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01/10/2007 - Via Paraty Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Contos da Literatura Criminal

Por: Denice Marendaz


Os tempos mudaram, sim e como!
A internet, tudo hoje se move à base de um “login” e uma “senha”...
As descobertas da ciência, o genoma, a globalização, o Biodireito, enfim, poderia uma infinidade de tempos elencando o que, desde meus tenros tempos de criança até hoje, vi mudar. No entanto, mesmo com todas as evoluções do mundo, vejo hoje, na minha prática como criminalista, o retorno dos antigos golpes que nem da minha época eram. Eu ouvia falar, a 30 anos atrás, de que, nas décadas passadas tratavam-se de práticas criminosas antigas e conhecidas.
Não sei por quê, mas vejo que há nos nossos dias um considerável retorno dos antigos e conhecidos GOLPES, que voltaram a ser aplicados em nossa sociedade nos dias atuais.
A criatividade da mente perversa é maior que a do legislador, mas este tenta abarcar e alinhavar quaisquer possibilidades de práticas criminosas nas leis que cria. Mas é de causar perplexidade a tamanha coragem com que golpistas chicaneam os honestos civis tentando aplicar-lhes antigos e até mesmo já falados e conhecidos golpes de antigamente nos dias de hoje. Chamaria estes cinco últimos anos de nossa década de “Os Anos do Esgotamento da Criatividade da Mente Criminosa”, ou “A Década do Retorno dos Golpes Velhos”, ou algo do tipo.
Quem ultimamente não ganhou um automóvel pela comemoração dos 25 anos da emissora do Sílvio Santos sendo comunicado por um mágico torpedo SMS no seu celular? Eu já recebi um torpedo desse e, como a presunção de inocência até prova em contrário é a regra, liguei (na expectativa do meu Astra grátis) para o número indicado, me pediam dados bancários, obviamente que não dei e liguei para o SBT pleiteando meu Astra! Brincadeira. Mas liguei sim, para o SBT e informei do golpe, e fui, por eles informada de que este golpe vem sendo aplicado no Brasil desde 1996, pasmem os leitores (era da rápida mensagem graças à evolução da tecnologia? Numa outra localidade, não muito distante, quem foi o sortudo à receber um simples telefonema daquele do tipo esperado pela vida toda de que havia um aumento dado pelo governo no seu contra-cheque?).
Estes são apenas dois dos muitos golpes que vêm sendo aplicados no cidadão brasileiro nos dias de hoje e que antigamente já o eram nos das gerações antigas. Mas o problema é que antigamente as pessoas caíam como vítimas porque os golpes eram desconhecidos, mas hoje, com o retorno deles, é de causar espanto que ainda façam suas vítimas.
Com o objetivo de firmar bases sólidas de defesa dos nossos cidadãos e amigos, é que hoje abordaremos uma Lenda da Criminologia, que nos dias de hoje assim se apresenta:
O diferencial, e o que torna hoje mais perigoso esse tipo de golpe é que ele é praticado VIA INTERNET!

“ Fraude 419” ou 4-1-9 Scam, ou O golpe dos nigerianos,
ou ainda
A fraude da antecipação de pagamentos (Advance Fee Fraud)

A “Fraude 419” nada mais é do que o conto do vigário através do sistema bancário, praticada via internet.
São operações falsas, que visam roubar um valor em dinheiro da vítima, tal e qual e como antigamente acontecia no chamado Conto do Vigário...
Essas operações ficaram conhecidas na literatura como "Fraude 419", já que esse é o número do artigo do Código Penal da Nigéria que trata do assunto.

Isto aqui não é uma lenda e não faz parte do folclore, às vezes divertido, da Internet. Não tem origem desconhecida, não fala de algo inexistente como um falso vírus ou um gatinho bonsai.
O que se apresenta a seguir é um golpe real e criminoso originado na Nigéria, mas que já se espalhou por grande parte da África e por alguns países da Ásia e da Europa.
Esse golpe tem feito muitas vítimas em todo o mundo. Algumas pessoas foram assassinadas e outras se encontram desaparecidas vítimas desse golpe.
O nome Ibrahim Khalid é exatamente o nome que consta do e-mail mostrado como exemplo desse tipo de fraude. Se você receber um destes, certamente não é uma coincidência. É a Fraude 419.
Além da Nigéria, há golpes originados ou que mencionam o Afeganistão, África do Sul, Angola, Costa do Marfim, Benin, Congo, Dubai, Etiópia, Filipinas, Gâmbia, Ilhas Maurício, Libéria, Marrocos, Senegal, Serra Leoa, Somália, Suazilândia, Tanzânia, Togo, Zaire e Zimbábue.
Da Europa, já marcaram presença alguns golpistas da Holanda e da Iugoslávia. Japão, China, Malásia e Taiwan também já marcaram presença na fraude.
Não é um negócio da China, é um negócio da Nigéria. É o famoso golpe 4-1-9, o equivalente nigeriano ao 171 brasileiro: estelionato, conto do vigário. O nome atribuído a esse golpe é muito sugestivo: AFF - advance fee fraud, a fraude da antecipação de pagamentos.
Segundo a página Nigerian Scam / Quatloos o golpe 4-1-9, o 虳 scam" é a terceira maior fonte de renda da Nigéria.
Esse golpe, surgido pela metade da década de 80, goza de uma certa (se não simpatia por parte dos agentes do governo) compreensão bastante peculiar de modo que a ação contra os vigaristas nigerianos é praticamente inexistente. Parece algo como o "combate" ao jogo do bicho no Brasil, uma contravenção consentida.
Segundo a polícia britânica, mais de 3.000 cartas são distribuídas todas as semanas propondo o golpe 4-1-9. Não há estimativas quanto à quantidade de e-mails enviados propondo o mesmo negócio.
Uma das características desse golpe é o baixo "investimento" necessário para aplicá-lo. No passado, para reduzir os custos, chegavam até mesmo a falsificar selos dos correios da Inglaterra.
Hoje, basta um microcomputador e uma conta num provedor. Os e-mails podem ser comprados a um desses spammers que fornecem milhões de endereços eletrônicos para a prática de spam. Um desses spammers brasileiros, por exemplo, vende lista com 26,8 milhões de e-mails por 60 reais.
O fato é que todas as semanas chegam, à Nigéria, vítimas com a intenção de botar a mão em alguns milhões de dólares e todas elas estão com a esperança de entrar num suposto esquema de fraude contra o governo nigeriano, contra a empresa de petróleo, a Nigerian National Petroleum Corporation - NNPC ou contra ex-funcionários corruptos do antigo regime militar deposto em 1998.
A banda podre do governo vê esses visitantes como gente a ser depenada. A banda saudável vê essas vítimas como espertalhões em busca de dinheiro fácil. A vítima, o esperto que pretende iludir e enganar os pobres e subdesenvolvidos nigerianos fica entre a cruz e caldeirinha. E uma vez consumado o golpe, na maioria das vezes, ele não vai prestar queixa nem passar recibo de otário. Tem de assumir o prejuízo, ficar calado e ponto final.
São tantos os golpes financeiros originados da Nigéria que existem páginas da web especializadas em analisar as suas diversas facetas. O sítio Financial & Tax Fraud- Education Associates / Quatloos apresenta mais de cem diferentes modelos de cartas e de mensagens enviadas à vítimas em potencial do mundo todo.
No texto Tips for Business Travelers to Nigeria ou Dicas para Viagens de Negócios à Nigéria encontram-se recomendações para os viajantes que pretendem ir para esse país. Nenhum outro país é "beneficiado" com tantos alertas.
Agências governamentais norte-americanas estimam em várias centenas de milhões de dólares os prejuízos causados aos seus cidadãos. Há quem fale em 2 bilhões de dólares por ano. Vale levar em conta que uma parte significativa das vítimas não apresenta queixas nem comunica a fraude com receio de passar pelo ridículo, de se expor ao vexame de ter caído num golpe de certa forma bastante primário.
Segundo Truth or Fiction, em 2001 pelo menos 2.600 americanos perderam dinheiro com esse golpe. Dezesseis dessas vítimas perderam mais de 300 mil dólares cada uma.
David Lazarus, colunista do San Francisco Chronicle diz, em seu artigo Greed fuels big Internet scam (12-jan-2003), que o serviço secreto dos EUA (USSS) rastreou 85,5 milhões de dólares perdidos por americanos durante o ano de 2002. Essa é apenas uma parcela do valor levado pelos autores do golpe, pois, para o USSS, muita gente não abre o bico depois de cair na esparrela.
Cada uma das vítimas cujos nomes chegaram ao conhecimento do USSS perdeu, em média, 342 mil dólares.
Sanni Abacha, o mais brutal, corrupto e sanguinário general-ditador africano é mencionado em várias mensagens. Abacha morreu em junho de 1998. (Ele nem teve direito a umas férias em Londres <(((
As mensagens falam que o general Sanni Abacha teria morrido de infarto. Segundo THE LOST BILLIONS, Abacha morreu de ataque cardíaco ao participar de uma orgia, "movida" a viagra, com três prostitutas.
O montante roubado pelo general é estimado em mais de quatro bilhões de dólares, boa parte desviada para bancos suíços e norte-americanos. É uma parcela desse dinheiro roubado que os vigaristas prometem aos destinatários das mensagens.
Outras mensagens falam em Johnny Paul Koroma, chefe da junta militar que governou Serra Leoa entre maio de 1997 e fevereiro de 1998.
Em minha caixa de correio estão algumas mensagens propondo negócios milionários. A primeira delas é bem persuasiva.
"Eu sou Mrs. Mariam Abacha, viúva do general Abacha ex-chefe do governo militar da Nigéria, diz a mensagem. Há pouco tempo, o atual governo nigeriano descobriu, num banco suíço, a soma de 700 milhões de dólares e mais 450 milhões de marcos alemães. Desse montante, consegui liberar, secretamente, 28,6 milhões de dólares e esse dinheiro encontra-se em segurança. Preciso, urgentemente, de sua ajuda para transferir os 28,6 milhões de dólares para o seu país onde, acredito, ele estará em segurança. Meu advogado providenciará um encontro com o senhor, fora da Nigéria, e lhe entregará os recibos de remessa da bagagem contendo o dinheiro para que o senhor possa liberá-la na empresa aérea. O senhor receberá 30 % do valor total e o restante do dinheiro ficará sob os seus cuidados até que o atual governo nigeriano me dê alguma liberdade de movimento."
Em outra versão, a viúva Alhaja Mariam Abacha afirma haver obtido o nome do destinatário da mensagem na agenda de endereços do marido dela.
"É com o coração cheio de lágrimas que peço a sua ajuda neste momento de pesar. Falsas alegações de assassinato de alguns políticos e de defensores da democracia, acusações de roubo de dinheiro público foram lançadas contra o meu marido. Como conseqüência, nossos bens e a nossa conta bancária foram confiscados nos deixando sem meios de sobrevivência."
Ela conseguiu recuperar apenas 60 milhões de dólares enviados para Ghana logo após a morte do general. É esse dinheiro que ela vai transferir para o país do destinatário da mensagem. Como recompensa por sua ajuda, o destinatário e parceiro receberá 10 milhões de dólares. Esse assunto deve ser tratado sob sigilo absoluto através do e-mail do advogado da madame. E a pobre e triste viúva finaliza: "Garanto que não há riscos envolvidos nessa transação e que Alá o abençoe”.
O Dr. Hassan Abubaka promete participação no butim do general Abacha contando com a colaboração de Mrs. Maryam Haddiya Abacha, esposa do general. A mensagem diz que a pobre viúva dispõe de 31,5 milhões de dólares e precisa da sua ajuda, da ajuda do destinatário da mensagem. Uma pequena ajuda: tudo o que escolhido tem de fazer é dispor de uma conta corrente para onde o autor do golpe possa transferir os 31,5 milhões de dólares. O dinheiro encontra-se em segurança e logo o escolhido vai poder contar com uma generosa comissão a título de reconhecimento pelos serviços prestados.
Fash Badmus está com um pequeno problema e precisa de ajuda. Ele dispõe de 45,5 milhões de dólares, uma ínfima parcela dos 4,5 bilhões dólares roubados pelo general Abacha. Esses 45,5 milhões correspondem ao primeiro negócio para que eles, os vigaristas e a vítima, possam ganhar confiança mútua.
"Eu sou Rasaq Mustapha filho do Major Hamza Al Mustapha antigo Chief Security Officer do General Sanni Abacha" diz outra mensagem. "Eu e minha mãe concordamos em lhe pagar uma comissão de 30% e mais 5 % para despesas diversas sobre o montante de 35 milhões de dólares. Esse dinheiro encontra-se nos Estados Unidos para onde foi enviado clandestinamente. Tudo o que você tem de fazer é nos enviar dados detalhados do seu passaporte, seu endereço completo para onde as chaves das caixas com o dinheiro serão enviadas via DHL, seus números de telefone e de fax. Eu, (Rasaq) e minha mãe lhe enviaremos os recibos de envio das caixas, a senha do código de segurança (password), o certificado de depósito, o termo de compromisso entre o meu pai e a empresa de guarda das caixas e as chaves das caixas."
NIGERIAN NATIONAL PETROLEUM CORPORATION. FEDERAL SECRETARIAT, FALOMO - LAGOS, NIGERIA. TEL: 234-1-775-6839 FAX: 234-1759-6668. É o Dr. Adams Dagogo quem assina a mensagem. Ele se apresenta como Diretor de Engenharia & Projeto da Nigerian National Petroleum Corporation (NNPC) e precisa da ajuda do destinatário da mensagem para transferir 41,5 milhões de dólares. Ele fez um belo contrato para compra de computadores e mais assistência técnica envolvendo o Y2K, o bug do milênio. O valor original do contrato era de 105,5 milhões de dólares, mas ele obteve melhores preços com os búlgaros de modo que o custo total foi de apenas 64 milhões de dólares. O troco, os 41,5 milhões, ele vai dividir com um felizardo colaborador.
Prince Vom Tete conta com você. Não dá pra saber se Prince é nome próprio ou se o rapaz é membro da realeza. Qualquer uma realeza, porque isso não vai fazer diferença alguma, pois o destinatário da mensagem sairá lesado do mesmo jeito se entrar nessa. De qualquer forma, o valor da proposta é tão ridículo que eu me recuso a fazer maiores comentários. Ele dispõe de apenas 15,4 milhões de dólares. Uma mixaria. O fato é que um chinês de Taiwan já levou 7,5 milhões de dólares e não deu mais notícias. Até agora os valores eram bem mais interessantes: 41,5 milhões, 45 milhões, 35 milhões isso sem falar no aceno dos 4,5 bilhões do Fash Badmus. (Veja que Sua Alteza Real deixa no ar uma vaga possibilidade de o destinatário da mensagem também aplicar nele o mesmo golpe que lhe foi aplicado pelo chinês: receber a grana e dar no pé.)
O próximo.
Alhaji Akimola Bayo fala de dinheiro grande: 66,56 milhões de dólares. Foi isso que ele e a turma dele descobriram que estava disponível numa "suspense account". Quer dizer, depois de pagarem todas as contas houve uma sobra de caixa, algo como uma generosa sobra de campanha tão conhecida por aqui. Você participa e ganha 25 % e mais 5 % para despesas contingenciais.
O Dr. Tom Awakk, médico e confidente da viúva Abacha, fala de 65 milhões de dólares e paga comissão de 40 % para você participar do golpe. A história é quase a mesma. A pobre viúva do general Abacha está com essa dinheirama, não sabe o que fazer com 65 milhões de dólares e tem certeza de que você é uma pessoa de bem, uma pessoa honesta e de confiança. Por isso, ela conta com você para transferir esse dinheiro para a sua conta bancária.
Alfred Johnson, funcionário da NNPC - a empresa estatal de petróleo da Nigéria tem a receber uma comissão de 10 % sobre um contrato de U$ 350 milhões de dólares. O dinheiro está pronto para ser depositado, mas há um problema: Mr. Johnson não tem conta corrente em banco no exterior, quer dizer, não tem conta fora da Nigéria. Ele apela para os préstimos do destinatário da mensagem no sentido de aceitar que ele deposite em sua conta essa dinheirama: os U$ 35 milhões de dólares.
Logo após a morte do general Sani Abacha, diz outra mensagem, o novo governo da Nigéria descobriu 580 milhões de dólares em vários bancos pelo mundo a fora, dinheiro resultante de negócios com petróleo. Desse montante, U$ 21.373.000,00 foram recuperados pela viúva do general, a senhora Maryam Abacha. Devido a uma situação de extrema urgência, a senhora viúva deseja transferir para fora da Nigéria esse dinheiro a ser depositado na conta corrente de uma pessoa compreensiva e de confiança: você, o destinatário da mensagem. Como retribuição por tão amável serviço, o destinatário da mensagem será recompensado com 20 % do total: exatos U$ 4.274.600,00. É o que assegura Wase Kabiru signatário da mensagem e procurador da viúva.
O Dr. Alli Katsina diz que o nome, ou melhor, o e-mail do destinatário foi indicado a ele por um funcionário da Câmara de Comércio da Nigéria que, por sua vez, nada sabe da natureza da proposta contida na mensagem. O funcionário sabe apenas que o Dr. Katsina tem algum dinheiro para investir no exterior e, por isso, ele indicou o e-mail do destinatário: você. São U$ 25 milhões, dos quais você recebe 30 %: 7,5 milhões de dólares como retribuição pelos serviços prestados. Tudo deve se resolver em catorze dias úteis.
Mr. Joseph Nelson é filho de um colaborador do Major Johnny Paul Koroma de Serra Leoa. Ele fala de 20,6 milhões de dólares originados de negócios com diamantes, a principal fonte de recursos do país, e que pertenciam a Johnny Paul Koroma. A mensagem não esclarece como o dinheiro foi cair nas mãos do pai de Mr. Nelson, morto poucos meses depois de chegar ao exílio na África do Sul. Único herdeiro dessa fortuna, guardada em segurança na África do Sul, Mr. Nelson vai pagar ao destinatário da mensagem 20 % dos U$ 20,6 M (4,12 milhões de dólares) e mais 5 % para despesas gerais durante as negociações. Ele pede a maior discrição no trato do negócio devido à posição do pai dele e da origem do dinheiro.
David Wazing diz que Gene Billings, um americano morto no acidente da EgyptAir em outubro de 1999, deixou 10,5 milhões de dólares numa conta do Eco Bank da Nigéria. Depois de pesquisar, sem sucesso, a respeito de parentes herdeiros do acidentado, Mr. Wazing agora quer transferir os 10,5 milhões para fora da Nigéria antes que o banco fique com o dinheiro todo para si.
Isa Mbeki é representante de um grupo de funcionários interessados em importar bens produzidos no país da vítima. A história é a mesma de sempre: dinheiro roubado para pagar as importações, 20 % de comissão para o parceiro.
O dia 21 de abril de 1999 foi um dia nefasto, como dizem os horóscopos. Ou um dia de grandes oportunidades para os vigaristas. Nesse dia, teriam ocorrido 3 acidentes de carro. Em cada um dos acidentes, morreram um casal e os respectivos filhos. Coincidentemente, os 3 homens mortos, George Zilli, Kenneth Evangelista e Pedro M. Coimbra trabalhavam no mesmo tipo de negócio ou empresa: Shell-development Company e todos eles deixaram heranças valiosas. Os valores oscilam entre 5,2 e 26 milhões de dólares. George Udumego, Oscar Prince e John Obika bem que se esforçaram para encontrar os herdeiros, mas não conseguiram. Como o destinatário da mensagem tem o mesmo sobrenome da vítima do acidente, o barrister pode arranjar para que ele, o destinatário, se passe como parente do desditado morto e receba a polpuda herança.
Sodindo Malinga do Zimbábue dispõe de 8,6 milhões de dólares para a transação. Comparando com as demais ofertas, é pouco dinheiro. Além disso, ele é um pão duro e oferece apenas 10 % de comissão.
Mr. George M. Erim quer a sua ajuda para desovar 35 milhões de dólares. Paga comissão de 30 % e blá, blá, blá... Outra mensagem tem os dados do remetente removidos.
Alguns vigaristas até que são espirituosos. Um deles é Mr. Fortune Musa, ou seja 'musa da fortuna'. Ele é gerente do Nigerian Development Bank, Lagos, Nigéria e pede que o destinatário se apresente como parente de Mr. Steve Lin Chen, morto em acidente de carro. São 27,5 milhões de dólares deixados pelo falecido. Comissão de 30% mais 5% para despesas gerais.
Em princípios de 2003, começou a circular mensagem assinada por Lois Estrada que se diz mulher do ex-presidente filipino Joseph Estrada defenestrado por corrupção em janeiro de 2001. A conversa é a de sempre: dinheiro obtido de forma ilegal que se pretende compartilhar com um comparsa de outro país.
Uma mensagem bem curiosa é enviada por Charles Kalu, um golpista principiante e meio trapalhão. Logo no início, ele diz “MY NAME IS...” , e esquece de completar o nome. Quando vai revelar a quantidade de dinheiro disponível, veja só os valores: “I DISCOVERED THAT MY BRANCH IN WHICH I AM THE MANAGER MADE SIX HUNDRED AND EIGHTY THOUSAND US DOLLARS ($750,000.00)”. Além de ser pouco dinheiro para os padrões do golpe, ele não sabe escrever o valor. E esquece o próprio nome.
Uma variante que atrai muitos incautos é a proposta de doação de dinheiro para uma igreja ou obras de caridade.
Mrs. Sarah Rowland, uma viúva muito religiosa, está com câncer e só tem mais 3 meses de vida. Sem filhos nem herdeiros, ela pretende doar 27,6 milhões de dólares para uma igreja ou pessoa que se disponha a usar essa fortuna em orfanatos e outras obras de caridade. Ela não informa o número do telefone dela com receio de que os parentes do falecido marido saibam alguma coisa sobre o dinheiro, pois sempre há um deles por perto.
Uma versão diz que Mrs. Sarah Rowland mora na Malásia. Em outra versão, ela se apresenta como viúva do Dr. Alan George Rowland, ex-funcionário da embaixada nigeriana na África do Sul. Mrs. Sarah Rowland também se apresenta como viúva do mesmo Dr. Alan George Rowland, mas um ex-funcionário da embaixada da Malásia na África do Sul.
Dr.Michael.J.Leyden escreve em castelhano confuso misturado com palavras em inglês para dizer que está disposto a doar dinheiro para caridade.
São muitas, algumas centenas, as mensagens contando histórias parecidas. O que existe em comum entre elas é: há milhões de dólares disponíveis para dividir com a vítima. Os valores mencionados oscilam de 8 a 700 milhões de dólares. Às vezes, menciona-se o marco alemão e há mensagens falando em diamantes e em centenas de quilos de ouro. O diamante ou o ouro será vendido ao destinatário por um preço bem menor do que o preço praticado nas bolsas européias a origem do dinheiro, dos diamantes ou do ouro é sempre duvidosa e para dar credibilidade a essa origem é mencionado o nome de um conhecido ditador-ladrão, o general Abacha, da esposa dele, do filho do ditador, do filho de um colaborador do ditador, do médico e confidente da viúva do ditador. Há, também, os casos em que se apresenta um burocrata corrupto, suposto funcionário ou diretor de uma empresa como a NNPC - a estatal nigeriana do petróleo. Nesses casos ele, o remetente, faz questão de deixar clara a forma de obtenção do dinheiro: sobra de pagamentos efetuados, comissões pagas "por fora", investimentos não reclamados por parentes há notícias de que já estariam circulando mensagens em nome de Saddan Hussein prometendo muito dinheiro em troca de um lugar seguro para guardar o dinheiro roubado do povo iraquiano. (Vale lembrar que o ditador Hussein foi conduzido ao cargo com o apoio da CIA. Mas isso aí já é outro golpe.
O dinheiro pode ser transferido de um banco suíço, de um país escandinavo, da Nigéria, de Ghana ou de outro país africano para a conta corrente do destinatário da mensagem no Brasil ou no exterior. O dinheiro pode ser investido em imóveis, em indústrias ou no setor financeiro
O negócio é ilegal, o remetente deixa isso bem claro você é uma pessoa de confiança, uma pessoa honesta. Se não o fosse, por que ele, o vigarista, iria lhe confiar 30 ou 40 milhões de dólares? Como ele, o nigeriano, sabe disso, como ele sabe se você é honesto? Você não tem dúvida de própria sua honestidade, tem?
Pede-se sigilo absoluto. É claro que você não vai botar a boca no trombone e bancar o trouxa. O dinheiro vai ser seu e não tem por que você sair contando pra todo mundo que você foi O eleito
Há uma certa urgência nas negociações. Não se pode perder muito tempo: time is money. Há mensagens falando em quatro dias úteis para a entrega do dinheiro. Outras apresentam um prazo mais dilatado, mas sempre num horizonte de duas ou três semanas. O remetente deixa claro que, em poucos dias, o felizardo pode ficar milionário sem fazer nada a vítima deve fornecer uma série de dados pessoais como telefones, endereços, conta bancária e cópia do passaporte o dinheiro será depositado na conta corrente da vítima ou na conta corrente da sua empresa e lá ficará guardado até que o remetente solicite a liberação dele. Fica implícita a possibilidade de a vítima, o dono da conta, ficar com dinheiro todo, não devolvê-lo na hora solicitada a mensagem contendo a proposta é, quase sempre, originada de um serviço gratuito de mensagens, geralmente Hotmail ou Yahoo! Isso dificulta o rastreamento da origem dela. - Se esses provedores forem informados do uso dos serviços para essa fraude, eles cancelam a conta. O vigarista, no entanto, pode abrir outra conta com um nome diferente e continuar os "serviços". - Bom, mas e depois? O que acontece em seguida, após as negociações preliminares, a partir do momento em que a vítima concorda em participar do esquema? Aí é onde a porca torce o rabo.
A vítima será informada da ocorrência de um pequeno obstáculo, mas isso não é nada e logo ele será resolvido. Algumas despesas têm de ser cobertas imediatamente, houve uns contratempos que exigem um pagamento rápido sob pena de o negócio não se realizar.
Basta a vítima antecipar algum dinheiro para despesas inadiáveis e indispensáveis como propinas, emolumentos, incentivos, taxas e despesas burocráticas. De início, são despesas pequenas, mas logo o valor vai aumentando. Algumas vítimas fazem a transferência OnLine dessa parcela inicial sem se dar ao trabalho de obter maiores informações sobre a transação.
Veja um pedido de adiantamento para cobrir despesas.
Outro documento informa que a vítima tem de pagar 7.500 dólares a um advogado. Para o advogado iniciar os serviços de liberação do dinheiro, o parceiro deve pagar a metade dos honorários: U$3.750.
Mais um 'documento': Certificate of Deposit 'emitido' pelo Offshore Payment Center London.
Vale notar que o remetente, a viúva, o herdeiro ou o suposto funcionário está com pressa. O dinheiro se tornou disponível "há pouco tempo" e ele ou ela está precisando dele. Providências urgentes e imediatas devem ser tomadas para a operação de transferência.
Há quem aceite o convite para ir à Nigéria. Há casos em que os golpistas recomendam ao parceiro não solicitar o visto no passaporte, pois amigos irão recebê-lo no aeroporto e resolver o assunto com as autoridades da imigração. Aí o parceiro torna-se uma vítima ainda mais fácil: sem o visto no passaporte ou sem a anotação de entrada ele é um estrangeiro ilegal. O pato é facilmente depenado.
Ao chegar à Nigéria, o parceiro é envolvido num esquema de visitas a repartições do governo, escritórios especializados em intermediações e em transferências de dinheiro, visitas a autoridades do governo. Essas autoridades, repartições e escritórios tanto podem ser reais, de funcionários do governo envolvidos na fraude, como de escritórios e funcionários de mentirinha, de fachada.
Os mais desconfiados, os que se recusam a ir até a Nigéria podem ir para um país neutro, outro país africano ou mesmo algum país da Europa.
Um dos contactos pede para a vítima ir até o Canadá, pois parte do dinheiro encontra-se na cidade de Toronto e outra parte em Quebec. O dinheiro não pôde ser enviado para os Estados Unidos devido ao ataque de "Usman" Bin Laden no dia 11 de setembro de 2001. É que a partir de setembro desse ano, os Estados Unidos estão rastreando a origem de somas superiores a 10 mil dólares.
O fato é que em um determinado momento o parceiro, a vítima vai ser convidada a cobrir várias despesas, nada muito significativo se comparado ao valor em jogo, os 5, 30 ou 60 milhões de dólares sonhados por ela.
E o pior, ou melhor, conforme o ponto de vista é que todos os dias aparecem pessoas caindo nessa conversa. Eles pagam pra ver e vão botando dinheiro bom em cima de dinheiro ruim como se diz. Uma taxa, alguns emolumentos, mais uma extorsão, um suborno, uma gorjeta, uma gratificação, mais um incentivo e uma propina até os vigaristas perceberem que o poço está esgotado e a vítima é abandonada.
O texto Tips for Business Travelers to Nigeria ou Dicas para Viagens de Negócios à Nigéria afirma que todas as semanas a Embaixada Americana em Abuja, capital da Nigéria e o Consulado Americano em Lagos, assim como embaixadas de outros países tomam conhecimento de casos envolvendo o golpe 419. Há pessoas simples e também empresários experientes enredados nesses negócios. Autoridades americanas dizem poder ajudar seus cidadãos vítimas do golpe, seja regularizando a situação no país, seja dando algum apoio, mas jamais conseguiram recuperar o dinheiro perdido.
Uma das análises sobre os participantes do golpe, de um lado o proponente africano e do outro o parceiro destinatário da mensagem, diz que não há, nem de um lado nem do outro nenhum santo, nenhum anjinho inocente. O parceiro, o destinatário da mensagem, ao aceitar os termos da negociação ele decide participar do golpe. Ele concorda em aplicar o golpe no governo da Nigéria, na empresa de petróleo, no governo de Serra Leoa, nos verdadeiros donos do dinheiro, do ouro ou dos diamantes roubados.
O parceiro, dizem os analistas, logo se transforma num vigarista que se acha mais esperto do que o outro vigarista. Mais tarde, tarde demais, é que ele percebe ser um otário querendo aplicar um golpe nos golpistas nigerianos, no governo da Nigéria ou de Serra Leoa, em sobreviventes da família do general Abacha, em supostos altos funcionários do governo, na empresa de petróleo, nos vigaristas de Serra Leoa. Um simples amador em luta contra um grupo organizado de profissionais.
Outros analistas vão mais além: dizem que o parceiro já entra no esquema com a intenção de passar a perna no proponente nigeriano, pois ele acha que vai ser muito fácil receber o dinheiro e desaparecer com ele.
Ao ler as mensagens, percebe-se que o remetente ou a remetente está passando por um momento muito difícil seja no exílio, seja em prisão domiciliar como diz a suposta viúva Abacha. O texto da mensagem sempre demonstra um espírito bastante fragilizado, carente, necessitado de ajuda, um ser facilmente manipulável.
De qualquer forma, na maioria dos casos, as mensagens indicam, de forma clara e inequívoca, a origem do dinheiro, do ouro ou dos diamantes. O parceiro, a futura vítima, aceita receber uma parte desse butim em troca de um serviço, à primeira vista, bastante fácil e que não parece exigir maiores esforços. Ledo e ivo engano...
O parceiro, a vítima está sempre em condições de inferioridade. Se viajar até a Nigéria, vai encontrar um país de hábitos e costumes diferentes, de idiomas desconhecidos. É verdade que o idioma oficial da Nigéria é o inglês, mas lá existem outros 505 idiomas ou dialetos vivos registrados pela Ethnologue. É comum a vítima ser convidada a ir até a cidade de Lagos, ex-capital da Nigéria: uma cidade paupérrima com mais de 12 milhões de habitantes.
Se a vítima estiver num país neutro, na Europa ou na África, a situação não será muito diferente. De qualquer forma, os vigaristas procuram jamais atacar no país de origem da vítima.
Cobiça, ambição e ganância são as palavras-chave associadas a esse golpe assim como a todos os contos do vigário. Ingenuidade, desinteressada vontade de ajudar os mais necessitados, espírito humanitário nos que se arriscam na empreitada? Cada um acredita no que quiser acreditar.
Em todos os casos, a essência do golpe é a mesma dos célebres e tupiniquins contos do paco, do bilhete premiado, do boy apressado. A vítima também é parte integrante da vigarice, pois ela está interessada em tirar algum proveito, em tirar alguma vantagem da situação.
Se você receber uma mensagem-convite para participar de um desses esquemas de fraude faça o seguinte:
não vá na conversa do vigarista
mande-nos uma cópia da mensagem para completar a nossa coleção
envie cópia da mensagem com o cabeçalho para:
fpro@nigeriapolice.org
wonst@nigerianscams.org
419@nigeriapolice.org (As mensagens enviadas para esse e-mail têm retornado acusando erro.)
Os norte-americanos, com a sua reconhecida ganância, estão entre as maiores vítimas dessa fraude. Há escritórios do governo interessados em propostas desse tipo e em botar a mão nos golpistas. Portanto, você também pode encaminhar a mensagem para 419.fcd@usss.treas.gov. (Mas não espere nenhum retorno ou confirmação do recebimento da sua mensagem.)
Por falar em norte-americanos: veja a mensagem enviada por um certo Mr. Kenneth Cole. Ele diz integrar as forças especiais dos Estados Unidos no Afeganistão, a chamada Operação Justiça Infinita (!?). Na "semana passada", ele e o grupo dele, quatro "agentes", numa operação muito bem sucedida encontraram, nas montanhas afegãs, não Osama Bin Laden, mas coisa muito melhor: encontraram 36 milhões de dólares. Pertencentes ao grupo terrorista Al Qaeda, of course.
O valoroso e intrépido legionário não contou nada ao comandante dele, guardou a dinheirama num lugar seguro em Cabul e pede ajuda para trazer o butim para a conta do destinatário da mensagem a quem pagará uma porcentagem bem agradável.
E o melhor: Mr. Cole, o infinitamente justo e bravo legionário e agente da Operação Justiça Infinita, fala em ética militar (military ethics). Essa "ética" impediria que ele e a sua quadrilha retirassem o dinheiro do Afeganistão. É a mesma ética de George W. Bush, sem dúvida. (É improvável que o Mr. Cole exista. Existem apenas a "ética militar" dele, da Operação Justiça Infinita e de W. Bush. E mais o espírito do butim de qualquer guerra e a ganância dos desavisados que caírem nesse golpe.)
E para quem achar que não existem pessoas crédulas o bastante para cair no golpe...
Entre janeiro e setembro de 2002, Ann Marie Poet, uma diligente secretária norte-americana de Berkley, Michigan transferiu U$2,1 milhões para uma pessoa que se apresentara como Dr. Mbuso Nelson, ministro da mineração da África do Sul. Esse dinheiro seria destinado a pagar propinas para facilitar a transferência de U$ 18 milhões de um banco sul africano para os Estados Unidos.
Desses dezoito milhões de dólares, Ann Marie Poet receberia 4,5 milhões pela "colaboração". Ela esperava usar esse dinheiro para cobrir o rombo feito nas contas do escritório de advocacia onde trabalhava e, com o saldo, ela teria uma vida confortável nos padrões do american way of life. Veja mais sobre esse caso em Law firm out $2.1 million in African fraud.
Em 419 gang scam themselves into the slammer, fala-se de um professor de nacionalidade suíça que perdeu 482 mil dólares para os vigaristas. O curioso é que o professor teria feito a sua tese de doutorado sobre 'a estupidez humana' :))
Logo após o tsunami que se abateu sobre a Ásia, vigaristas cuidaram de explorar a tragédia. Helen, uma nobre somaliana, diz que "teve toda a sua vila destruída e perdeu os parentes no desastre". Ela pede ajuda para transferir 2,4 milhões de dólares.
Com a morte do líder palestino Yasser Arafat, logo surgiu mensagem supostamente assinada por Suha Arafat, sua esposa, afirmando dispor de 200 milhões dólares para investir no país da vítima, o destinatário da mensagem. Redigido em péssima linguagem e toda em letras maiúsculas fica difícil acreditar que alguém com o mínimo de bom senso venha a acreditar na história. Dois destaques nessa investida: o alto valor, 200 milhões de dólares, e a baixa percentagem proposta: apenas 10% para o otário.

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