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20/07/2012 - Decision Report Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Anatomia da Fraude

Por: Mário Sérgio Ribeiro


Não tenho números para evidenciar, mas parece que nunca fomos tão bombardeados por notícias de Fraude como nos últimos tempos. Alguém dúvida? Ligue a TV, o rádio, pesquise na Internet, pegue qualquer jornal e revista e veja, sempre tem alguma coisa, e para nossa surpresa, elas são quase que diárias. Acho que vários de vocês já devem ter se perguntado: onde vamos chegar? Qual será a novidade amanhã?

As pessoas que habitam esse planeta hoje, não são as mesmas que viviam há 50 anos. As condições de vida, os valores, as características de consumo são muito diferentes. Essas mesmas pessoas vão para seu dia de trabalho e carregam uma quantidade de pressão e de motivações, muito diferentes do que se carregava há 50 anos. Não quero dizer com isso que não tínhamos fraude há 50 anos, temos fraude desde que o mundo é mundo, mas a questão hoje em dia é a quantidade e sua variedade, fruto de uma sociedade com problemas. Isso é fato.

A fraude no ambiente corporativo é a que me interessa nesse artigo, diria mais precisamente, um tipo de fraude que se batizou de Fraude Ocupacional. Isso é, o indivíduo utiliza sua posição, seu cargo na empresa para perpetrar uma fraude; é claro que ele pode contar com ajuda externa para o seu intento, e em muitos casos isso ocorre. Essa tipologia de fraude é a que mais comumente vemos na TV e nos noticiários, onde sempre tem mais de um envolvido. A Corrupção, mais em moda do que nunca, é um dos tipos de Fraude Ocupacional. Merece um artigo exclusivo, e em breve falaremos sobre ela.

Comecemos nesse artigo em tentar explicar o porquê das Fraudes ocorrerem, notadamente as ocupacionais, que a que estamos nos referindo. O que leva alguém a pensar em perpetrar uma fraude e como pensa em fazê-lo? Vamos analisar um dos vários trabalhos desenvolvidos por um dos maiores criminologistas americano, que nasceu em 1919 e morreu em 1987. Na década de 50 em sua tese de doutorado lançou algumas ideias que permanecem até hoje, e uma delas utilizaremos aqui.

Donald Cressey desenvolveu o que se convencionou chamar de O Triangulo da Fraude, conforme podemos ver na figura 1 a seguir:

Segundo Cressey as fraudes ocorrem com os três vértices atuando de forma harmônica. Vejamos:

Pressão/Motivação:
Por uma pressão (que pode ser financeira, entre outras) ou motivado por algo, como uma vingança, o potencial fraudador é “empurrado” pouco a pouco para encontrar a oportunidade que possa acabar com a pressão/motivação que o move.

Essa pressão pode vir de várias formas, e pode não ser a financeira a principal delas. Existem diversos casos que essa pressão se manifesta por uma cobrança exagerada por produtividade, por resultados, fazendo com que o potencial fraudador sinta-se pressionado a agir, e pode não haver ganho financeiro nessa atuação; mas a fraude a ser perpetrada pode trazer impactos operacionais e até financeiros para a empresa. Alguns exemplos de pressão podem ser:

• Inabilidade para pagar uma(s) conta(s);
• Viciado em droga ou jogo;
• Desejo de símbolos de status como uma grande casa, um belo carro;
• Problemas não compartilhados e a importância do status.

Da mesma forma explica-se para a motivação. Um bom exemplo é um caso real que a maioria dos leitores deve conhecer: Nick Lesson e o Barings Bank. Nick era um cara motivado por ambição desmesurada, o que o levou a “colocar os pés pelas mãos” e cometer um erro atrás do outro. Melhor do que ficar escrevendo, vejam o filme A Fraude (Rogue Trader, título em inglês) que tem no papel principal, como Nick Lesson, o excelente ator Ewan MacGregor.

Em nossa ótica da fraude ocupacional, esse potencial fraudador começa por procurar oportunidades na empresa onde ele possa perpetrar a fraude. Ele vai atrás de onde não existem controles, ou onde os controles internos são frágeis para poder agir com segurança e se dar bem.

A oportunidade interna é proporcionada pela empresa pela ausência das melhores práticas com relação ao risco de uma fraude. Entre tantos aspectos, voltaremos com mais detalhes em outros artigos, a falta de uma área estruturada de Segurança da Informação, de uma área de Controles Internos, de Risco Operacional e de Auditoria Interna facilitam a vida dos perpetradores.

E no último vértice temos a Racionalização. Como a maioria dos fraudadores não se vê como um criminoso, eles se veem como uma pessoa honesta pega em más circunstâncias, ele pode justificar o crime para si de uma forma que julgue ser o ato aceitável. Isso foi postulado por Cressey como a Racionalização.

Enquanto o perpetrador pode racionalizar o crime para si antes de cometê-lo, depois do ato realizado, a racionalização anteriormente realizada, muitas vezes pode ser abandonada. Os perpetradores muitas vezes iniciam com pequenos roubos ou falsificações e gradualmente aumentam em tamanho e frequência. Alguns exemplos de Racionalização podem ser:

• A pessoa acredita que cometer fraude é justificado para salvar um membro da família ou alguém amado;

• A pessoa acredita que perderá alguma coisa – família, casa, carro – se ele não levar o dinheiro da fraude;

• A pessoa etiqueta o roubo como “tomando emprestado”, e intenciona pagar todo o dinheiro roubado de volta;

• A pessoa, por causa de uma insatisfação no trabalho (salário, ambiente, tratamento recebido pelos gerentes) acredita que alguma coisa é devida;

• A pessoa é inapta para entender ou não se importa com as consequências de suas ações ou de aceitar noções de decência e confiança.

Em função do que escrevemos no início desse artigo, toda e qualquer organização hoje em dia tem pessoas com pressões e motivações suficientes a cometerem um ilícito, como uma fraude. Resta a organização criar mecanismos para mitigar esses riscos. Em um próximo artigo escreveremos sobre o perfil do fraudador, com algumas dicas bem interessantes que podem ajudar você leitor em seu dia a dia.

Um abraço e até a próxima!

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