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15/10/2007 - Jornal de Negócios Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Gestão e ética

Por: Rogério Fernandes Ferreira


Assistimos, no passado mês de Setembro, a um colóquio sobre a matéria em tópico, ao longo do qual fomos reflectindo, em dissonância. Disso se dá seguidamente conta: 1ª. As empresas são consideradas entidades produtivas, criadoras de valor. Pode assinalar-se que produzir não é criar. Isto ponderando que criação é acto do criador.
E que produzir corresponde a transformar algo em outro algo, que for mais desejável.

Diz-se que a empresa cria valor, mas talvez mais adequado seria assinalar que acrescenta utilidade. Dir-se-á que gera mais valor, mas, em termos de mercado. E há empresas a gerar perdas de valor (sofrem prejuízos). E outras com produção falhada em termos éticos – empresas dedicadas à produção de armamentos, drogas e outras coisas de matar.

2ª. Encontramos gestores de nomeada a falar de ética, mas nas suas actuações vêmo-los a agir como os demais, invocando terem de seguir a prática dominante, o “toda a gente faz o mesmo”.

Um palestrante, a este respeito, acentuou que a longo prazo a ética rende. Entre os presentes houve quem reflectisse que Keynes já referia que a longo prazo estamos todos mortos. E, em Portugal, em particular nos últimos trinta anos e mais em particular nos últimos dez ou cinco, ocorreu para muitos acréscimo de riqueza não derivada de acréscimo de utilidade social e sim de “transferências”, prejuízos de outros, sob ilicitude.

Importaria assim debater a questão: se na prática social o crime compensa, a ética dificilmente progredirá.

3ª. Em comunidades onde o comum é actuar sem ética, um gestor ético terá êxito?

Não se respondendo, anota-se, todavia, que na vida social o mais comum é actuar na base da mentira, de declarações falsas (nas escrituras públicas, nas declarações fiscais, nos atestados de doença ou de invalidez). Assim, os que não mentem ficam em desvantagem, sofrem concorrência desleal, vão à falência.

Questão: não se pode, não se deve ter conduta ética?

Responde-se: pode-se. Numa comunidade com carências de ética a conduta ética quase certamente não acarretará ganhos financeiros. Ganha-se honra. A honra alimenta?

4ª a) O social alcança-se através do somatório dos êxitos individuais, dizem os economistas liberais. Dizem-no mesmo sabendo que na competição, nas guerras, os derrotados e a colectividade sofrem os nefastos efeitos das derrotas, extinções, falências, destruições.

b) O social alcança-se através da união e do empenhamento de todos no bem para todos, sabendo, todavia, que, na repartição, quem tem mais méritos não terá compensação tal e qual pelo seu desempenho. Os economistas socialistas pendem a aceitar estas posições.

c) Outros economistas haverá que buscam opções híbridas, conciliações entre as opções liberais e as dos socialistas. Os caminhos contemporizadores (centrismo) podem alcançar mais adeptos, contar mais adesões.

5ª. Como reflexão final e última recorta-se de outro texto nosso: “por melhor ideados que sejam doutrinas e sistemas económicos e político-sociais, na prática, tem havido sempre falhanços. Isso deve-se em particular ao mau desempenho dos executores e de quem deveria zelar pela doutrina proclamada ou sistema preconizado. Aparecem sempre subversões das ideias e distorções das práticas, desacreditamentos das doutrinas e dos sistemas, inviabilizando-se os fins desejados”.

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