carro que não foi en­con­trado. “Eu não tenho con­di­ções fi­nan­ceiras de arcar com o alu­guel mensal desse au­to­móvel. Estou ten­tando ne­go­ciar com a lo­ca­dora até que o veí­culo seja lo­ca­li­zado”, de­sa­bafa C.R

Com tantos trans­tornos, C.R. luta para en­con­trar o carro. “Queria pedir a quem ver um carro Logan Re­nault, cor prata, com placa NYA -1563, ligue para a po­lícia. Sou uma pessoa ín­tegra e ho­nesta, nunca pensei que pas­saria por uma si­tu­ação dessas. Só quero meu nome limpo”, diz.

Para o de­le­gado, a his­tória de C.R. serve de alerta para aqueles que de­sejam en­con­trar um novo amor pela in­ternet. Se­gundo ele, quem sus­peitar que o “na­mo­rado vir­tual” quer se apro­veitar fi­nan­cei­ra­mente deve de­nun­ciar. Ele re­lata que muitas pes­soas que são ví­timas desse golpe ficam com ver­gonha de de­nun­ciar e isso pre­ju­dica o tra­balho da po­lícia.

“A gente sabe que não é fácil ser en­ga­nado, mas não po­demos deixar que cri­mi­nosos fi­quem im­punes. Quem for ví­tima deve ir a uma de­le­gacia e contar sua his­tória para que ou­tras pes­soas também não caiam nesse golpe”, afirma o de­le­gado.

Para o psi­có­logo André Reis, a ca­rência e von­tade de en­con­trar um com­pa­nheiro fazem com que muitas pes­soas fi­quem cegas di­ante de gol­pistas. “É normal que as pes­soas fi­quem mais frá­geis emo­ci­o­nal­mente em de­ter­mi­nados mo­mentos da vida, mas não po­demos nos deixar levar por isso”, alerta.

Se­gundo Reis, os es­te­li­o­na­tá­rios podem agir em qual­quer lugar, mas, na in­ternet, o pe­rigo é ainda maior. Se­gundo ele, na rede, o gol­pista pode fingir ser aquilo que não é. Isso pos­si­bi­lita que a pessoa que está do outro lado passe a fan­ta­siar e ide­a­lizar uma pessoa que não existe. “Na in­ternet, po­demos ser quem qui­sermos. Po­demos fingir termos um em­prego dos so­nhos, sermos ho­nestos... Po­demos usar de tudo para se­duzir o pró­ximo. E esse é o grande pe­rigo.”

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