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12/08/2012 - Portal Terra Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Cachoeira teria lavado dinheiro com bilhete da loteria americana


Um documento encontrado no computador que foi apreendido na casa de Gleyb Ferreira da Cruz pela Polícia Federal, durante a Operação Monte Carlo, levanta suspeitas de que o bicheiro Carlinhos Cachoeira pode ter comprado um bilhete premiado da loteria federal dos Estados Unidos, no valor de US$ 1 milhão, pagando US$ 400 mil a menos. Para a PF, se a informação for verdadeira, crescem os indícios de que há um esquema de lavagem de dinheiro. Gleyb, homem de confiança de Cachoeira, é apontado como um dos laranjas da quadrilha do contraventor. As informações são do jornal O Globo.

O documento estava arquivado em DVD entitulado "instrumento de transferência e entrega de crédito". O contrato, de 3 de dezembro de 2009, cita Cachoeira como comprador do bilhete número 11, série 32057080-11, da Mass Lotary, custodiado ao Bank of America, na cidade de Framighan, Massachusetts. O intermediador teria sido Gleyb, recebendo US$ 100 mil pela transação. A portadora do bilhete seria Eusa Clementino, brasileira residente na cidade.

Carlinhos Cachoeira

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.

Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.

Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.

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