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14/03/2012 - Público.pt - Última Hora Escrever Comentário Enviar Notícia por e-mail Feed RSS

Encontrados cinco milhões de “dólares pretos” numa rua da Venda Nova

Por: José Bento Amaro

Notas falsas servem, depois de lavadas com líquido milagroso, para burlar incautos e gananciosos.

O que sente alguém que, ao caminhar numa rua meio deserta, tropeça, literalmente, num imenso cofre carregado de notas de 100 dólares? Tão carregado que a soma total do dinheiro chega aos cinco milhões de dólares. Desmaia? Pula desalmadamente? Enlouquece? Não. Chama a polícia.

Foi isso que ocorreu ao fim da tarde de ontem, na Venda Nova, Amadora. E, depois da emoção de ter a imensa fortuna nas mãos, sobreveio a enorme desilusão por saber que, afinal, aquele enorme monte de notas nada vale. Eram “dólares pretos” ou “dólares nigerianos”. Reles imitações do papel/moeda norte-americano que todos os dias, em todo o mundo, são utilizados para burlar incautos.

A “fortuna” encontrada na Venda Nova estava ao alcance da mão de quem passasse. Em boa verdade, as notas não tinham bom aspecto. Estavam enegrecidas, como se tivessem sido submetidas a meses de intenso fumeiro. Tão negras que mal se conseguia vislumbrar os seus dizeres. Porém, um olhar mais atento dos polícias que as levaram para a esquadra depressa desfez qualquer sonho de um resto de vida desafogada. Eram falsos os imensos dólares.

Os dólares da Venda Nova eram tão falsos como os transaccionados uns meses antes na Amadora. Eram, do mesmo lote dos quer serviram para ludibriar, em 100 mil euros, um construtor civil que fora abordado por “amigos” de Chelas, proprietários de uma imensa “fortuna enegrecida” mas que necessitavam, com urgência de um produto branqueador e milagroso para poderem recolocar as notas em circulação.

Versão moderna do conto do vigário

“É o conto do vigário numa versão quase inacreditável mas que, por muito estranho que seja, é utilizado há muitos anos e que tem burlado dezenas de pessoas”, explicou ao PÚBLICO um responsável policial.

E como é que se processa a burla? “O dono das notas, normalmente depois de estudar as possíveis vítimas, que são sempre pessoas com muitas posses mas simplórias, aborda-a e propõe-lhes negócio: dá-lhe uma parte significativa dos dólares se a vítima se prontificar a avançar com uns milhares de euros para comprar o produto branqueador”, explica o mesmo investigador.

A resposta afirmativa nem sempre ocorre no primeiro encontro. Por norma, alguns dias volvidos, a gula de umas dezenas de milhares de dólares ganhos por via de um investimento dez vezes mais pequeno, leva avante. A prudência é quase sempre vencida pela ganância. Que o diga o construtor civil enganado, no final do ano, na Amadora.

Depois de muito pensar apresentou-se aos homens com o dinheiro para comprar o branqueador. Em boa verdade os burlões ainda possuíam uma pinga do líquido no fundo de uma garrafa e, para provarem que o mesmo funcionava, fizeram uma demonstração. Uma nota preta foi ungida pelo produto milagroso. Foi esfregada com rapidez, quase sofreguidão, entre mãos hábeis e, quando voltou a reaparecer, era uma cintilante e apelativa nota de 100 dólares. Um verdadeiro toque de Midas.

“O mais provável é que a nota falsa tenha sido escondida na manga do burlão, que anda sempre com dinheiro verdadeiro”, diz o polícia.

Os 100 mil euros acordados para lavarem o milhão de dólares mascarrados mudaram de mãos de imediato e, tão depressa quanto é possível imaginar. Os três empresários que andavam a lavar dólares desapareceram, numa fuga desenfreada, por entre as barracas do Bairro 6 de Maio. No chão deixaram um saco com um milhão de “dólares pretos”.

Resgatar dinheiro perdido

Esta história poderia ter terminado aqui, não fora o caso de o burlado ter recorrido aos serviços de três homens contratados no Alentejo para, de armas em punho, irem resgatar o dinheiro perdido. Os “salvadores”, cientes que teriam uma missão difícil em Chelas, onde moravam os burlões, começaram a exigir cada vez mais dinheiro ao contratador. E fizeram-no sob a ameaça de armas. Extorquiram assim cinco mil euros e, dizem fontes policiais, só não terão levado mais porque acabaram por ser interceptados por polícias que estranharam vê-los, há vários dias, à coca e armados, numa rua de Chelas, como se preparassem uma emboscada.

“Não é possível dizer qual o valor das burlas praticadas com os ‘dólares pretos’, mas é muito dinheiro. Sabemos de um caso em que, no momento em que o burlão se preparava para lavar as notas, deixou cair, de propósito, a garrafa ao chão para assim pedir mais dinheiro para comprar mais líquido. E a pessoa voltou a pagar”, diz ainda o mesmo investigador da PSP.

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