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27/08/2012 - Diário de Pernambuco / Diário de Natal Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Estelionatários se passavam por pessoas mortas para dar golpes no mercado


A Polícia Civil detalhou nesta segunda-feira para a imprensa as informações sobre a Operação Outras Faces, que desbaratou quadrilha de estelionatários no Rio Grande do Norte desde a última sexta-feira. O trabalho dos policiais desbaratou um grupo de pessoas que atuava em Recife e Natal utilizando-se do cadastro financeiro de pessoas mortas recentemente para conseguir financiamentos de carros e cartões de crédito, alguns sem limite de compra.

O grupo, formado por oito pessoas das quais sete já foram presas, ainda utilizava de empresas de fachada para adquirir materiais no comércio e não pagar. Todos estão sendo acusados pela polícia por formação de quadrilha, estelionato e furto mediante fraude. Ainda foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão.

As investigações que levaram à prisão do grupo foram iniciadas em junho após um integrante do setor de segurança corporativa de um banco sediado em São Paulo alertar a segurança pública a respeito de uma suspeita de fraude que teria o Rio Grande do Norte como base. Os integrantes solicitaram um novo cartão de crédito, sem limite de gasto, em nome do empresário Marcos Kitano Matsunaga, dono da empresa Yoki, que tinha há poucos dias sido assassinado e esquartejado pela esposa Elize Araújo Matsunaga. “A sensação de impunidade era tão grande, que eles tiveram coragem de fazer isso”, afirma o delegado Ben-hur de Medeiros, titular da Delegacia de Capturas (Decap) e responsável pela investigação.

O endereço utilizado para receber o cartão foi o da família de Tiago Soares da Cruz. O potiguar foi preso em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, e, segundo a polícia, dava a localização da casa dos seus pais no bairro de Capim Macio para praticar os golpes. Tiago ainda era o responsável por conseguir os cadastros financeiros, através de contatos na internet. Os cartões foram por vários meses utilizados em compras e restaurantes, além de serem passados em aquinetas de empresas participantes do esquema, como a Distribuidora Almeida, no conjunto Satélite, e o salão de beleza Hair Show em Candelária.

O grupo ainda utilizou-se de outros nomes famosos. O empresário Fernando Arruda Botelho, alto executivo de uma das maiores empreiteiras do Brasil, a Camargo Corrêa, teve seu nome usado para financiar uma Toyota Hilux SW4 em Natal. Fernando faleceu em um acidente de avião no interior de São Paulo. Para ntrada foi pago cerca de R$ 19 mil em cheques e o resto do valor - mais de R$ 120 mil - foi financiado por Clóvis Alberto Almeida de Araújo, apontado como íder do bando e que passava-se por Fernando Botelho.

“Estes carros não passavam muito tempo com eles. Quando o banco não identificava o pagamento, os veículos eram passados para receptadores. A informação é de que a Hilux estaria no Norte do país. Isto será confirmado com a sequência de investigação”, declarou Ben-hur Cirino. A polícia ainda investiga a utilização de nomes de desembargadores, engenheiros e empresários recém falecidos nas fraudes, além de confirmar os nomes de mais três pessoas ue tiveram seus cadastros financeiros furtados.

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