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22/08/2012 - G1 Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Quatro presos por suspeita de fraude no Iases são soltos, no ES

Galina e Mondragón ainda continuam entre os detidos, segundo a Sejus. Governo nomeia interventor para fiscalizar contratos entre Iases e Acadis.

Quatro das doze pessoas que permaneciam presas por conta da Operação Pixote, que apura fraudes no Instituto de Atendimento Sócio-Educativo do Espírito Santo (Iases), foram soltas à meia-noite desta quarta-feira (22), segundo a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus). Oito pessoas ainda estão detidas, entre elas a diretora-presidente do Iases, Silvana Galina, e o empresário Gerardo Modragón, diretor da Associação Capixaba de Desenvolvimento e Inclusão Social (Acadis). Segundo a Sejus, a prisão delas foi prorrogada por mais cinco dias.

O governo do estado nomeou o defensor público e vice-presidente do Conselho Estadual de Dreitos Humanos, Bruno Nascimento, como interventor para fiscalizar os contratos entre a Acadis e o Iases. De acordo com o delegado Rodolfo Laterza, responsável pelo caso, Galina favorecia a Associação na assinatura de contratos e convênios de prestação de serviços nas unidades de internação de Cariacica, na Grande Vitória, e em Linhares, na região do Rio Doce.

Contrato entre Iases e Acadis não será renovado

Os contratos entre o Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases) e a Associação Capixaba de Desenvolvimento e Inclusão Social (Acadis) não serão renovados, segundo a Procuradoria-Geral do Estado (PGE). De acordo com o procurador-geral Rodrigo Marques Júdice, os contratos serão mantidos por 180 dias para não haver descontinuidade do trabalho de ressocialização dos adolescentes.

Segundo Júdice, não há possibilidade dos contratos serem renovados. Após os 180 dias, uma nova organização social vai assumir os trabalhos, a ser escolhida por um processo que será iniciado pelo governo estadual. Durante esse período, os contratos serão fiscalizados pelo defensor público Bruno Nascimento, nomeado interventor pelo novo diretor-presidente do Iases, Leonardo Grobbério

Atualmente, a Acadis tem dois contratos com o estado. São 4 instituições beneficiadas, no total de 230 adolescentes.

Operação Pixote é investigada pelo Tribunal de Justiça

O delegado Rodolfo Laterza incluiu o nome do deputado estadual Josias Da Vitória (PDT) nas investigações da Operação Pixote, nesta segunda-feira (20). O processo foi para o Tribunal de Justiça (TJ-ES) porque deputado tem foro privilegiado e somente o tribunal pode investigá-lo. O desembargador Ronaldo Gonçalves de Souza foi definido como relator do processo. Segundo o delegado, o envolvimento do deputado seria por meio de uma empresa familiar, beneficiada pelo esquema irregular investigado. O G1 entrou em contato com o deputado e a assessoria dele informou que Josias Da Vitória não possui vínculo algum com a companhia em questão, que pertence, na verdade, à irmã dele.

Treze pessoas foram presas na última sexta-feira (17), entre elas a diretora-presidente do Instituto de Atendimento Sócio-Educativo do Espírito Santo (Iases), Silvana Galina. De acordo com Laterza, todas as prisões eram temporárias, de cinco dias, e terminavam nesta quarta-feira (22). Apenas o defensor público detido na operação não permaneceu preso por ter conseguido um habeas corpus.

O caso

De acordo com Rodolfo Laterza, Silvana Galina favorecia a Associação Capixaba de Desenvolvimento e Inclusão Social (Acadis), dirigida pelo empresário colombiano Gerardo Mondragon, na assinatura de contratos e convênios de prestação de serviços nas unidades de internação de Cariacica, na Grande Vitória, e em Linhares, na região do Rio Doce.

O diretor-executivo da Acadis, superfaturava os contratos com aditivos, como prestação de serviços de saúde e educação nas unidades, segundo a polícia. Como bens provenientes do superfaturamento e utilizado como lavagem de dinheiro, o diretor da Acadis possui dois imóveis em Vila Velha, sendo um avaliado em R$ 700 mil. O valor total desviado ainda não foi mensurado pelas investigações.

"Ficou constatado que o Iases priorizava as unidades terceirizadas para a Acadis. Interceptações telefônicas e quebras de sigilo bancário provam isso. As investigações mostraram que os gastos com as unidades geridas pela Acadis, sendo uma com apenas 80 adolescentes, era muito maior que a das demais unidades. O custo médio de cada adolescente nas unidades geridas pela Acadis chegava a cerca de R$ 9 mil por mês, enquanto as do Iases giram em torno de R$ 5 mil, o que é fruto da lavagem de dinheiro", explica o delegado Rodolfo Laterza.

De acordo com a polícia, o primeiro contrato assinado com a Acadis foi de R$ 5,1 milhões e em 2011 chegou ao valor de R$ 8,2 milhões. "Além dos valores de contratos, a organização obtinha por mês uma média de mais de R$ 500 mil em aditivos. Não podemos dizer de que forma o Iases se beneficiava disso, mas tudo será investigado. O que pode se dizer é que há formação de quadrilha e desvio de recursos públicos", disse o delegado Rodolfo Laterza.

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