4/10/2007 - Gazeta de Ribeirão
MP entra na apuração
Por: Gabriela Yamada
O Ministério Público Estadual está acompanhando as investigações da Polícia Civil de Ribeirão sobre a Omni International, empresa acusada de suposto crime de estelionato e o "golpe da pirâmide". A história foi revelada pela Gazeta no último final de semana.
O promotor de justiça criminal Aroldo Costa Filho entrou em contato anteontem com o delegado do quarto distrito policial, Haroldo Chaud, que assumiu as investigações na segunda-feira após o delegado Luiz Geraldo Dias entrar de licença-prêmio.
"O delegado me inteirou do que a Polícia já fez e sugeri que fossem ouvidas outras pessoas. Iremos apurar se realmente houve crime", afirma Costa Filho. Segundo ele, há indícios de que foi realizado o golpe da pirâmide, proibido por lei.
O promotor teve acesso a uma filmagem de um suposto cliente lesado de Franca. Após ver as imagens, disse que o quadro está mais claro. “As imagens reforçam a existência de crime”, disse.
As investigações partiram de boletins de ocorrências registrados naquela delegacia, onde supostas vítimas se queixam de ter comprado lojas virtuais, em investimentos iniciais de R$ 4.090, segundo a polícia.
O fechamento do negócio aconteceria durante as reuniões realizadas aos domingos, no Centro de Convenções. Para participar, é necessário haver indicação e pagar R$ 40. Fernando Barbosa, que se diz vítima da Omni, recebeu R$ 360 por cada uma das duas indicações que fez. A partir da terceira, a empresa paga R$ 1.030, afirmou através de e-mail.
Fundada há seis anos em São Paulo e há três em Ribeirão, a Omni diz ter atualmente com 35 mil clientes ativos em todo o país e mais de seis mil na cidade.
Em comunicado enviado por e-mail ontem à tarde a Omni, através de sua assessoria de imprensa, esclarece que não pratica o sistema de pirâmide financeira, e que dentro da política de negócios da empresa a remuneração é resultado das vendas e revendas de produtos através da internet ou de catálogo, que podem ser do próprio lojista ou da Omni.
A segunda opção de remuneração, segundo o comunicado, é a indicação de novos clientes para a compra de lojas. Esta opção não é obrigatória e é tratada em contrato à parte. A Omni esclarece também que a proposta é motivar os clientes a aumentar suas vendas e atrair novos para a empresa através de recompensa financeira ou crédito para aquisição de produtos ou mídia em portais na Internet.
A Omni se colocou à disposição das autoridades competentes para esclarecer os fatos e apresentar toda a documentação necessária.
"A missão da Omni é justamente a de estimular o empreendedorismo, que exige dos nossos clientes visão de negócios e esforços profissionais para alcançar retorno financeiro, e não, como tais denúncias querem fazer parecer, o ganho de dinheiro fácil através de práticas ilegais", finaliza o comunicado.
O delegado seccional de Ribeirão, João Osinski Filho, disse que a investigação deve também levar em conta a possibilidade de crime contra o consumidor no caso da Omni.
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