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19/08/2012 - Diário de Marília Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Nelsinho e Zorzeto envolvidos em fraude milionária, diz sindicância

Entre os principais investigados no esquema estão o ex-chefe de gabinete e ex-secretário da Fazenda, Nelson Granciéri, e o secretário da Saúde, Julio Zorzetto.

Mesmo após rescisão de contrato da Oficina Mecânica São Carlos com a prefeitura, as suspeitas de irregularidades relacionadas ao pagamento da empresa parecem estar longe do fim. Na última semana foi concluída sindicância municipal que aponta superfaturamento e que a empresa não possui suporte físico e logístico para prestação de serviços de manutenção, fornecimento e troca de peças da frota das secretarias municipais.

Investigação foi feita no período entre janeiro e agosto de 2011. Até o início deste mês de agosto, a oficina já havia recebido da prefeitura mais de R$ 5 milhões, sendo R$ 2 milhões apenas em 2012. Entre os principais investigados no esquema estão o ex-chefe de gabinete e ex-secretário da Fazenda, Nelson Granciéri, e o secretário da Saúde, Julio Zorzetto.

O documento assinado pela presidente Valquíria Galo Febrônio Alves e membros Domingos Caramaschi Junior e Marcia Affonso Ferreira informa que perícias veiculares realizadas em cinco concessionárias da cidade constataram a não substituição de peças empenhadas pela administração, o que significaria um desvio de R$ 220.959 mil no período dos oito primeiros meses de 2011. A oficina emitia notas fiscais de venda da mercadoria sem possuir o respectivo estoque. Na análise da relação de serviços verificou-se que mais da metade dos trabalhos relacionados não foram efetuados.

O levantamento mostra que no período de 1 a 25 de janeiro de 2011 ocorreu fraude. A oficina emitiu notas fiscais de vendas de peças no valor de R$ 30.859, dos quais 69%, ou seja, R$ 19.573 eram de produtos que não foram adquiridos. Em outra análise do período de 1 de janeiro a 19 de agosto do ano passado foi comprovado a falta de estoque de diversos itens como amortecedor, balancim, caixa de direção, cabeçote, coroa e pinhão, extintor, volante de motor, manga de eixo e virabrequim.

O relatório identifica, por exemplo, que apenas de amortecedores foram emitidas 21 notas que resultaram em R$ 5.688, sem que houvesse estoque na oficina para isso.

As perícias veiculares foram realizadas por amostragem e abrangeram carros das secretarias municipais da Saúde, Serviços Urbanos, Obras Públicas, Assistência Social e Meio Ambiente, além de dois pertencentes ao 10º Grupamento de Bombeiros.

No decorrer da sindicância foram ouvidas 27 testemunhas. Entre elas ex-secretários municipais como de Obras, Antônio Carlos Nasraui, Assistência Social, Clovis Augusto de Melo, e Serviços Urbanos, José Expedito Capacete, entre outros servidores.

ENVOLVIDOS

As oitivas das testemunhas culminaram com abertura de processo administrativo disciplinar contra 10 funcionários e a própria empresa. Nesta lista está Nelsinho que nos depoimentos afirmou que ele próprio encaminhava os orçamentos fraudulentos para as secretarias e quem ordenava para que os mesmos fossem executados. Nesses casos os veículos nem mesmo chegavam a serem encaminhados para Oficina São Carlos. Mesmo assim os funcionários das secretarias denunciam nos depoimentos que eram obrigados a dar um visto de “conferido e recebido” e que os serviços prestados eram insatisfatórios.

Já Julio Zorzetto disse em seu depoimento que tinha conhecimento sobre as supostas irregularidades na prestação de serviços, mas que resolveu tomar uma providência apenas após a informação de problemas envolvendo o veículo oficial de uso pessoal.

JUSTIÇA

A cópia da conclusão da sindicância foi encaminhada ao MPE (Ministério Público Estadual) e MPF (Ministério Público Federal). O MPF informou que o documento está na coordenadoria jurídica para distribuição aos procuradores da república. Já o MPE afirma que os 31 volumes e 6.214 folhas estão na secretaria da promotoria e serão encaminhados para análise do 9º promotor de justiça, Uriel da Rocha Queiroz.

Nelsinho estava diretamente ligado às irregularidades

Nelson Granciéri foi durante muito tempo braço direito e homem forte do governo Bulgareli/Toffoli. No comando do gabinete e secretaria da Fazenda, Nelsinho cometia mandos e desmandos.

Nos depoimentos colhidos durante a sindicância alguns funcionários de secretarias municipais afirmaram que Nelsinho tinha total conhecimento das irregularidades relacionadas a oficina. Em seu depoimento ele confirma ter sido iniciativa dele elaboração de licitação para contratação de empresa para os serviços de manutenção da frota municipal.

Seu nome também está diretamente envolvido na ação civil judicial de improbidade administrativa 1357/2011 que analisa os desvios, serviços pagos e não prestados, e possível lavagem de dinheiro dos contratos da prefeitura com a oficina São Carlos. O processo é analisado pelo juiz Silas Silva dos Santos e corre em segredo de justiça.

Além disso, Nelsinho é acusado pelo Ministério Público por esquema de cobrança de propina para liberar pagamentos às empreiteiras que prestaram serviços ao município. Empreiteiros confirmaram o caso. Além disso, é investigado por comandar esquema de mensalão de mais de R$ 500 mil. Montante que era distribuído entre aliados políticos, servidores municipais. Ele passou 11 dias na penitenciária de Garça em dezembro de 2011 em decorrência de uma investigação da Polícia Federal e GAECO (Grupo de Atuação Especial ao Crime Organizado).

Só este ano foram pagos R$ 2,2 mi

Mesmo com todos os indícios de irregularidades, a Oficina São Carlos venceu licitação em novembro do ano passado e seguiu responsável pela manutenção da frota municipal.

De janeiro até agosto a prestadora recebeu R$ 2,2 milhões dos cofres públicos tanto em empenhos como pagamentos antecipados. Somente de valores pagos fora da ordem cronológica, a prefeitura já arcou com R$ 277 mil para o conserto de veículos do município. O último depósito de R$ 27.422 foi efetuado no dia 19 de julho.

Na semana passada a empresa rescindiu contrato com a prefeitura. De acordo com o advogado da empresa Marino Morgato, o motivo do cancelamento da prestação de serviços é a dívida de R$ 240 mil da administração.

A oficina São Carlos, de propriedade de Reinaldo Fernandes, já é investigada pelo Ministério Público que analisa os desvios, serviços pagos e não prestados, e possível lavagem de dinheiro dos contratos com a prefeitura. O ex-prefeito Mário Bulgareli, que renunciou em março, passando o mandato para Ticiano Toffoli, e o ex-chefe de gabinete, Nelson Virgilio Granciéri, também são alvos do processo.

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