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10/10/2007 - SwissInfo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Interpol persegue suíço foragido no Brasil

Por: Maurício Thuswohl


Não faltam elementos para um ótimo roteiro cinematográfico na história do ex-operador financeiro suíço Mike Niggli. Preso no Brasil em 2004 e atualmente foragido, após ser acusado na Suíça de lesar seus clientes em cerca de US$ 80 milhões.

Mike Niggli aguardava em prisão domiciliar a conclusão de seu processo de extradição até agosto passado, quando a Polícia Federal recebeu a informação de seu desaparecimento. Considerado foragido, ele agora está sendo procurado pela Interpol, numa operação acompanhada de perto pela Justiça no Brasil e na Suíça.

Em meados da década passada, Mike Niggli era tratado no mundo das finanças como um jovem prodígio. Com menos de 30 anos, já era dono da empresa de consultoria financeira IPCO, no cantão de Schwiz, que colecionava clientes nos mercados do Brasil, da Suíça e de outros países de Europa.

Foragido da Suíça

Apaixonado pelo Rio de Janeiro, que conheceu durante uma de suas férias, acabou fazendo negócios na cidade e se casando com a brasileira Rosane Lopes da Rosa, com quem tem uma filha, hoje com onze anos.

As denúncias contra Niggli começaram a aparecer na Suíça em 1997. Ciente de que poderia ser preso a qualquer momento em seu país, ele passou a ficar por cada vez mais tempo no Brasil até conseguir em 2001 o visto de permanência definitiva em território brasileiro.

Em 2003, sem saber que Niggli já era alvo de denúncias na Europa, o governo concedeu ao suíço a naturalização brasileira. No dia 3 de agosto de 2004, a polícia suíça enviou ao Brasil um pedido de prisão contra Niggli. Dois meses depois, o operador financeiro foi preso pela Polícia Federal em sua residência, localizada no luxuoso bairro carioca do Leblon.

Os vizinhos e os vários amigos cultivados na alta sociedade da Zona Sul carioca ficaram então sabendo que Niggli era apontado na Suíça como responsável por um rosário de crimes: desfalque, administração fraudulenta, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos, sonegação fiscal e apropriação indébita.

De acordo com a Justiça suíça, Niggli lesou pelo menos 18 clientes, obtendo com isso ganhos ilegais de cerca de US$ 80 milhões. A maior parte do dinheiro desviado, segundo as denúncias, teria sido depositada em uma conta em Vaduz, no Liechtenstein.

A Suíça quer a extradição

Na prisão, longe do mar do Leblon, Mike Niggli não teve vida fácil. Passou mais de um ano no presídio Ary Franco, em Água Santa (Zona Norte), considerado um dos mais perigosos do Rio de Janeiro.

Em novembro de 2005, os advogados do administrador financeiro suíço conseguiram sua transferência para a carceragem da Polinter, no bairro de Campo Grande (Zona Oeste), onde Niggli, pelo menos, ficou mais distante dos traficantes e homicidas de quem era vizinho de cela no Ary Franco.

A situação de Niggli parecia ter melhorado quando, em 28 de novembro do ano passado, seus advogados conseguiram uma importante vitória no Supremo Tribunal Federal (STF).

Após analisar o processo, o ministro Marco Aurélio de Mello determinou que o suíço naturalizado brasileiro passasse para o regime de prisão domiciliar. Para os advogados, tirar Niggli da cadeia, naquele momento, era o mais importante, pois a extradição pedida pela Suíça parecia longe de se concretizar.

Além de não existir tratado de extradição entre os dois países, a naturalização brasileira certamente impediria tal ato.

Naturalização anulada

O vento mudou de lado em maio de 2007, quando o Ministério da Justiça no Brasil decidiu anular a naturalização de Niggli por falsidade ideológica.

Seu visto de permanência no país foi cancelado por ele ter omitido da polícia, quando deu entrada nos papéis pedindo a naturalização, que já era alvo de denúncias na Suíça.

Por conta disso, no dia 3 de setembro Marco Aurélio de Mello decidiu "reajustar seu parecer" e determinou que o suíço voltasse à prisão para aguardar o processo de extradição. O problema é que, nesse meio tempo, Niggli desapareceu.

Segundo a Interpol, Niggli é considerado foragido desde o dia 16 de agosto, data em que os policias responsáveis pelas rondas para fiscalizar o cumprimento de sua prisão domiciliar não mais o encontraram em sua residência.

Desde então, ele vem sendo procurado por agentes da polícia internacional e da Polícia Federal brasileira, mas a busca até agora não deu resultado: "Estamos procurando pelo Mike Niggli intensamente, mas ainda não temos nenhuma pista do paradeiro dele", afirma o delegado Vanderley Martins, diretor da Interpol no Rio de Janeiro.

A Policia Federal está fazendo um levantamento nos aeroportos brasileiros para tentar descobrir se Niggli embarcou para o exterior com identidade falsa, mas até o momento não obteve sucesso.

A dificuldade para esse procedimento é grande, devido aos inúmeros pontos de saída existentes no país. Sem falar na possibilidade de o suíço ter deixado o país de carro ou ônibus rumo à Argentina ou Paraguai.

Seqüestro?

As investigações, segundo a polícia, estão concentradas no círculo de amigos de Niggli, formado por pessoas que podem dar alguma informação sobre seu paradeiro ou até mesmo ter colaborado em sua provável fuga: "Todos que tenham tido alguma ligação com ele são suspeitos", afirma o delegado Martins.

A tese da fuga, no entanto, foi posta em dúvida por três pessoas, entre elas a atual namorada de Niggli, que já foram ouvidas pelos investigadores da Interpol. A arquiteta Vânia de Oliveira, amiga do suíço, chegou a dizer à polícia que acredita que ele possa ter sido seqüestrado por homens que vinham tentando lhe extorquir nos últimos tempos.

A suspeita de seqüestro foi alimentada também pela ex-mulher de Niggli, Rosane, que vive na Suíça com a filha do casal atualmente.

Em entrevista concedida ao jornal O Globo, ela relatou a última conversa que teve com o ex-marido, ocorrida em agosto, poucos dias antes do seu desaparecimento: "Ele se mostrou muito tenso. Conversamos sobre um homem que ele conheceu quando esteve preso. Esse preso, quando ganhou a liberdade, passou a ser o responsável por pegar o dinheiro que vinha da Suíça e entregar ao Mike", disse, referindo-se ao dinheiro que o pai de Niggli passou a remeter da Suíça desde que os bens do filho foram bloqueados pela Justiça.

Rosane contou ainda que o pai de Niggli costumava enviar ao Brasil R$ 6 mil por mês, e que o ex-marido pagava R$ 1 mil a cada remessa para que o homem que conheceu na prisão recebesse o dinheiro por ele: "Um dia, esse homem passou a ficar com o dinheiro todo. Desconfio muito dessa pessoa", disse, acrescentando que não recebe mais a pensão alimentícia da filha e que vive atualmente de uma ajuda recebida do governo suíço.

Interpol e polícia federal

Procurada pela reportagem da swissinfo, a Interpol não quis confirmar se está investigando a possibilidade de Niggli ter sido seqüestrado.

A Polícia Federal, em todo caso, parece não acreditar muito nisso: "A principal linha é mesmo a da fuga. O Niggli teve dinheiro e oportunidade suficientes para fugir, e provavelmente fez isso quando percebeu que seria mandado de volta à Suíça. Ele sabia que, chegando lá, não conseguiria ficar em prisão domiciliar", disse um agente da PF, que preferiu não se identificar porque não está envolvido diretamente nessa investigação.

O agente, no entanto, faz uma ressalva: "Pode ter certeza que, se essas pessoas que supostamente extorquiram ou tentaram extorquir o suíço existem, elas serão encontradas". Apesar de suas convicções, a polícia sabe que, como nos melhores roteiros cinematográficos, o caso de Mike Niggli ainda pode apresentar algumas surpresas...

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