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10/09/2012 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Sargento suspeito de falsificar CNHs se recusa a falar em Ribeirão Preto

Integrante do Exército voltou para Osasco, onde está preso, confirma DIG. Delegado Paulo Piçarro quer encerrar inquérito em no máximo dez dias.

O sargento do Exército suspeito de participar de um esquema de falsificação de carteiras de habilitação se negou a responder perguntas na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ribeirão Preto (SP) na manhã desta segunda-feira (10). Ele é um dos 12 investigados há seis meses por facilitar a compra de documentos por até R$ 4 mil em Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans) e no Departamento Nacional de Trânsito (Detran) em Ribeirão, Jandira (SP), Osasco (SP), São Paulo e Estiva (MG).

Depois de comparecer à delegacia de Ribeirão nesta segunda-feira escoltado por funcionários do Exército, o militar de 39 anos voltou para Osasco, onde permanecerá detido temporariamente, de acordo com o delegado de Investigações Gerais, Paulo Piçarro. "Ele se recusou a responder qualquer tipo de pergunta", disse.

O suspeito estava preso em Ribeirão desde a última quarta-feira (5). Na ocasião, o advogado do sargento, Hamilton Pereira Júnior, disse ao Jornal da EPTV, que seu cliente não tinha envolvimento com o esquema de falsificação de CNHs. “Ele não tem nada a ver com isso. Acho que não tem nem motivo para prender”, afirmou.

Com bases nos últimos três depoimentos a serem obtidos até esta terça-feira (11) e com novas informações da Corregedoria Geral da Administração, o delegado de Ribeirão pretende encerrar o inquérito em no máximo dez dias.

Concluídas as investigações, Piçarro disse que poderá entrar com uma medida cautelar para pedir o fechamento das autoescolas envolvidas no esquema. “O Detran já está ciente, com certeza essa é uma possibilidade”, afirmou ao G1.

Carta anônima

Uma carta anônima endereçada à Corregedoria Geral da Administração que revela o esquema de falsificação de CNHs em Jandira reforça as informações obtidas pela DIG até agora. A prova foi confirmada pela corregedora Alexandra Comar de Agustini, que veio a Ribeirão para trocar dados, segundo Paulo Piçarro. “Essas pessoas que estamos investigando já estavam sendo investigadas pela Corregedoria havia um ano”, disse.

O esquema

Dois proprietários de autoescolas de Ribeirão e um de Jandira (SP), uma psicóloga credenciada pelo Detran, um auxiliar de despachante e uma secretária foram presos em Ribeirão Preto no dia 4. Outros suspeitos de participar do esquema foram presos em Osasco (SP), Jandira (SP), São Paulo e Estiva (MG).

A ação da DIG de Ribeirão Preto teve início há seis meses, após o recebimento de uma denúncia anônima. De acordo com o investigador Luís Carlos Hipólito, o primeiro passo para o interessado em obter o documento era procurar uma das autoescolas envolvidas. Em Ribeirão Preto, três estabelecimentos são citados no inquérito.

Em seguida, a pessoa era encaminhada a médicos e psicólogos, mas não era submetida a exames, já que comparecia ao consultório apenas para registrar as digitais no leitor. Os dados eram encaminhados para Osasco (SP), Jandira (SP) ou São Paulo, onde um operador da Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp) - que seria o sargento de 39 anos, segundo a DIG - inseria as informações em uma planilha que apontava a suposta aprovação do futuro condutor nos exames teóricos e práticos. "Os clientes nem chegavam a fazer esses exames", explica o investigador.

As carteiras de habilitação eram transferidas por um despachante para Ribeirão Preto e entregues aos motoristas. Além de emitir as carteiras falsas, a quadrilha também zerava a pontuação das CNHs, desbloqueando as irregularidades do documento para o motorista usá-lo normalmente.

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