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13/10/2007 - Correio da Bahia Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Pirata derrotado

Por: Alexandre Lyrio


Sem utilizar fuzis, brasões ou fardas de qualquer corporação, um exército de ilegais atua nas ruas de todo o país, segundo alguns, a ameaçar as produções audiovisuais. Age livremente, até enfrentar inimigo à altura. Eficiente contra o tráfico de drogas, o incorruptível batalhão do Capitão Nascimento – vivido pelo ator Wagner Moura – consegue também afrontar a horda de ambulantes. No dia de estréia do filme Tropa de elite, recorde nacional de pirataria no mês de setembro, a boa presença de público nas salas de cinema amenizou as notícias de prejuízos com a bilheteria e transformou os vendedores de DVDs clandestinos em aliados.

Com munição verbal, os baianos responderam à altura às previsões pessimistas de que os piratas poderiam causar o esvaziamento das salas de projeção. “A qualidade dos DVDs piratas é sofrível. Não abro mão de assistir ao filme no cinema”, dispara o analista de sistemas Galdir Reges, 27 anos. O público local formou enormes filas na porta dos principais cinemas da cidade. Até as 18h de ontem, somente nas primeiras cinco sessões, o Shopping Salvador já havia recebido 1.253 pessoas nas salas do Cinemark. Em pleno Dia das Crianças, os infantis perderam feio a disputa com Tropa de elite em cinemas como o Multiplex Iguatemi.

Antes de ser lançado oficialmente, a produção teve uma das cópias do filme roubada, o que colocou em risco os mais de R$10,5 milhões investidos nas filmagens. Enquanto os responsáveis pela fraude eram presos, cinco milhões de pessoas assistiam a um milhão de cópias, que se dispersaram incontrolavelmente país afora. O que não se tinha certeza era das conseqüências que isso poderia causar. “Ninguém sabe o efeito”, afirmou ao jornal Folha de S. Paulo o próprio diretor do filme, José Padilha.

No Rio de Janeiro e em São Paulo, o filme de José Padilha parece ter vencido a batalha inicial contra os piratas. Estreou no último fim de semana com público de 178 mil espectadores. A maior estréia de um filme nacional desde Carandiru, lançado em 2003. O primeiro fim de semana de Tropa de elite também foi 50% maior que o de A grande família, produção brasileira mais assistida em 2007. “Agradeço aos espectadores por estarem indo assistir nos cinemas à versão final do filme”, disse Padilha, em nota oficial.

O público, enquanto isso, continua a prezar pela qualidade. Mesmo os que assistiram a uma das cópias piratas foram conferir a versão na telona, na qual foram incluídos cinco minutos em relação à versão pirata. “A satisfação é muito maior com o áudio de qualidade e uma tela grande”, explica o músico Guilherme Osíris. É o azar dos vendedores que agem em sinaleiras, passarelas e até nas praias da capital baiana. “Vendia umas 25 cópias por dia. Agora o negócio deu uma parada”, reconhece o ambulante da sinaleira da região do Iguatemi, que vende cópias de Tropa de elite por R$5, mas pelo visto vai ter que aumentar o arsenal de pechincha.


Discordância sobre impacto

Ainda que o sucesso de bilheteria se confirme nas próximas semanas, as organizações antipirataria acreditam no impacto negativo causado pelas cópias. “Afirmo com segurança que esse filme teria êxito ainda maior se não tivesse caído nas mão dos piratas”, aposta o diretor antipirataria da Moticon Picture Association (MPA), Márcio Gonçalves, representante dos principais estúdios de cinema na América Latina.

Gonçalves alerta, entretanto, que a bilheteria não é a única forma de retorno para as produções. A negociação de DVDs com as locadoras representariam cerca de 50% do que é investido em produções.

Contudo, os primeiros números da exibição nacional do filme levaram alguns especialistas a considerar os piratas um fenômeno de marketing espontâneo. A própria divulgação feita pelas cópias nas ruas teria provocado a corrida das pessoas aos cinemas. O pesquisador João Paulo Matta acredita numa espécie de divisão de classes, na qual ricos e pobres têm um perfil diferente no consumo dos produtos cinematográficos. “O público que vai ao cinema não é o mesmo que consome piratas. Nem todos têm condições de pagar para ir ao cinema. A pirataria divulgou o filme e para mim vai ser uma das maiores bilheterias do ano”, acredita o pesquisador, autor de tese de mestrado sobre exibição e distribuição cinematográfica na Universidade Federal da Bahia (Ufba).

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