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12/04/2006 - O Primeiro de Janeiro Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

O Brasil resiste, a corrupção ataca

Por: Gomes da Costa


O Brasil é um país grande - em todos os sentidos. Podemos dizer que é grande pela superfície de seu território, pelo tamanho da população, pelos recursos naturais e pela força de sua economia. E, num outro viés, é grande também por suportar tantos desaires políticos ao longo da História republicana.
Veja-se, por exemplo, o caso da corrupção. Há instituições minadas e combalidas pelos desmandos que as atingiram; o dinheiro público escorre por veios suspeitos e ilegítimos; compram-se cargos e vendem-se votos; há favorecimentos e clientelismo nos três Poderes; as sangrias são devastadoras – e, no entanto, este país resiste a tudo; vence as crises mais graves; esquece a ladroagem com facilidade e para desculpar os desonestos chega a olhar as fraquezas como resultantes incontroláveis do regime - e da cultura.
Os tempos são outros e o processo ressurge: quando se pensava que tudo terminaria nos sótãos do Catete, vieram as armações de Brasília; quando se julgava que com o choque da “república de Alagoas” o país nunca mais precisaria de uma cirurgia tão drástica, estourou o escândalo do “mensalão” e do “caixa 2”. Dos erros do governo de Collor de Mello às trapalhadas nada inocentes do Partido dos Trabalhadores, pode ter mudado o compasso e a escala, mas não se corrigiu a pauta, nem se modificou a música. E só um grande país agüentaria, como o Brasil agüentou, tantos saques e extorsões. A corja chuchou o que pode, com apetite e cinismo - e a Nação não soçobrou. Fosse outro, e o país e estaria na casca...
É evidente que pagamos um preço elevado pela corrupção que nos atormenta desde os tempos do Império. O crescimento econômico, as desigualdades sociais, a pobreza e a exclusão, os impasses nas instituições, a carga tributária, o inferno da burocracia, o descrédito na práxis democrática, o negócio imoral, tudo isso - e muito mais - poderiam não existir, ou existir noutras proporções, se outros fossem a dosagem da ética e o rigor dos códigos.
Um ponto melancólico em todo o processo de desintegração moral e cívica é que a origem da corrupção, ao contrário daqueles que atribuem a causa dos vícios atuais aos gens da nacionalidade, está sobretudo na má escolha que fazemos dos políticos e dos responsáveis pela “res publica”. Somos nós que elegemos o Presidente da República, os Governadores dos Estados, os Prefeitos das cidades e os representantes das casas legislativas. Só não temos responsabilidades na estrutura do Poder Judiciário, mas, no resto, a responsabilidade é inteiramente nossa. E, elegendo mal, queixamo-nos depois. Mas quem escolhe o vereador que se envolve em falcatruas, o deputado que se corrompe, o senador que se omite, ou o Presidente da República que prevarica, é o cidadão que vota. Se ele próprio vai atrás da banha de cobra que lhe oferecem no comício; se ele próprio se deixa subornar com a maquia e a vantagem sorrateira; se ele próprio, contra todas as evidências, acredita na inocência dos que assaltam o Estado; se ele próprio não tem coragem para romper o circulo vicioso da mentira e da malandragem – então, não adianta queixar-se depois, dizer que o Reino está podre e que Zaratrusta não falou a verdade, ou que o governo só cuida dos seus e que o país não tem jeito.
Dentro de poucos meses os brasileiros irão de novo às urnas. Vão ouvir, durante a campanha eleitoral, as promessas requentadas e as mentiras dos candidatos que não se cansam de encher a pança e de subir no palanque.
Pois bem: na primeira triagem a fazer, cada eleitor deveria excluir aqueles candidatos cuja biografia está manchada pela corrupção. Se roubaram, ou se foram cúmplices, à fogueira com os panfletos. Se venderam a consciência, ao balde com o seu anúncio. Se alimentaram esquemas de corrupção, se sangraram verbas do Orçamento, se transformaram os cargos públicos em trampolim para a malandragem ou para a conquista do poder e não foram capazes de limpar as cavalariças do Palácio, fora com eles.
O Brasil pode eleger candidatos da direita ou da esquerda, do norte ou do sul, brancos ou negros, doutores ou operários, crentes ou agnósticos, de um ou de outro partido político – contanto que sejam honestos e éticos, o país já sairá ganhando.

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