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22/09/2012 - Boa Informação Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Vigia que teve RG falsificado consegue provar inocência após 9 anos

Por: Afonso Benites


Quando tinha 17 anos perdi meu documento de identidade e fui até uma delegacia registrar o B.O. Chegando lá, o delegado estava assistindo ao jogo do Corinthians e disse para eu ir para casa porque ele tinha mais o que fazer.

Eu era moleque e fiz o que ele mandou. Tirei a segunda via e ficou por isso mesmo. Só fiquei sabendo do problema quando arrumei meu primeiro emprego. Quando viram que eu tinha uma condenação me demitiram.

Achei estranho e fui buscar o que era a condenação. Foi então que descobri que quem achou meu documento fez uma falsificação dele. O “cara” tirou minha foto do RG e pôs a dele. Um tempo depois, esse homem foi preso em flagrante e condenado por porte de arma.

Desde que descobri isso, em 2003, minha vida tem sido um martírio. Fui demitido de dez empregos e reprovado em dez entrevistas. O motivo era porque era condenado.

Apanhei várias vezes da polícia. Uma vez a PM me quebrou todo porque eu não podia ficar depois das 22h na rua. Na outra, levei um tapa na cara dentro da empresa de digitação que eu trabalhava. O dono da empresa chamou um amigo dele que era policial. Esse policial me bateu e disse na frente de todo mundo: “Levanta, ladrão”.

Minha vida virou um inferno. Entrei com todos os recursos judiciais possíveis. Perdia sempre. Ninguém queria entender que o cara que foi preso era branco e eu sou moreno. Ele tinha o nariz mais fino que o meu e era mais alto. No B.O tinha esses detalhes. O problema é que o delegado que fez o flagrante não pegou as digitais do bandido.

Tive de cumprir a condenação em regime aberto. Me apresentava todos os meses no fórum. Foram quase dez anos. Se tivessem me prendido, teria menos prejuízo.

Imagina o que é no começo de sua vida profissional você receber tantas portas na cara? Sem emprego, fui abandonado pela minha mulher, vi minha filha passar fome, mas resisti. Poderia ser preso por outras razões. Fui chamado para entrar no mundo do crime, e não entrei.

Nesses tempo, entrei em depressão, tive problemas de saúde e não consegui terminar a faculdade de filosofia. O pior de tudo era vergonha da miséria moral. Não conseguia sustentar minha família.

A reviravolta na minha vida foi depois que a Defensoria Pública me ajudou com um último recurso judicial.

Em julho, o Tribunal de Justiça anulou o processo que me condenou. Para a Justiça me absolver, o defensor levou na audiência o PM que prendeu o falso Rafael, o advogado dele, a mulher que era a namorada desse bandido na época e o pai dela. Todos disseram que eu não era aquela pessoa que havia sido presa.

Nem assim, a promotora acreditou. Ela me disse que eu não tinha motivo para chorar porque a indenização que receberia já compensaria esses anos perdidos. Eu pensei comigo: “Quer trocar de vida comigo? Eu viro promotor e você, desempregada”.

Hoje, sou segurança em duas empresas. Para compensar o tempo perdido, trabalho dobrado. Cumpri a pena que não era minha e meu nome saiu, finalmente, do registro da polícia.
Agora, vou levantar a cabeça. Não tenho mais dom para ser vítima.

RESUMO

Após ser demitido de uma financeira, Rafael descobriu que seu documento de identidade havia sido falsificado. Alguém havia encontrado o documento e trocado a foto. Um tempo depois, esse homem foi preso e condenado por porte ilegal de arma.

A vida de Rafael se tornou um martírio, ele foi demitido de dez empregos e reprovado em outras dez entrevistas. O motivo era sempre o mesmo: sua condenação. Após nove anos, vários recursos judiciais, ele conseguiu anular a condenação do crime.

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