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14/04/2012 - Último Segundo Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Após fraude, exames de seleção nos EUA reforçam segurança

Alunos terão que apresentar foto na inscrição para provas exigidas para entrar nas universidades americanas.

Depreciados por um escândalo de fraude envolvendo dezenas estudantes do ensino médio de Long Island, Nova York, os exames que selecionam alunos para universidades americanas SAT (Scholastic Assessment Test) e ACT (American College Testing) agora vão exigir uma fotografia dos candidatos no ato da inscrição, que será verificada na hora da prova. A exigência faz parte de um novo conjunto de regras anunciadas no fim de março como resultado do escândalo em que estudantes de melhor desempenho usaram identidades falsas para fazer o SAT ou ACT no lugar de outros alunos.

O caso ocorrido em setembro do ano passado se provou embaraçoso para a empresa prestadora do serviço de testes, que é usado praticamente por todas as universidades americanas na seleção de seus alunos.

A mudança será aplicada e terá efeito em todo o país no outono norte-americano, explicou Kathleen M. Rice, procuradora distrital do condado de Nassau. Seu gabinete acusou 20 adolescentes de cinco escolas de ensino médio no ano passado – cinco dos estudantes foram acusados de fazer para testes e outros 15 de pagar por esse "serviço" entre US$ 500 e US$ 3.600 (R$ 900 a R$ 6.600). Rice afirmou que até 50 estudantes podem ter se envolvido na fraude.

A mudança, segundo Rice, quer passar uma mensagem clara aos estudantes que considerem trapacear no exame. "Quem for pego será penalizado", disse. "O antigo sistema não garantia isso."

A fotografia, que os alunos deverão anexar no site de registro ou enviar por email, será impressa em seu documento de inscrição, bem como no índice de presença nas escolas. Isso permitirá que inspetores dos exames comparem a foto com a identificação apresentada no dia do teste, bem como com a face real do estudante.

Rice, que trabalhou nas novas medidas com consultores de segurança, disse ainda que as universidades irão receber as fotos dos alunos juntamente com suas pontuações. Quando questionada sobre a possibilidade da identificação visual poder influenciar indevidamente no processo de admissão, seu gabinete afirmou que pode reconsiderar o requisito.

Mas em geral, diretores e superintendentes aclamaram as novas medidas, muitas das quais disseram ter defendido durante mais de uma década. Mas ninguém chegou a prometer que o novo sistema será completamente infalível, dada a pressão que pais e estudantes de todo o país enfrentam durante o processo de admissão universitário e da disposição de alguns deles em pagar para obter resultados.

Em outra mudança significativa, os estudantes serão obrigados a identificar sua escola, que será notificada de sua pontuação. Anteriormente, cabia aos estudantes decidir se sua escola deveria ou não ser notificada. Isso dificultava que as escolas detectassem notas suspeitas, especialmente se os estudantes mais bem qualificados faziam provas em nome de outros longe de sua cidade natal.

Os alunos terão de incluir também seu sexo e a data de nascimento. As autoridades disseram que um dos cinco adolescentes presos no caso da fraude, Samuel Eshaghoff, fez a prova por meninas com nomes neutros, incluindo sua namorada histórica. Eshaghoff chegou a um acordo judicial com o Ministério Público, cujos detalhes são confidenciais.

Robert Schaeffer, diretor do FairTest, uma organização sem fins lucrativos que apoia melhores formas de avaliação, afirmou que as mudanças "devem ajudar a impedir que a prova seja feita por outra pessoa", mas não chegam a lidar com "o problema maior e mais generalizado de cooperação dentro dos centros de testes ou simplesmente da 'cola'".

Kathleen Steinberg, diretora executiva de comunicações da College Board, disse que aproximadamente 2 milhões de testes foram realizados no ano passado, dos quais 3.000 foram questionados e 1.000 cancelados. Outros 750 estudantes foram expulsos das salas de exame por vários delitos, como estarem de posse de celulares durante a prova.

Steinberg afirmou que o Educational Testing Service, responsável por administrar o SAT, gastou US$ 21 em um milhões em segurança entre 2010 e 2011. Ela disse não saber quanto as medidas adicionais irão custar à empresa. Para Steinberg e Scott Gomer, porta-voz da ACT Inc., afirmaram que não haveria impacto sobre o custo para os estudantes. Atualmente, o ACT custa de US$ 34 a US$49,50 (R$ 62 a R$ 90) e o SAT custa US$ 49 para os estudantes.

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