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27/08/2012 - Surgiu Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Golpistas usam cartões de crédito de mortos e gastam fortunas

O prejuízo das fraudes que dão certo geralmente fica com os bancos, que fazem uma recomendação: assim que possível, a família deve avisar às instituições financeiras sobre a morte de um parente.

Um cartão de crédito sem limite de gastos válido até 2015 em nome de Marcos Kitano Matsunaga. O cartão é verdadeiro. Até poderia ser usado, se não fosse um detalhe.

O diretor-executivo do grupo Yoki já tinha sido esquartejado pela mulher havia quase um mês, quando alguém se passou por ele e pediu a emissão do cartão. Burrice ou ousadia?

O departamento antifraude do banco começou a investigar quem estava fingindo ser Marcos Matsunaga. Com a ajuda da polícia, veio a resposta:

“Por que o Marcos Matsunaga?”, perguntou o repórter.

“Porque é uma pessoa que tem um limite bom e tem um cadastro bom perante as instituições financeiras”, respondeu o golpista.

As investigações revelaram que o esquema era bem maior. Um golpe milionário, planejado não só por uma pessoa, mas por uma quadrilha especializada em se passar por gente rica que já morreu.

Os criminosos conseguiam, além de cartões de crédito, financiamentos de carros de valores altos. E depois, gastavam à vontade. Tudo no nome dos mortos. Pela televisão e pela internet.
Era assim que os golpistas escolhiam seus alvos.

Depois, segundo as investigações, a quadrilha comprava, de outros criminosos, cadastros com todas as informações pessoais dos mortos, desde o CPF até os dados bancários.

Fernando de Arruda Botelho, um dos donos da Camargo Corrêa, um dos maiores grupos empresariais do Brasil, morreu em abril deste ano, num acidente de avião, no interior de São Paulo. Após a morte, um golpista tentou comprar um carro no nome do empresário.

Em maio, a polícia registrou o momento em que Clóvis Almeida Araújo, acusado de ser um dos chefes da quadrilha, concluía a compra de uma caminhonete zero quilômetro.

O veículo, de quase R$ 142 mil, está em nome de Fernando Botelho, que já tinha morrido fazia um mês, quando a venda foi feita.

Nas imagens, Clóvis chega à concessionária com a caminhonete ainda sem placas, conversa com a vendedora, e depois de um tempo, vai embora com o veículo já emplacado.

Durante toda a negociação, Clóvis se apresentou como funcionário de Botelho. E para fechar o negócio, a quadrilha falsificou a assinatura do morto.

“Eles escolhiam os mortos pela certeza de que eles não iriam atrás dos golpistas”, diz o delegado Ben-hur Cirino de Medeiros.

O funcionário do Tribunal de Justiça de Pernambuco Solleon Menezes morreu num acidente de trânsito, em Fortaleza, no dia 10 de junho passado. No mês seguinte, a quadrilha conseguiu financiar dois carros em nome dele. Juntos, custam mais de R$ 100 mil. Os golpistas não pagavam nenhuma prestação do financiamento. E segundo a polícia, os carros eram logo revendidos.

“Existem já receptadores contatados e essas pessoas adquirem esses veículos por preço bem abaixo do mercado”, explica o delegado Ben Hur Serim de Medeiros.

Esta semana, o Fantástico localizou um dos carros que estão no nome de Solleon Menezes, circulando normalmente em Natal, capital do Rio Grande do Norte, onde a quadrilha se concentra. Quem dirige é outro integrante do bando, chamado Tiago Cortez da Cruz.

Tiago ainda foi flagrado recentemente se passando por Domingos Costa, presidente da Vilma Alimentos, tradicional empresa de Minas Gerais. O empresário morreu em um acidente aéreo, um mês atrás.

Quinta passada, Tiago ligou para uma concessionária, e como se fosse o morto Domingos Costa, se disse interessado numa caminhonete com tração nas quatro rodas.

Esta semana, Tiago também pediu dois cartões de crédito em nome de Domingos Costa, o dono da empresa de alimentos.

Um funcionário de um banco ligou para checar as informações. O funcionário fez uma série de perguntas sobre o verdadeiro Domingos Costa. Mas, desta vez, a farsa não deu certo.

Imediatamente, o golpista Tiago Cortez da Cruz desligou o telefone. Já se sabe que Tiago também se passou por outros mortos. Entre eles, estão um auditor da Receita Federal, dois desembargadores, um engenheiro e o empresário Marcos Matsunaga.

No caso do diretor da Yoki, a quadrilha solicitou dois cartões sem limite de gastos.

O produtor do Fantástico foi até um dos endereços usados pela quadrilha para pedir os cartões em nome dos mortos. A casa, num bairro nobre de Natal, é da família de Tiago. Segundo a polícia, os parentes não sabiam dos golpes.

Caçula de três irmãos, Tiago já esteve preso em 2007, acusado de clonagem de cartões de crédito. Geralmente, Tiago recebe os cartões no estado do Rio Grande do Norte. Mas ele mora em Pernambuco, na cidade de Jaboatão dos Guararapes. Tiago tem 28 anos e não terminou a faculdade de direito.

Em vídeos obtidos com exclusividade pelo Fantástico, ele comemora o réveillon em Porto de Galinhas, também em Pernambuco.

A polícia ainda investiga onde os golpistas usaram os cartões de crédito dos mortos. Por enquanto, há gastos comprovados em lojas de eletroeletrônicos, restaurantes e casas noturnas.

Segundo as investigações, quando precisava de dinheiro vivo, a quadrilha passava os cartões em uma distribuidora de bebidas e em um salão de beleza, que ficam em Natal.

O salão é de Andréa Padilha da Silva, ex-mulher de Clóvis Almeida Araújo, já mostrado nesta reportagem, andando com um carro financiado em nome de um morto.

Esta semana, todos os acusados mostrados nesta reportagem foram presos, além de outras cinco pessoas.

Apontado como um dos chefes da quadrilha de golpistas, Clóvis já foi pra cadeia em 2007 por outro crime: assalto com refém.

Na sexta passada, ao ser preso, Clóvis negou que ele e a ex-mulher tenham participação nas fraudes. Sobre a caminhonete em nome de Fernando de Arruda Botelho, ele mentiu. Disse que não sabia que o empresário estava morto, mas não é o que mostram as escutas telefônicas feitas pela polícia. Clóvis ainda jogou a culpa no comparsa Tiago Cortez da Cruz.

Já Tiago, que foi preso quando saia de casa, disse que Clóvis era o chefe da quadrilha. Tiago confessou os golpes.

Os cartões que Tiago solicitou se passando por Marcos Matsunaga foram emitidos, mas não chegaram a ser entregues. Foram usados pela polícia para investigar a quadrilha.

O prejuízo das fraudes que dão certo geralmente fica com os bancos, que fazem uma recomendação: assim que possível, a família deve avisar as instituições financeiras sobre a morte de um parente.

Com a prisão da quadrilha do Rio Grande do Norte, agora, as investigações mudam de estado.

No Rio de Janeiro, outros golpistas também pediram um cartão de Marcos Matsunaga, logo depois da morte dele.

“Outros trabalhos estão sendo intensificados na procura desses indivíduos, desses delinquentes que estão causando grande prejuízo à sociedade, um prejuízo ao comerciante e ao cidadão.

Isso é uma afronta, é um desrespeito à pessoa que morreu, como também a seus familiares”, diz o delegado geral da Policia Civil RN, Fabio Rogerio Silva.

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